TAG MELHORES AMIGAS

Texto por Duda Lobosque e Bernardo Louzada

FJP.: Quem é mais provável de ganhar na loteria?
R: kkkkkkk nenhuma das três!! Do jeito que somos sortudas, né?

FJP.: Quem é mais provável de perder a paciência mais rápido?
Paula/Vic: A Marcela!!! (KKKKKKKKKKKK)

FJP.: Quem é mais provável de brigar em público, fazer aquele barraco?
R.: Todo mundo sabe que é a Victória (inclusive a Victória).

FJP.: Quem é mais provável de fazer perguntas idiotas?
Paula.: Eu!!! 
Marcela: Não são idiotas, suas perguntas são “bonitinhas”.

FJP.: Quem é mais provável de pagar um mico em público?
R.: A Paula!!! (todas falaram ao mesmo tempo)

FJP.: Quem é a maior rainha do drama?
Marcela.: Difícil escolher entre a Victória e a Paula.. kkkkkk

FJP.: Quem é mais provável que demore para ficar pronta?
R.: Paula!!!

FJP.: Quem é a mais provável de correr de uma barata?
R.: Surpreendentemente, a Victoria! Ela mata a barata, mas dá uma fugidinha primeiro. No momento do medo ninguém está seguro.

FJP.: Quem é mais provável de fazer amizades com estranhos?
R.: A Paula, porque ela é mais fofinha/simpática.

FJP.:Quem é mais provável que corra de uma briga?
R.: A Paula, porque ela é mais fofinha!

FJP.: Quem é a mais provável de entrar em um labirinto e desistir logo depois de entrar?
R.: A Paula. Ela ficaria falando que já deu e tá cansada…

FJP.: Quem é mais provável de falar com objetos inanimados?
R.: A Victoria. Essa é a forma que ela usa para canalizar sua raiva.

FJP.: Quem a mais provável de se tornar famosa primeiro?
Paula/Marcela.: Mas a Victoria já é famosa!!! A primeira comentarista mulher de “Rainbow Six” no mundo!

https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2019/08/29/brasileira-vira-a-primeira-comentarista-mulher-de-rainbow-six-no-mundo.ghtml

FJP.: Quem é a mais provável de virar presidente do Brasil?
Marcela/Vic.: A Paula!!! Ela é simpática, beijaria as crianças e comeria pastel na feira kkkkkkkk

FJP.: Quem a mais provável de ganhar um Oscar?
R.: A Victoria!!! Ela foi a Julieta na peça da escola (aqui no Jean Piaget).

Foto: Arquivos Colégio Jean Piaget
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Conheça a história da ativista sueca que está mudando o mundo

Texto por Maria Theresa Velloso

Foto: AP Photo/David Keyton

O nome da ativista climática sueca, Greta Thunberg,  de apenas 16 anos, vem ficando cada dia mais conhecido. Na última sexta-feira, dia 20 de setembro, com mais de 4 milhões de adeptos à sua greve pelo clima, Greta e sua causa tornaram-se um dos assuntos mais globalmente aclamados, criticados e debatidos. Mas quem é Greta Thunberg? Qual o impacto dela no mundo?

Greta nasceu dia 3 de janeiro de 2003 na Suécia. Aos 8 anos de idade, em sua escola, onde sempre sentava-se quieta (diferentemente de hoje em dia), a garota foi introduzida ao assunto do aquecimento global.

Enquanto todos os seus colegas se preocuparam com o tema durante o filme passado em sala, e depois seguiram com suas vidas normalmente, Greta não conseguiu parar de pensar no que havia assistido. Ficou marcada para sempre pelo pânico e impotência que tomaram conta da criança quando descobriu que seu futuro e seus sonhos corriam o risco de jamais se tornarem realidade. Isso aconteceria simplesmente porque nada era feito em relação ao fim iminente da raça humana e do planeta Terra como o conhecemos.

Três anos depois, aos 11 anos de idade, o assunto persistia em perturbar a cabeça da menina diariamente, dando início a uma depressão que chegou ao ponto da jovem parar de ir à escola. Ela conta que não se sentia motivada, pois não acreditava que existiria um futuro para ela e sua geração.

Tudo fez sentido para pequena sueca ao ser diagnosticada com a Síndrome de Asperger (forma leve de autismo), principalmente sua preocupação além do normal com as mudanças climáticas, uma vez que os portadores têm uma maior tendência a ansiedade e a criar uma obsessão por um tema específico.

Thunberg abraçou seu diagnóstico e diz que a síndrome é seu “super poder”. Nós todos lemos incessantemente sobre guerras, injustiças sociais, animais em extinção, mas muitas vezes nada parece nos sensibilizar o suficiente para fazermos algo além de compartilhar a notícia no Instagram. Ter Asperger fez com que Greta não parasse de pensar na crise climática até prometer a si mesma que iria fazer absolutamente tudo que ela pudesse para salvar o planeta. 

Ao se abrir com os pais sobre sua depressão  e contar que temia pelo seu futuro, a filha conseguiu com que eles começassem uma dieta vegana e que a mãe (famosa cantora de ópera) parasse de viajar de avião frequentemente diminuindo a emissão de carbono da família.

Ver o impacto que teve ao conversar sobre as mudanças climáticas com os pais mudou a perspectiva pela qual a garota via o mundo. Ela sentiu pela primeira vez que poderia fazer a diferença e, então, viu uma luz no fim do túnel. Ela notou que o mundo que julgava estar condenado a um fim inevitável, poderia ter uma salvação: ela mesma.

Greta ganhou uma competição de redação sobre o clima, criado por um jornal sueco. Os vencedores da competição foram convocados para pensar em maneiras de conscientizar a população sobre o aquecimento global. Nessa reunião a ideia de fazer uma greve escolar (skolstrejk) foi vetada, mas não impediu Thunberg de colocá-la em prática, mesmo que sozinha. 

Foi o que ela fez no dia 20 de agosto de 2018 quando acordou as 8 da manhã e, ao invés de ir para a escola, dirigiu-se até o Parlamento Sueco segurando um cartaz com as três palavras que iniciaram um dos maiores movimentos atuais, formado por jovens que se recusam a perder seu futuro para mudanças climáticas. Essas três palavras eram “skolstrejk för klimatet”  que significa “greve escolar pelo clima”.

Foto: Janek SKARZYNSKI

No dia seguinte, ela foi até o Parlamento novamente, mas dessa vez acompanhada de várias outras pessoas que deram início a 21 dias de protesto, que duraram até as eleições suecas.

Sua vontade era que pudesse protestar até alcançar seu objetivo, mas sua mãe não estava disposta a deixar a filha abandonar a escola. Elas entraram em um acordo no qual Greta poderia faltar as aulas de sexta feira. Com isso, a estudante tornou-se a pequena faísca necessária para acender a luz do ativismo climático por todos os cantos do globo. Os protestos de sexta-feira para salvar o mundo se tornaram uma febre mais quente que o planeta e as hashtags #SchoolStrike4Climate e #FridaysForFuture (#GreveEscolarPeloClima e #SextasPeloFuturo) ficaram em evidência.

A ativista climática apenas pede que os países reduzam a emissão de gases de efeito estufa, que são os provenientes da queima combustíveis fósseis, como petróleo e carvão.

Em todos os seus discursos, Greta sempre fala implícita ou explicitamente o quanto é importante que os governos parem de restringirem suas boas ações ao meio ambiente no campo da teoria e comecem a realmente praticar a mudança no mundo. A presença do Asperger faz com que a garota identifique as mentiras com mais facilidade, ela mesma conta. Por isso ela continuará lutando até ver que os países estão verdadeiramente determinados a salvar o planeta.

Também já mostrou sua revolta diversas vezes contando que queria e deveria estar na escola, como uma criança normal. Mas, ao invés disso, precisou ir para as ruas e para o outro lado do oceano porque os governos não estavam cumprindo o seu papel em garantir-lhe o seu direito básico à vida.

Junto de 15 outros jovens ativistas, Thunberg processará cinco signatários do Tratado de Paris: Alemanha, Argentina, Brasil, França e Turquia, que através de emissões descontroladas de CO2 na atmosfera, estão infringindo os direitos das crianças à vida, paz e saúde, garantidos pela Convenção dos Direitos da Infância.

Alvo de crítica dos mal informados, o processo já foi considerado tendencioso ao deixar a China de fora, sendo este o maior emissor de carbono do mundo. O fato é que os dois maiores emissores de dióxido de carbono, China e EUA, infelizmente não podem ser processados, uma vez que o país americano não ratificou a Convenção e o país asiático não faz parte do Tratado de Paris.

Na Cúpula do Clima, 23 de setembro de 2019, em seu discurso conhecido como “How dare you?” (Como vocês se atrevem?) dado na sede da Organização das Nações Unidas, a ativista mostra que por dentro também é uma pequena menina assustada, ao perguntar com a voz trêmula como os governantes se atreviam a trocar o futuro da nova geração por “uma fantasia de eterno crescimento econômico” e deixar os jovens herdarem todos os desastres naturais que serão causados se o aquecimento global não for revertido imediatamente.

Ao longo do discurso deixou sua profunda decepção transparecer em sua voz, mesmo assim a garota fez questão de verbalizar o desapontamento, com a fala “os jovens estão começando a entender sua traição […] e se vocês escolherem falhar com a nossa geração, nunca iremos te perdoar

O maior empecilho é bem explicado pelo famoso cartaz em protestos pelo clima: “vocês vão morrer de velhice, eu vou morrer de mudanças climáticas”. Isso quer dizer que os governos continuarão fazendo negócios e políticas que os favorecem economicamente, mesmo que essas ações destruam o mundo, pois a consequências não serão para a geração deles, mas para a nossa.

Foto: Divulgação

Não pense que o governo é o único culpado nessa história. Ela pede para cada um de nós (inclusive você mesmo, leitor do Falajp) colaboremos para garantir nosso próprio futuro.

Portanto, enquanto ela vai para a ONU discursar, demandar mudanças, resultados, processar países, ser um exemplo para pessoas de todas as idades e julgar Donald Trump com seu olhar…

Foto: Reprodução

… Aqui tem uma breve lista do que você pode fazer para ajudar o planeta a se recuperar:

1- Proteger a natureza
2- Restaurar: A natureza pode ser regenerada, e você pode e deve ajudá-la.
3- Financiar: parar de financiar o que destrói a natureza, e investir o que preserva ela.
4- Votar em que defende a natureza
5- Falar sobre o tema
6- Participar de manifestações

Afinal, o próprio título do livro escrito por Greta já diz: Ninguém é  pequeno demais para fazer a diferença.

Tatuagem: um mapa para o nosso interior

Texto por Ana Badialle e Isabella Gemignani

Foto: Autor desconhecido

Como forma de expressão, tanto corporal quanto individual, por meio da arte, o hábito de colocar tintas permanentes na pele subsiste ao tempo, consolidando-se como uma das formas de elaboração artística mais antigas e onipresentes na humanidade. A prática foi datada há 5300 anos com a descoberta de 61 tatuagens em uma múmia encontrada nos Alpes italianos. Contudo, ela sofreu mudanças ao longo do tempo, a despeito de seu caráter universal e do mantimento de sua tradição ao longo dos séculos, devido aos contextos e culturas na qual a arte se inseriu e se insere, caracterizando-a pela sua volatilidade conforme a conjuntura identitária. 

Historicamente, para os nativo-americanos, as tatuagens simbolizavam o fenômeno de transmissão de princípios por meio do processo tatuador, no qual o som dos pedaços de osso e madeira contra a pele evocava os ancestrais e permitia a concretização do ritual, que ilustrava fenômenos importantes na vida do indivíduo, como seu amadurecimento, poder espiritual e sua associação à grupos e posições perante a sociedade. No entanto, diante da chegada dos colonizadores britânicos em tribos norte-americanas, como na Ilha de Taiti, as tattows (termo em taitiano que significa tatuagem adotado mundialmente) passaram a perdurar contra um projeto eurocentrista, que visava o apagamento da tradição indígena, visto que, assim, os nativos seriam mais facilmente subjugados aos ideais ocidentais, quebrando, portanto, os modelos nativos e suas crenças locais. 

Giolo foi um príncipe filipino que foi escravizado e trazido à Europa como atração comercial por suas tatuagens detalhadas. ( John Savage, Princípe Giolo, 1691)

Já no Japão, a tatuagem era utilizada como forma de punição aos criminosos. Foi apenas no século XVII, por conta do aumento das tatuagens decorativas e com o crescimento do emprego para mascarar as punições permanentes, a tatuagem penal foi abolida. Dessa maneira, houve no país uma abertura para a popularização da técnica. Em 1827, os heróis e bandidos lendários cobertos de tatuagens, retratados por um artista de xilogravuras da época, inspiraram a população a adotar a estética: alguns tatuavam os próprios personagens acreditando que assumiriam suas características. Porém, a disseminação dessa arte levou o governo japonês, na Era Meiji (século XIX), a criminalizá-la, fazendo com que esse legado passasse a ser, novamente, associado à marginalização e criminalidade. Esse legado evoluiu enraizadamente às tatuagens ao longo das gerações e propiciou, também, a associação de tais à máfia japonesa, como a Yakuza. 

Por outro lado, nos Estados Unidos, os pigmentos corporais representavam aspectos de honra e bravura. Originalmente, quem as possuía eram os marinheiros, que, analogamente às tatuagens tribais, marcavam suas identidades e conquistas como marujos. As tatuagens de andorinhas, por exemplo, significavam que o marinheiro navegou 5000 milhas náuticas, enquanto as âncoras, conquistadas após uma jornada completa ao Oceano Atlântico, exprimiam ideais de estabilidade e fé inabalável diante dos desafios marítimos, sendo atreladas também à nomes (“mãe” e “pai”) para homenagear pessoas as quais eram motivos para voltar da viagem. 

Adeptos da arte, os marinheiros foram responsáveis pelo desenvolvimento da tatuagem à máquina, que era mais rápida e transformou o método e o processo de tatuar em si. Além disso, dita facilitação culminou em obras maiores e mais detalhadas, que passaram a ser apresentadas, posteriormente, nos circos que, por sua vez, disseminaram a cultura da tatuagem e o interesse à esta em localidades mais conservadoras do país, como a região Centro-Oeste e o interior estadunidense. 

Foto: Autor desconhecido

Atualmente, é notável o sincretismo entre todas as estéticas antigas, evidenciando o fato da tatuagem contemporânea ser produto do processo histórico de repressão, popularização e inovação da arte. Além disso, a democratização da mídia por meio do acesso à redes sociais permitiu a difusão de novos estilos e traços. Mesmo o ato de fazer uma tatuagem foi propulsionado por elas, visto que, segundo pesquisas, desde o início do uso do Instagram, o número de americanos tatuados quase dobrou. Contudo, isso não significou uma maior aceitação das obras, visto que as tinturas na pele ainda são proibidas nos Emirados Árabes, Coreia do Norte e na Dinamarca (quando localizadas nas mãos, rosto e pescoço), e são censuradas quando expostas na televisão na China.

De qualquer forma, o fenômeno das tatuagens nos dias atuais revelam a vontade que temos, nós, seres humanos, de registrar o que somos e o que sentimos de uma maneira radical. Mas esse registro não é feito sobre um elemento material qualquer, talvez de vida curta, como o papel, e sim realizado sobre a pele do corpo. É como se o corpo pudesse transmitir por meio da tatuagem o que sentimos, lembramos, pensamos e a nossa própria estética. 

A tatuagem como uma forma de arte ultrapassou diversos limites e significados, na contemporaneidade, com o aumento da individualidade, ela pode ser analisada como um símbolo de particularidade capaz de destacar e diferenciar os indivíduos. Além disso, as tatuagens não são apenas arte, cicatrizes de tinta, reflexo de nossas angústias ou insatisfações, rituais de inclusão de grupo – elas podem, também, representar apenas uma reprodução estética de algo que gostamos ou achamos belo em nosso corpo: mesmo que não haja uma grande história ou atribuição pessoal por trás, esses tipos de tatuagens adquirem, todavia, um grande significado, pois o que apreciamos revela muito de quem somos. Na verdade, no fundo, talvez, seja um pouco de tudo. 

Nós somos sempre pouco preparados para lidar com os períodos de mudança que a vida nos submete e acabamos, assim, tentando resistir às intempéries da existência que, de maneira inevitável, sempre nos deixarão marcados. Marcas na pele, na personalidade que devem ser carregadas, como canta Chico Buarque em sua música “Tatuagem”: 

“Quero ficar no teu corpo feito tatuagem 
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem”. 

Talvez as tatuagens falem muito mais do que imaginamos sobre nós mesmos e a imagem que criamos dos outros. Afinal, quem sabe não sejam elas, uma janela para uma versão mais honesta de nós mesmos?

Já pensou nunca mais ver uma livraria no Brasil?

Texto por Rafael Amin

Livraria Cultura em São Paulo (Foto: Divulgação)

O Brasil nunca teve cultura de ler, muito menos uma de apreço às livrarias e bibliotecas. Então, em uma lógica puramente capitalista, a atual crise tanto editorial quanto das livrarias faz sentido, afinal, a Amazon e outras super companhias estrangeiras conseguem dar descontos gigantes, ao contrário da Saraiva, Cultura e as outras grandes livrarias brasileiras. Assim, a história se repete e as megastores, que antes acabaram com as pequenas livrarias tradicionais, agora são mais uma vítima do domínio capitalista americano. Nos últimos dez anos, o número de livrarias e papelarias diminuiu mais de 28%, o que por sua vez agrava uma crise editorial, já que menos livros são vendidos e produzidos. Entretanto, as livrarias não deveriam ser vistas apenas como um lugar onde se compra um livro, mas, como disse Borges, como o divino labirinto dos efeitos e causas, da diversidade das criaturas, que formam este singular universo.

É entre as quatro paredes de uma livraria, cercado de livros, tantos que é impossível ler em uma vida, que a finitude humana se depara com a eternidade. Literatura brasileira se encontra com a russa, autores que morreram a mais de trezentos anos, mas deixaram sua marca, conseguem impactar uma pessoa, e assim a cultura humana evolui. É um pouco assustador até, mas de um jeito mágico, perceber o quanto você é um membro da raça humana. O quanto o indivíduo que, ao mesmo tempo que é só mais um no coletivo, tem agência enorme sobre a vida. Estar ao lados de nomes como Shakespeare, Goethe, Machado e Tolstoi, pessoas que de certa forma estão ligadas ao progresso da cultura, mas que ao mesmo tempo eram só pessoas, é um fardo e ao mesmo tempo um lembrete,  um lembrete que você pode mudar alguma coisa, muito provavelmente não impactará tanto o mundo como eles, mas pode ajudar a espalhar cultura.

Outra coisa que se perde com as livrarias eletrônicas é uma espécie de memória afetiva. Até grandes livrarias físicas, que tem um modelo que preza somente vender os produtos, incentivam de certa forma o contato entre pessoas, afinal o funcionário antes de ser um funcionário é um ser humano, que provavelmente gosta muito de literatura. É relativamente mais difícil puxar alguma conversa com uma pessoa na Amazon, a não ser claro que você esteja tão necessitado de contato humano que comece a mandar emails para os funcionários (eles são simpáticos, recomendo). Mas em uma livraria muitas vezes os próprios funcionários puxam assunto, seja por perguntar se você quer alguma ajuda, ver o livro que você está indo comprar e falar um pouco dele, ou até mesmo por comentar de alguma peça de roupa sua.

É muito bom sentar, pegar um livro para folhear, escutar a conversa alheia e tentar entrar nela. Cria outra forma de contato humano para uma atividade que é por natureza solitária. E uma livraria também tem sua história para contar, algumas com mais de 50 anos se tornaram até mesmo ponto turístico de algumas cidades. É até estranho caminhar por São Paulo e perceber que alguns lugares que pareciam marcas da cidade simplesmente fecharam. Mas a crise das grandes livrarias físicas pode ser algo bom, porque assim as pequenas, focadas principalmente em nichos, com funcionários especializados e talvez até um bom cafezinho para tomar enquanto folheia um livro, voltem, e, com isso, novas memórias sejam criadas. 

7 dicas de livros LGBTQ+

1- Variações Enigma

Escrito por André Aciman, o romance conta a vida amorosa de Paul, um jovem adulto bissexual, de maneira delicada e apaixonante. O autor também é responsável por outro livro LGBTQ+, “Me Chame Pelo Seu Nome”, que se tornou bem mais conhecido após o lançamento de seu filme em 2017. “Variações Enigma” retrata as relações do protagonista com ternura e encanto, trazendo personagens complexos e cheios de emoção.

Foto: Divulgação

2- Over The Rainbow

O livro é dividido em cinco contos de fadas, sendo eles: “Bela e a Fera”, “Rapunzel”, “Branca de Neve”, “Cinderela” e “João e Maria”. Todos foram adaptados para que se tornassem histórias LGBTQ+. Com uma proposta diferente e inovadora, o livro consegue cativar seu público para que sintam-se acolhidos e representados na leitura.

Foto: Divulgação

3- Garota Dinamarquesa

Inspirado em uma história real com personagens fictícios, “Garota Dinamarquesa” aborda com suavidade a vida de Lili Elbe, nascida como Elinar Wegener, datada como a segunda pessoa a realizar cirurgias de redesignação do sexo na história. Diferentemente do imaginado, o livro não acontece como se fosse uma biografia e, sim, como uma história narrada com narrador observador.

Foto: Divulgação

4- Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens

A trama conta a história de Simon, o adolescente que quer “sair do armário”, mas ao mesmo tempo é chantageado pelo valentão da escola após trocar mensagens com um outro garoto em anônimo. O desenvolvimento do livro aborda bastante a questão de se assumir como um homossexual, principalmente para a família. Tudo isso com calma sem atrapalhar o resto da história.

Foto: Divulgação

5- Submerso

O romance juvenil conta a história de um garoto solitário chamado Dimitri, que é forçado por sua família a ir para um acampamento. Com isso, surge uma relação amorosa completamente terna entre dois rapazes, deixando toda a questão de “sair do armário” bem delicada. O rapaz vai ter que aprender a lidar com os problemas já complexos de sua vida e com sua vida amorosa.

Foto: Divulgação

6 –  Todos, nenhum, simplesmente humano

Após trocar de escola e se ver sendo alvo de bullying, Riley cria um blog com objetivo de desabafar tudo que sente. Embora apresente-se como uma história descontraída, “Todos, nenhum, simplesmente humano” é um livro real e profundo tratando toda a questão de “definição de gênero”. Os sentimentos da personagens são expostos por capítulo e vão dando ao livro um ar ainda mais aconchegante para o leitor.

Foto: Divulgação

7 – Boy Erased: Uma Verdade Anulada

O livro, que recentemente virou um filme, conta a história de um jovem gay morador de uma pequena cidade do Arkansas. Como se já não fossem características suficiente para descrever Jared, ser católico e de família conservadora é mais uma delas. O garoto tem que fazer escolhas que envolvem as opiniões familiares e como o mesmo se sente a respeito. A história tem personagens cativantes e não deixa nada a desejar. Uma leitura perfeita e maravilhosa.

Foto: Divulgação

Persona: vista sua essência e tire a máscara da existência

Texto por Isabella Gemignani

Magritte, René. Decalcomania. 1966

O inferno, segundo Jean Paul Sartre, são os outros. Paradoxalmente, porém, também somos nós, visto que sempre somos o “outro” de alguém. Perante à adaptação social à esfera de opressões e exigências socialmente estabelecidas, surge, no inconsciente coletivo, um inferno introspectivo, do próprio ser para si, baseado na criação de diferentes personagens, desempenhados no âmbito particular, autônomos ao ego e mesmo à identidade: o arquétipo persona, conceituado por Carl Jung. 

Homônimo da palavra em latim (que significa, literalmente, uma máscara de um ator) o conceito junguiano é análogo aos recursos utilizados no passado, que enfatizavam os diferentes papéis na dramaturgia greco-romana. O persona psicológico, no entanto, é, também, atribuído à criação de uma personalidade desenvolvida para a interação do indivíduo com o mundo exterior, ou seja, a formação de máscaras sociais. Essas máscaras, criadas particularmente para contextos sociais específicos, se apresentam como versões “públicas” do sujeito. Sendo, acima de tudo, arquétipos que possibilitam uma adaptação às situações cotidianas de forma universal (isto é, utilizada, de modo inconsciente ou não, por você inclusive, caro leitor) ao passo em que as máscaras mudam conforme a vontade de níveis de exposição ao mundo. 

Decerto, você conhece alguma pessoa cuja personalidade simplesmente muda ao se relacionar com outros grupos sociais. Talvez você mesmo o faça. A fim de se encaixar em um determinado ambiente, nos construímos e reconstruímos segundo um molde, visto como necessário para conquistar a sempre almejada aceitação em diferentes esferas de relações. No entanto, embora conclua-se que essa persona seja um veículo para a falsidade, ela é apenas uma função psíquica, sendo mesmo essencial no convívio entre pessoas de forma equilibrada. Porém, isso não significa que tal arquétipo não possa ser danoso. Uma adoção recorrente do persona pode nos fazer esquecer de nossa verdadeira essência, contribuindo para que a flexibilidade de nossas máscaras sociais seja reduzida à uma forma unilateral, incoerente com quem o indivíduo é ou deseja ser, transformando, por fim, a pessoa em personagem.

O uso exacerbado de personagens, portanto, culmina na inexistência de um verdadeiro autoconhecimento – algo que, por sua vez, faz com que a autenticidade seja trocada pela própria fachada. Desse modo, observa-se um quê da Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman, nas confraternizações: passamos, à medida em que nos escondemos por trás de disfarces, a ver o mundo de forma unidimensional, construindo uma apatia essencial para a volatilidade contemporânea, que deixa as relações fáceis de lidar, de se envolver, e de, posteriormente, se desligar. Sob um prisma, de certo modo, egocêntrico, visamos manter as nossas próprias aparências, algo que faz com que os outros – antes, o nosso inferno – passem a carecer de profundidade. Prestamos menos atenção na realidade alheia ao nos imergimos em nossos próprios conflitos e como podemos fazer para escondê-los da vista dos outros. Tornamo-nos, tendencialmente, pessoas apenas aparentes, agarradas à aspectos externos, esquecendo-nos dos outros ao focarmos, unicamente, em nossa apresentação ao mundo e, como este, por sua vez, nos vê. 

A persona, afinal, é uma característica inalienável ao ser humano, contudo, não podemos nos reduzir, ou reduzir os outros, à ela. Cada ser é um universo e, em seus bastidores, as cortinas não se fecham, as máscaras não caem, as pessoas não aplaudem e o espetáculo não acaba. Afinal, na plenitude de nossos pensamentos, onde não existem encenações, somos, em essência, nós mesmos – final e eternamente. Assim, embora o uso das ditas máscaras sociais seja não apenas normal, mas também saudável, devemos, sempre, apelar para a nossa identidade, que subsiste quaisquer convenções sociais e situações. Afinal, segundo o próprio Carl Jung, “não existe uma receita para a vida que sirva para todos.” Logo, cabe à nós seguir nossa própria individualidade, comprometida de eventuais imperfeições… e aperfeiçoamentos. 

Crianças morrem vítimas de balas perdidas, até quando?

Texto por Enrico Zanetti

Foto: Divulgação TVT

No dia 20 de setembro, uma tragédia acometeu o Complexo do Alemão no Rio de Janeiro. A menina Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos, foi atingida nas costas por uma bala perdida e acabou não resistindo aos ferimentos, falecendo na madrugada do dia 21. Ágatha é vista agora como mais um número já que ela é a quinta criança a morrer por conta de violência, em 2019, na cidade do Rio de Janeiro. 

Após o fato, o Rio foi invadido por discursos de indignação e de insatisfação. Protestos contra a morte de Ágatha atingiram o solo carioca, convocados por vários movimentos sociais. Frases como “Parem de nos matar” preenchiam o céu cinza de um dia de luto no Brasil. Várias pessoas, em sinal de protesto, carregavam balões amarelos, uma referência a menina que foi fotografada com um mesmo balão. No Aterro do Flamengo, foram colocadas 57 cruzes e cada uma continha o nome de crianças que foram vítimas de balas perdidas.

A Organização não Governamental (ONG) Rio da Paz, que tem um trabalho de combate a violência por meio da defesa dos direitos humanos, apresenta uma estatística de mortes aterrorizadora no Rio de Janeiro:  2007, foram três; em 2008, duas; 2010, uma; 2011, duas; 2012, duas; 2013, três; 2014, duas; 2015, sete; 2016, 10; 2017, 10 e 2018, 10, e por enquanto em 2019, cinco. Ela que organizou a manifestação das 57 cruzes no Aterro do Flamengo.

Já a ONG Justiça Global, junto com o Movimento de Favelas do Rio, apresentaram à ONU uma denúncia contra o estado brasileiro e o governador do Rio de Janeiro, pela execução de Ágatha. Existem muitas críticas à Política de Segurança Pública carioca, parte delas surgem quando o Chefe do Estado, em suas falas, estabelece uma espécie de “Lei de Talião” como estímulo ao combate ao crime – olho por olho, dente por dente.   

O ano de 2019, além de Ágatha, outras quatro mortes foram geradas por bala perdida. Em fevereiro, Jenifer Cilene Gomez, uma garota de 11 anos, foi atingida por uma troca de tiros na Zona Norte do Rio de Janeiro e morreu antes de de ser socorrida. Kauan Peixoto, de 12 anos, morreu baleado em uma operação policial na comunidade da Chatuba enquanto tentava comprar um lanche. Foi o mesmo destino de Kauan Rozario de 11 anos. Todos com uma história em comum, uma bala perdida que achou uma vítima do Estado.

Ágatha não veio de Temiscira, onde é o lar das Amazonas, ela não tinha um bracelete a prova de fogo e nem o laço da verdade. Ela podia não ser a Mulher Maravilha, mas carregava consigo a inocência de uma criança e sonhava com uma vida melhor, mesmo sendo negra e pobre.

Ela podia não ser a Mulher Maravilha, mas agora ela é uma heroína e que nos tempos futuros escutemos esse nome como o nome de uma lei, de um acordo ou nos livros de história, e lembremos dela. Balas perdidas não trazem perdas apenas para familiares e amigos, mas para nação como um todo, onde perdemos jovens que poderiam construir um futuro melhor.

Foto: Arquivo pessoal

E como diz na música feita por MC’s, ADL, Choice & Negra Li Feat. Djonga & Menor do Chapa, “Favela vive 3”:

“Mais uma mãe revoltada, 
uma pergunta sem resposta. 
Como o policial não viu o uniforme da escola? 
Vinicius é atingido com a mochila nas costas
como vou gritar que a favela vive agora”

Uma referência a morte de Marcos Vinicius, 14 anos, outra vítima de bala perdida na cidade.