Qual lanche da cantina JP você é?

Texto por Gabriela Craveiro, Bernardo Louzada e Elisa Amaral

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Londres muito além da ciência

Texto por Carolina Sousa

Grupo de alunos do Jean Piaget (Foto: Arquivo pessoal)

Todos os alunos do Jean Piaget já estão familiarizados com o PIC – Projeto de Iniciação Científica, que é obrigatório nos dois primeiros anos do Ensino Médio e é visto por muito gente como um fardo. Porém, o que poucos sabem é o quão longe você poderá ir baseado em um trabalho bem realizado e resultado de muito esforço.

As formas de reconhecimento são várias, desde a premiação da banca avaliadora do Colégio, até a participação em feiras científicas desvinculadas à escola, que é o caso da London International Youth Science Forum (LIYSF), onde centenas de estudantes de mais de 70 países se reúnem para apresentarem seus trabalhos, assistirem palestras e outras programações em Londres, na Inglaterra.

Em 2019, eu e mais cinco alunos do 3º ano do Ensino Médio fomos convidados para participar do Fórum em Londres, são eles: Elisa Amaral, Gabriela Craveiro, João Bassetto, Raissa Nogueira e Thomas Conway. Nós apresentamos nossos trabalhos, assistimos diversas palestras e realizamos visitas de campo e atividades em grupo inesquecíveis.

Foto: Arquivo pessoal

O evento acontece durante duas semanas com atividades em diversos locais, mas sobrando sempre um tempinho para explorar Londres, fazer novos amigos e conhecer culturas novas. O intercâmbio de experiências e conhecimentos entre jovens em nossa idade acontece desde conversas no dia a dia, a comentários em palestras e debates, nos quais seus pontos de vista são expostos. No show das “Tradições de Casa”, realizado no último dia, isso ficou ainda mais evidente, uma vez que as várias nações dividem-se para apresentar para os outros participantes danças, músicas e até doces típicos de seus países. 

Apresentação dos brasileiros na noite de culturas (Foto: Arquivo pessoal)

Além de tudo que aprendi nas palestras de especialistas e debates, algo que sempre vou levar pra vida são as amizades que fizemos lá. Tivemos a sorte de conhecer pessoas fantásticas e muito interessantes, especialmente o pessoal da Espanha, Chipre, uma menina de Londres mesmo e uma da Bélgica. Aprendi muito com todos, gírias em inglês britânico, treinei meu espanhol e até aprendi a falar um pouco de grego. Também vivemos coisas que nunca imaginamos que viveríamos, participamos de um caça palavras/caça ao tesouro pelas ruas de Londres, pintei meu cabelo de azul com duas amigas minhas (Tash e Ioanna), jogamos muiiito pebolim, dançamos “malha funk” na frente de todos os participantes e staff, andamos de metrô sem nos perder nos icônicos ônibus vermelhos e até usei selos de carta britânicos! A saudade dos amigos já está batendo e estamos até planejando o reencontro.

Brasileiros, espanhóis, argentinos e ingleses após a noite de culturas
(Foto: Arquivo pessoal)

“Com certeza uma das melhores experiências da minha vida! Além dos amigos, dos passeios e tudo mais, uma das coisas mais interessantes é o compartilhamento de tantas culturas e interesses diferentes. Cada conversa era uma coisa nova que eu aprendia de lugares que eu nunca imaginei saber.” – Thomas Conway.

Foto: Arquivo pessoal

“Tudo dessa viagem será inesquecível! Cada momento de estudos em grupo e de palestras, pude praticar o inglês e aprender novos tópicos das áreas que gosto. Teve até mesmo uma palestra sobre plásticos, o que tinha tudo a ver com meu trabalho. A experiência de conversar com pessoas de diversos países e aprender mais sobre a cultura delas foi surreal. Nunca pensei que faria amizade com alguém da Tailândia!! Também conheci muitos brasileiros que eram o alto astral da viagem, mostrando que o melhor do Brasil é o brasileiro hahaha.” – Raissa Nogueira.

Nosso Grupo no Hyde Park (Foto: Arquivo pessoal)

“Com certeza uma das melhores experiências da minha vida. Estar rodeada por pessoas de culturas totalmente diferentes e, mais do que isso, poder apresentar a minha a elas. É simplesmente incrível, sem preço.” – Gabriela Craveiro. 

Partida de baralho com estudantes do Brasil, Turquia, Itália, Taiwan e Estados Unidos
(Foto: Arquivo pessoal)

“As duas semanas que eu passei no LIYSF foram as melhores da minha vida. Tudo que eu vi e conheci lá era incrível, e ter feito isso ao lado de gente muito legal tornou tudo melhor ainda. Conversei com gente de todos os cantos do mundo e aprendi mais sobre a cultura deles. Foi demais! E o mais divertido é ver que, apesar de tantas diferenças culturais e de costumes, a gente se dá tão bem! Foi  realmente uma experiência incrível” – Elisa Amaral 

Foto: Arquivo pessoal

“A experiência do LIYSF foi em diversos aspectos inesquecível. A oportunidade de encontrar pessoas do mundo todo que, além de serem pessoas incríveis, compartilhavam, de forma geral, interesses em comum torna toda a experiência mais prazerosa. Além disso, a troca de culturas é uma das melhores partes do fórum no qual a gente teve contato com culturas de países que eu nunca imaginava como Chipre. Fizemos amizades muito fortes com espanhóis e entre outros. Foi simplesmente incrível. Sobre a apresentação do trabalho foi muito tranquilo e todo o ambiente é descontraído podendo conhecer trabalho de outras pessoas, o que é muito interessante até porque tem uns trabalhos muito complexos e as pessoas têm, basicamente, 17 anos o que é, de certa forma, inspirador. Pra resumir, a viagem para Londres foi uma experiência fantástica e eu realmente recomendo a todos que tiverem a possibilidade a irem para este fórum porque vão ser uma das duas melhores semanas da sua vida.” – João Bassetto 

Tudo isso deixa mais que evidente que o PIC pode ser enxergado como um empecilho, mas que, quando aplicada dedicação, os resultados podem compensar muito! E aí, já entregou o relatório de pesquisa?

Área 51: segredos obscuros do governo dos EUA ou invenções da sociedade?

Texto por Melissa Alfinito

Foto: Divulgação

Eu aposto que você, em alguma rede social ou durante uma bate papo muito louco sobre extraterrestres, já ouviu falar sobre a misteriosa área 51! Mas, o que é esse lugar e o que tem lá dentro?

A área 51 se encontra no Deserto de Nevada, nos Estados Unidos, próxima à base Nellis, uma instalação oficial da Força Aérea americana. Ela foi criada em 1955, pela CIA, no auge da Guerra Fria e recebeu esse nome aleatoriamente porque o espaço total de testes era dividido em quadrantes. Um número aleatório mesmo para que não houvesse nenhum padrão, por questões de segurança e privacidade.

É considerada a base militar mais secreta dos Estados Unidos e até que faz bastante sentido, pois sua criação está relacionada às diversas competições entre os EUA e a antiga União Soviética na época, então escondê-la e mantê-la o mais longe possível da população era essencial. Por isso, a área 51 está em uma região desértica, perfeita para servir de pista de pouso e as redondezas inabitadas e inóspitas colaboram para manter tudo no sigilo, já que a cidade mais próxima, Rachel (com menos de 100 habitantes), fica a 40 quilômetros.

Não é possível sobrevoar o local, muito menos entrar lá e, apesar de não ter uma forte segurança como muros altos ou grades com muita proteção, há inúmeras câmeras e placas de segurança que relembram o risco de prisão por invasão de propriedade.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Para contextualizar mais um pouco, no início, a área 51 foi usada como um centro de testes de um avião chamado U-2, que foi desenvolvido com o objetivo de voar alto o suficiente para espionar com facilidade a região da União Soviética. Foi aí que muitas especulações começaram, porque pilotos de companhias comerciais relataram ver objetos voadores estranhos no céu e, como o projeto não tinha sido revelado e nunca havia sido criado um avião com tamanha capacidade de voo, suspeitava-se ser naves alienígenas.

Os anos se passaram e teorias da conspiração movimentam as redes sociais instigando a curiosidade de pessoas desesperadas para descobrir o que a área 51, tão restrita, esconde do mundo. A curiosidade é tanta que, esse ano, em julho, foi criado um evento no Facebook para invadir o local e mais de 1 milhão de usuários da rede marcaram presença. Mas, no início de agosto, repentinamente, o evento desapareceu da plataforma com a justificativa de que violava suas diretrizes, o que levantou suspeitas sobre possíveis agentes do governo por trás da remoção, fortificando as teorias dos internautas de que há, de fato, segredos “obscuros” guardados na área 51. Talvez ainda mais curiosos, quem concordou pela primeira vez com a invasão, junto com o criador do grupo, continuam planejando botá-la em prática.

Por falar em teoria, tem gente que brinca que famosos como Michael Jackson ou até Elvis Presley estão escondidos (e vivos!) no local. Porém, por mais que esse exemplo não passe de uma brincadeira para muitos, há pessoas que botam fé nas seguintes teorias:

  • a ida do homem à Lua pela primeira vez, na verdade, teria sido filmada dentro da área 51 que, por ter uma paisagem desértica, imitaria com precisão as características do satélite, além de ser uma saída muito mais rápida para vencer a URSS na corrida espacial.
  • acredita-se que, em 1947, um OVNI caiu em Roswell, uma cidade próxima à base secreta, e seus destroços foram levados para os laboratórios de lá para serem estudados pelos americanos que tinham interesse em copiar suas técnicas aeronáuticas. Além disso, muitos dizem que alienígenas foram encontrados no local da queda e também foram levados para estudos.

De qualquer forma, a CIA não nega e nem comprova nenhuma atividade feita dentro do local, aumentando a curiosidade do mundo todo que cada vez mais tenta achar respostas para esse mistério. Será que é apenas uma base militar com a função de simplesmente desenvolver armamento longe dos olhos das outras nações? Será que toda a curiosidade é instigada de propósito pelo governo dos Estados Unidos? Ou será que existem mesmo extraterrestres na área 51? 

E aí, no que você acredita?

A importância da proteção contra as ISTs e outras doenças sexuais

Texto por José Vitor Giusti

Arte: Richet

Proteção é uma palavra forte que é pouco utilizada entre os jovens de hoje em dia. Muitas doenças e infecções sexualmente transmissíveis são cada vez mais constantes entre os adolescentes. Uma das causas é pela falta de informações sobre como se proteger. 

O Ministério da Saúde passou a adotar a terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) em substituição à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), pois destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que é uma agência especializada em saúde subordinada pela ONU, o índice de contágio dobrou entre jovens de 15 a 19 anos, passando de 2,8 casos por 100 mil habitantes para 5,8 na última década. Nosso objetivo é apresentar as doenças e infecções sexualmente transmissíveis mais recorrentes entre os adolescentes, como elas ocorrem, os sintomas e como podem ser prevenidas.

Herpes Genital

É causada pelo herpes simples e pode ocorrer nos dois sexos. Seus sintomas são dor, coceira na pele e alguns ferimentos nos primeiros momentos pela formação de úlceras e crostas. A Herpes Genital não tem cura, mas pode ser controlada através de medicamentos. Essa doença pode ser prevenida simplesmente com o uso de preservativos nas relações sexuais.  

Gonorreia

A gonorréia é uma das ISTs “menos graves”, porém uma das mais difíceis de detectar por ter poucos sintomas, algumas vezes até nenhum. Os sintomas são de dor ao urinar e secreção anormal do pênis ou da vagina. Os homens podem sentir dor testicular e as mulheres, dor pélvica. A Gonorreia tem cura e, com o uso de antibióticos, a doença pode ser amenizada em poucas semanas. A prevenção também é o uso de preservativos em relações sexuais. 

Sífilis

É considerada uma doença rara que se desenvolve em estágios. O primeiro sintoma é uma ferida indolor na genitália, no ânus ou na boca. O segundo estágio é caracterizado por irritação na pele. Depois, não haverá mais sintomas até o último estágio, que pode ocorrer só anos mais tarde, causando danos no cérebro, nervos, olhos ou coração. A Sífilis tem cura, é tratada com penicilina e os parceiros sexuais também devem fazer o tratamento. A doença pode ser prevenida com o uso de preservativos em relações sexuais e evitando contato com sangue infectado. 

Clamídia

É uma doença que geralmente afeta mulheres jovens, mas também é possível de ser adquirida por homens em alguns casos. Os sintomas são de dor genital e secreção pela vagina ou pênis. A clamídia tem cura e durante o tratamento é recomendado que o paciente afetado e seus parceiros façam uso de antibióticos.

HPV

O papilomavírus humano, também conhecido como HPV, é a IST mais comum. Algumas pessoas com a infecção acabam não desenvolvendo nenhum sintoma, mas continuam podendo infectar outros indivíduos pelo contato sexual. Os possíveis sintomas são verrugas nos órgãos genitais e na pele circundante. Não há cura para a HPV, mas as verrugas podem desaparecer por conta própria e o tratamento tem como objetivo eliminá-las. Ela pode ser prevenida através de uma vacina para impedir alguns tipos de HPV com maior possibilidade de causar verrugas genitais e câncer cervical.

AIDS

O vírus da AIDS, sendo um dos mais conhecidos e temidos pelos jovens, pode ser transmitido pelo contato com sêmen, sangue ou fluidos vaginais infectados. Os primeiros sintomas depois da infecção do vírus HIV são como os da gripe: febre, dor de garganta e fadiga. Perda de peso, febre ou sudorese noturna, fadiga e infecções também são recorrentes em quem possui a doença. A AIDS não tem cura, mas tem um tratamento de adesão estrita aos regimes antirretrovirais, também conhecido como coquetel, que pode retardar o progresso da doença e prevenir infecções secundárias e complicações. A AIDS pode ser prevenida com o uso de preservativos nas relações sexuais.

Um fator muito curioso entre todas as doenças citadas na matéria é o fato que a principal causa de transmissão das ISTs seja pela falta de uso de preservativos nas relações sexuais. Isso faz com que a vida sexual de tantos jovens seja afetada pela falta de prevenção, por falta de informação e por ainda ser considerado um tabu. Por isso, para que todos os jovens possam ter relações de maneira tranquila, os garotos devem procurar um urologista e as garotas um ginecologista para se informarem sobre sexos seguros e se prevenir para não sofrer com nenhuma IST futura.

Conheça os cinco novos esportes que estarão nas próximas Olimpíadas

Texto por João Gimenez

Logo oficial dos Jogos Olímpicos 2020

A Olimpíada é um evento multiesportivo de escala global que ocorre de quatro em quatro anos. Seu principal símbolo, criado pelo francês Pierre de Frédy, é composto por cinco arcos entrelaçados, que representam os cincos continentes, e possui um nobre significado: todos os povos unidos pela paixão ao esporte de forma a reunir etnias, idiomas e culturas. A última edição ocorreu aqui no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro em 2016, quando conquistamos 19 medalhas no total. Os próximos Jogos Olímpicos ocorrem em Tokyo, em 2020. Essa será a XXXII edição e contará com uma novidade, ou melhor dizendo, cinco. Surf, Skate, Karatê, Escalada esportiva e Beisebol são as mais novas modalidades a serem disputadas olimpicamente. É indiscutível que esses esportes ganharão mais visibilidade participando do torneio.

Sob este mesmo prisma, no entanto, há uma face da história que não é apontada: será que a essência dessas modalidades pode ser perdida na competição? Esta é a preocupação trazida pelo aluno do 2° ano, Diogo Alessio, durante uma entrevista. Diogo possui contato com o Skate desde os cinco anos, mas pega firme e realiza manobras desde os dez. Quando perguntado se ele, nesta idade, pensava na possibilidade do Skate como modalidade olímpica, ele responde: “Olha, nem pensava muito nisso pra ser sincero. Para mim, o skate é muito de grupo, sabe? É um esporte em que não se vê uma agremiação como no futebol ou basquete. Possuem menos campeonatos, menos marcas envolvidas, marketing e até um menor apoio”. 

Ele finaliza a reflexão após responder sobre sua reação ao descobrir de tal novidade. “Eu vi como uma coisa boa, mas muitos skatistas, por incrível que pareça, não acham o mesmo. Eu também consigo entender que este fato pode tirar um pouco da essência e espírito do skate, que é o esporte livre e, além disso, tirar as características dos skatistas”, contou.

Enquanto isso, um dos surfistas do colégio, Lucas Ariano, se posiciona diferentemente sobre a questão. “O surf nunca perderá a sua essência. Não sei se você sabe, mas o surfe é conhecido desde muito tempo como esporte dos Deuses, pela sua essência e vibe e, por isso, acredito que ele nunca a perderá de jeito nenhum”. 

Lucas faz críticas sobre como o Surfe é visto pela maioria das pessoas. “Não estou falando que todas as pessoas são preconceituosas, mas infelizmente tem muito. Muitos taxam-nos como ‘maconheiros’. Acho que este sentimento de que todo surfista ‘é isso’ ou ‘aquilo’ deve diminuir com a ingressão do esporte nas Olimpíadas”, afirmou.

Os outros esportes têm se destacado também. O Karatê, além de ser popular no Brasil, possui medalhistas como Vinícius Figueira, Hernani Veríssimo, Izabel Cardoso, Sabrina Pereira e Carolaini Pereira dos Jogos Pan-Americanos de 2019 que ocorreu em Lima. Já o Beisebol, ainda que não faça parte do nosso dia-a-dia, também possui grandes nomes defendendo a nossa seleção. Um deles é o Pardinho que, com 16 anos, já recebia mais do que o Neymar nessa idade. Por fim, a escalada escalada esportiva conta com o velocista Paulo André de Oliveira, bi-medalhista de ouro na Universíada de Verão de 2019, em Nápoles.

A vida nos muros da cidade

Texto por Ana Badialle e Isabella Gemignani

Foto: SONY DSC

A experiência urbana é caracterizada, acima de tudo, pelo seu frenesi. Lugares lotados, multidões amontoadas em metros, pessoas caminhando com pressa, horários e tabelas a serem preenchidas. Cada indivíduo preso em sua existência frenética, em seus próprios mundos de afazeres concretos, o que faz parecer que as cidades se tornam cada vez mais cinzas e prepotentes, longe de uma conexão real e emotiva. Em 2011, o artista Criolo traduziu essa sensação de isolamento na música “Não Existe Amor em SP”. A canção tornou-se extremamente popular e trouxe a atenção internacional para a cena do rap brasileiro. Essencialmente, ela trata sobre essa sensação de solidão vivida nas grandes metrópoles no mundo contemporâneo, quando Criolo diz que “Não existe amor em SP” ele traduz de forma lírica o fenômeno mundial da solidão urbana, causada por motivos enraizados que vão da estrutura da linguagem até o modo de produção e vivência capitalista neoliberal como aborda a música de Criolo:

“Não existe amor em SP
Um labirinto místico
Onde os grafites gritam
Não dá pra descrever”

Foto: Autor desconhecido

Por isso, para transcender a linguagem e suas dificuldades na conexão cotidiana, a arte se altera de acordo com seu contexto e necessidade, o que nas grandes metrópoles não foi diferente, revelando parte da necessidade de uma experiência sensível em um mundo cosmopolita. O grafite, diante de tal contexto, configurou-se como uma linguagem artística própria, sendo, em sua origem, uma inspiração visual para outras formas de manifestação artística e, logo depois, o próprio veículo de disseminação de mensagens sobre política, sociedade e cultura.  

Apesar de ser um conceito antigo, datado às inscrições de protesto encontradas em construções do Império Romano, a pichação, assim como o meio urbano, sofreu transformações ao longo do tempo. As letras coloridas e desenhos obscenos que conhecemos hoje como “grafite” e que estampam os prédios e muros das cidades, foram criadas pelos jovens do Bronx (distrito de Nova Iorque) que, como participantes do movimento de contracultura hip hop, ressignificaram o conceito romano por meio de tinta spray e de frases de questionamento.

Para entender a relevância do Grafite e da arte urbana, é necessário compreender sua década de surgimento, que foi marcada pelas grandes insatisfações políticas e pela força enorme do protagonismo dos jovens. As décadas de 1960 e 1970 foram moldadas pelo sentimento de engajamento social e político, dando lugar à acontecimentos como Woodstock, em 1969, e o estabelecimento do fim de um período conformista que logo se esgotou com os conflitos da Guerra do Vietnã, gerando um clima marcado pelo questionamento do patriotismo estadunidense proveniente da prosperidade econômica da década de 1950. 

No contexto do surgimento do grafite vieram grandes nomes, como o de Jean-Michel Basquiat, grafiteiro de Nova Iorque, que inicialmente expunha poemas e reflexões filosóficas pela cidade – e que, posteriormente, tornou-se conhecido pelos grafites neo-expressionistas, originando sua entrada no contexto alternativo artístico nova iorquino frequentado por pessoas como Andy Warhol e Keith Haring.

 Hollywood Africans, 1983 ( Jean-Michel Baquiat)

Como filho das grandes metrópoles e desse inconformismo, o grafite teve lugar na mesma época em Paris, acompanhando o movimento estudantil contra as formas de ensino retrógrados na França, conhecido como Maio de 68, juntamente também da indignação pelo fortalecimento das ditadura militares na América Latina e o apoio ao movimento pelos direitos civis no Estados Unidos. Os estudantes deixaram suas marcas de indignação pelos muros da capital francesa, inaugurando essa maneira de arte no continente europeu.

Tradução: “Como pensar livremente à sombra de uma capela?” (Grafite de Maio de 68)

As periferias de São Paulo logo incorporaram o Grafite como meio de expressão diante das imposições culturais sofridas pelo Brasil, chocando muitos na década de 1980. Isso popularizou uma polêmica travada até a atualidade: a acusação de que os grafites são apenas poluição visual e meras pichações. No entanto, as novas exposições ganharam, por outro lado, admiradores da elite intelectual, que passaram a enxergá-las como formas de arte e expressão, movidas pela revolta das ditaduras na América Latina, como a vivida no Brasil, implantada em 1964, e acabando apenas em 1985. Tal conjuntura política promoveu a necessidade de se expressar diante de tantas brutalidades e abusos de poder do governo autoritário, criando um cenário próprio em âmbito nacional e concebendo uma esfera fértil para a produção cultural grafiteira brasileira. 

Essa efervescência artística trouxe nomes como “Os Gêmeos”, que chegaram a ter painéis expostos em grandes galerias de arte do Reino Unido. Eles também possuem inúmeros painéis pela cidade de São Paulo, especialmente, em bairros como Liberdade. Recentemente, infelizmente, seus murais da Av. 23 de Maio  (considerada uma das maiores composições de grafite do mundo) foram apagados com tinta cinza. Além dele, Kobra, um artista brasileiro de extrema relevância no meio da arte urbana internacional, é também responsável pela exibição de painéis ao redor do globo, tendo formas do realismo com cores exacerbadas como sua marca. 

Grafite dos Gêmeos

O Grafite ainda ocupa um lugar de protesto nas grandes cidades e traz exatamente parte da necessidade escancarada de abordar a conexão e expressão nas grandes cidades. A cidade de São Paulo, como descreveu Criolo, transborda arte e cultura como um escudo para a frieza e individualização, criando uma forma quase inexata, porém eficiente de comunicação. Pois, em meio ao concreto, os muros ainda são capazes de abrigar fragmentos explosivos de cultura, cujos estilhaços, mais do que nunca, geram novos focos de criação e produzem, uma cidade um pouco mais colorida, crítica e menos tradicional ou opaca, dando graça ao que pode ser considerado banal à luz do dia-a-dia. O grafite, então, em meio ao caos da cidade, com que já estamos acostumados, consolida-se como uma ressignificação do espaço, vendo nele a possibilidade de um reencantamento do cotidiano por meio da arte, para lembrar a todos que existe sim amor em SP, ou em qualquer outra grande metrópole. 

Será que estamos sozinhos na imensidão do cosmo?

Texto por Pedro Frezza

Foto: Shutterstock

Em uma simples conversa casual entre amigos, o físico Enrico Fermi discursava sobre vida inteligente extraterrestre. Expondo aos seus amigos o seu entendimento sobre o tema, ele faz a seguinte pergunta: “então, onde eles estão?”. Claramente ele está se referindo aos alienígenas, uma pergunta que ninguém sabia responder, mas muitos estavam dispostos a descobrir a resposta. A partir desta história criou-se uma grande teoria que procurava explicar o porquê de nunca termos encontrado vida extraterrestre dando origem ao Paradoxo de Fermi. 

Primeiramente, para introduzi-lo às especulações científicas atuais, nós faremos algumas suposições com números. Atualmente, através de estudos astronômicos, estima-se que em nosso universo existam mais de 1 sextilhão de estrelas. Contudo, apenas alguns tipos destas possibilitam que haja o surgimento de vida, que são aquelas que se assemelham às características do Sol. Por isso, estima-se que existam ao menos 1 quintilhão de corpos que são  proporcionais ao Sol. Se assumirmos que pelo menos 1% das estrelas possuam um sistema solar que apresenta um planeta com condições similares às da Terra, ainda teremos 10 quadrilhões de corpos celestes. 

Todavia, não sabemos quantos desses astros levarão seus fenômenos geológicos/químicos a gerarem vida inteligente. Desta maneira, faremos outra suposição, vamos assumir que pelo menos 1% desses planetas tiveram a oportunidade de gerar vida terrestre suficientemente avançada, ainda teremos 100 trilhões de planetas que supostamente produziram vida alienígena. Evidentemente, ainda podemos afunilar mais ainda esse grupo, vamos supor que, de todos estes planetas, apenas 0,0000001% deles se situam na nossa galáxia e desenvolveram uma civilização a um nível próximo ao nosso, ainda teremos 100 mil corpos celestes que abrigariam vida inteligente, mas, mesmo assim,  até hoje nunca tivemos nenhum sinal deles. Por isso, muitos se perguntam: “onde eles estão?”.

Partindo desta linha de pensamento, intelectuais utilizam uma hipotética escala que indica o índice de desenvolvimento de uma espécie, conhecido como a Escala de Kardashev. Esta cria três subdivisões: sociedades tipo 1, que são aquelas que são capazes de armazenar e utilizar toda a energia proveniente de seu planeta; sociedades tipo 2, que são aquelas que conseguem armazenar e utilizar toda a energia de sua estrela; e as sociedades tipo 3, que são aquelas que tem a capacidade de armazenar e utilizar toda a energia de sua galáxia. 

Para sua surpresa nós, seres humanos, não somos nem tipo 1 ainda, o que significa que apresentamos um nível de desenvolvimento medíocre quando somos comparados com o que podemos encontrar no espaço. Obviamente, existem planetas que são bem mais antigos que a terra, por isso podem apresentar comunidades alienígenas que estão se desenvolvendo a muito mais tempo que nós. Se formos minimalistas e assumirmos que apenas 0,1% daqueles 100 mil sociedades chegaram ao tipo 2 ou 3, ainda teremos pelo menos 100 povos extraterrestres que vivem perto de nós e que, apesar de suas enormes conquistas tecnológicas, ainda não nos notaram (ou não nos deram sinais de suas existências), mesmo que nós estejamos enviando sinais constantemente. 

Neste momento, vamos te introduzir ao Paradoxo de Fermi, que não possui uma solução exata, mas demonstra algumas hipóteses do que possa estar acontecendo. Diante desta teoria, existem duas linhas de pensamento que se adequam à realidade: 

1- Não existem civilizações tipo 2 e 3 e, por isso, eles não recebem nossos sinais e também não conseguem enviá-los

2- Estas civilização tipo 2 e 3 existem, mas preferem não estabelecer contato

Devido à idade do universo é fato que diversas comunidades já tiveram tempo suficiente para se desenvolver aos tipos 2 e 3, porém, se hoje nenhuma delas existem, isso significa que em algum momento de sua história elas se depararam com um evento de extinção, que atingiria toda sociedade inteligente que alcançasse um certo nível de desenvolvimento, explicando assim, seu desaparecimento. Isto nos leva a supor que este repetitivo evento de destruição total das espécies funciona como um “grande filtro”, o qual leva à extinção de quase todas ou todas as espécies que chegassem a ele. A partir dessa lógica, podemos crer que, ou já passamos por esse filtro e estamos salvos, ou nossa hora está chegando. 

Contudo, pode ser que esse “grande filtro” seja uma grande farsa e, na verdade, já existem civilizações tipo 2 e 3, mas elas não querem fazer contato conosco, mas por quê? A primeira possibilidade envolve história do surgimento do homem, já que os Homo Sapiens existem há mais de 200 mil anos, mas passamos a registrar nossa história há apenas 5 mil anos, com isso, pode ser que nós já tenhamos recebido sinais extraterrestres, porém não tínhamos a capacidade de recebê-la e entendê-la na época. A segunda possibilidade envolve a teoria de que comunidades inteligentes alienígenas estejam se comunicando por meio de uma tecnologia que ainda não conhecemos e, por isso, não percebemos suas mensagens. 

Entretanto, também existe a possibilidade que nós sejamos apenas animais esperando para sermos abatidos por uma civilização superior para que esta se sirva de nossos recursos e conhecimentos. O que você acha? Pensa que somos apenas algum incrível acidente biológico dentro do universo e por enquanto estamos sozinhos? Ou você acha que estamos sendo vigiados por alguém na imensidão do cosmos? Boas reflexões.