Cicatrizes à mostra na São Paulo Fashion Week

Texto por Noah Mendes

Foto: Adriana de Maio/Estadão

Na 48ª edição da São Paulo Fashion Week, que aconteceu entre os dias 13 e 18 de outubro, houve um acontecimento que mexeu com a comunidade LGBT+, mais especificamente a comunidade Trans. Um homem transsexual desfilou e expos as cicatrizes de sua transição de sexo.

O modelo Sam Porto, de 25 anos, desfilou para Cavalera com uma blusa aberta expondo seu peitoral com marcas da cirurgia de mastectomia masculinizadora e com “Respeito Trans” escrito em seu tórax. A Mastectomia masculinizadora é uma cirurgia feita em homens trans para retirar os seios e tornar seu peitoral parecido com o de alguém do sexo masculino. 

Foto: Divulgação SPFW

Sam Porto diz não ter entrado para o mundo da moda antes por medo de ser colocado junto com o casting de mulheres, porém após começar o tratamento hormonal e realizar a cirurgia, ele saiu de Brasília, sua terra natal, com objetivo de focar na carreira. Ele foi convidado para fazer parte da Agência Rock MGT e disse ao seu booker (também conhecido como Agente de Modelo) que gostaria de ser apresentado com homem trans. Durante a SPFW, ele recebeu aprovação da Cavalera, Korshi, João Pimenta, Another Place e Handread para expor suas cicatrizes durante o desfile.

Esse acontecimento influenciou positivamente a comunidade trans, pois infelizmente a visibilidade na mídia brasileira ainda é pequena, o que acarreta com o falta de informação e preconceito. Isso faz com que o Brasil seja o líder mundial em assassinatos de pessoas transsexuais e que apenas 5% dos que sobrevivem tenham carteira assinada, pois empresas discriminam essas pessoas resultando no fato de que, principalmente mulheres trans, acabam seguindo para a prostituição. Esperamos que esse acontecimento influencie o aparecimento de mais transsexuais no mundo da moda e ajude a quebrar vários padrões estéticos que a sociedade ainda enfrenta.

Confira os vencedores dos Prêmios Nobel de 2019!

Texto por Enrico Zanetti e Pedro Frezza

Foto: Wikimedia Commons

O Prêmio Nobel é uma das maiores honrarias de todas as ciências conhecidas pelo homem. Ele surgiu graças ao químico sueco Alfred Nobel, um homem com bastante poder financeiro que colocou em seu testamento que gostaria que sua herança fosse para uma premiação que reconheceria trabalhos que impactam o mundo científico. Originalmente eram premiadas as áreas de Química, Física, Medicina, Literatura e Paz Mundial, mas o Banco Central da Suécia adicionou Economia, totalizando assim seis áreas científicas. Este ano 12 novos nomes entraram para a lista dos vencedores dos prêmios Nobel.

Na área da química os premiados foram: John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino, apesar de não trabalharem em conjunto, todos realizaram um trabalho incrível na criação das baterias de lítio  que dão energia para a maioria dos nosso utensílios. Cada cientista utilizou as contribuições e descobertas do outro para dar continuidade ao projeto das baterias, atingindo um protótipo completo no ano de 1985 e, devido a sua excelência, essas baterias são utilizadas até hoje. 

Na área de Física os vencedores do Nobel foram: James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz. O renomado cientista James desenvolveu uma pesquisa que voltava ao entendimento dos estágio primordiais da formação do nosso universo, prevendo a existência de uma radiação que demonstra traços da existência do Big Bang. Por outro lado, os dois outros cientistas desenvolveram uma pesquisa que se volta a observação dos astros, sendo responsáveis por identificar o primeiro planeta fora do nosso sistema solar, recebendo o nome de 51 Pegasi B, com uma distância de algumas dezenas de anos-luz. Toda sua pesquisa foi baseada na técnica de Espectroscopia Doppler, método muito eficiente na época para identificar oscilações em corpos luminosos.

O Nobel de Medicina foi para: William G. Kaelin Jr., Peter J. Ratcliffe e Gregg L. Semenza. Seus descobrimentos trouxeram a ciência um passo mais perto para tratar doenças cardiovasculares e o câncer, pois entenderam as relações e os efeitos da quantidade de oxigênio nas células, verificando as consequências metabólicas para os organismos. Uma de suas descobertas foi que as células cancerígenas, quando ativas no corpo, tem como uma de suas características a hipóxia, que relaciona-se com a baixa presença/concentração de oxigênio no local.

Na Literatura quem faturou o prêmio foi a Olga Tokarczuk, uma autora polonesa, e o Peter Handke, um autor austríaco. De acordo com a organização do evento, Olga tokarczuk recebeu o prêmio pois ela tem uma imaginação narrativa que, com paixão enciclopédica, representa um cruzamento de fronteiras com uma forma de vida. Ela, além do prêmio Nobel, tem também prêmios literários como Man Booker Prize, já ganhou duas vezes o prêmio Nike de literatura e agora recebeu seu primeiro prêmio Nobel. 

O austríaco Peter Handke, segundo a organização, ganhou o prêmio por ter um trabalho influente que, com engenhosidade linguística, explorou a periferia e a especificidade da experiência humana. Ele é conhecido por ter uma escrita mais ousada e experimental e já dirigiu e escreveu peças de teatro. Como curiosidade, o Nobel de literatura em 2016 teve um ganhador que não escreveu livros, mas sim, músicas, Bob Dylan foi o primeiro e único músico a ganhar o prêmio. 

O Nobel da Paz, um dos prêmios mais aguardados, foi para o Abiy Ahmed Ali, o primeiro ministro da Etiópia. Ele, após ser eleito, conseguiu acabar com um conflito interno que durava 20 anos, que já teve mais de 80 mil pessoas mortas. O conflito entre a Eritreia e a Etiópia acabou graças ao Abiy. O comitê diz que ele ganhou pelos seus esforços em alcançar a paz e a cooperação internacional e em particular sua iniciativa decisiva para resolver o conflito com a vizinha eritreia.

O prêmio Nobel antes tinha uma visão eurocêntrica, muito antiquada e conservadora na hora de selecionar o que está incluso dentros das áreas selecionadas.  A premiação vem passando por uma renovação nos seus valores, agora eles admiram o mundo todo e estão abrangendo mais dentro das áreas já pré selecionadas. Quem sabe você não é o próximo a ganhar!

O futuro manchado pelo presente

Texto por Enrico Zanetti

Foto: Reprodução

Talvez muitos da minha geração não tenham assistido um filme chamado Sinais, que conta a história de um pastor que havia abandonado a batina após um trágico acidente de sua esposa. Ele passou a não crer, já que toda vida dedicada a Deus não havia servido de nada, face a horrenda morte de sua mulher. Daí em diante se isola em uma fazenda, em uma cidade pacata interiorana, afastado das notícias e do mundo. Mas o mundo estava sendo invadido por seres de outro planeta. A mensagem do filme, em suma, é se existe ou não coincidências, ou o que se vê são sinais? Ou as pessoas só têm sorte ou azar? 

Lembrei do filme quando me deparei com duas notícias, a primeira é que em abril deste ano o Governo Federal deu fim a dois comitês que integravam o Plano Nacional de Contingenciamento por Óleo em Água (PNC), que foi instituído em 2013. Na estrutura do PNC havia dois comitês – O Executivo e o de Suporte, ambos eram compostos pelo Ministério do Meio Ambiente, Ministério de Minas e Energia, Marinha, IBAMA, Agência Nacional de Petróleo, entre outros.

A segunda é que desde o dia 30 de agosto, praias do Nordeste sofrem com o aparecimento de manchas de óleo no seu litoral, mais de 2.000 km de costa nordestina está afetada pela poluição, praias como a do Morro de São Paulo (BA), Jericoacoara (CE), Pipa (RN), Porto de Galinhas (PE) e Maragogi (AL) foram poluídas. Ao menos em 201 praias houve registro de contaminação.

O desastre ambiental já resultou em várias ações no judiciário contra a União, pelo Ministério Público Federal, nos nove Estados nordestinos, que cobram atitudes do Governo Federal e, em especial, que se implemente, imediatamente, o extinto Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas.

Coincidência ou azar, o que se vê, enquanto o governo bate cabeça, tentando achar culpados ou culpado, a sociedade se uniu aos governos locais, de forma corajosa, para tentar eliminar a contaminação nas praias. Mais de 500 toneladas já foram retiradas pelas mãos de voluntários, que são afetados, muitos deles trabalhadores, diretamente, pelo risco ao ecossistema e seus meios de vida, baseados na pesca, no cultivo de ostras e mariscos e, principalmente, no turismo. Mas entidades como “Salve Maracaípe”, que atua no litoral de Pernambuco, e o” Guardiões do Litoral”, no litoral da Bahia, estão se destacando na luta nordestina.

Algumas organizações não-governamentais lançaram campanhas de financiamento coletivo para cobrir custos de alimentação e deslocamento dos voluntários, equipamentos de EPI, como luvas, galochas e máscaras, sacos plásticos, entre outras coisas necessárias neste momento de emergência.

No filme Sinais, vários círculos apareceram no milharal do Pastor, antes da aparição dos ETs, dando verdadeiros sinais que a invasão estava para acontecer, aqui, que o desastre seja um sinal aos governantes que as boas políticas públicas sejam políticas de Estado e não de Governo. Conforme Michel Foucault, “as pessoas sabem aquilo que elas fazem; frequentemente sabem por que fazem o que fazem; mas o que ignoram é o efeito produzido por aquilo que fazem”.

Viva o povo nordestino!

Muito além da festa: a segunda Parada do Orgulho de Santos

Texto por Anita Scaff e Caio Gomes

Foto: Santaportal

No dia 29 de setembro de 2019 aconteceu a 2ª edição da Parada do Orgulho de Santos, no centro da cidade. Todo mundo já ouviu falar sobre elas, mas muitos ainda não sabem da história de como surgiram tais atos e talvez ainda não tiveram a oportunidade de ler relatos de pessoas que estiveram lá, então resolvemos contar nossa experiência nas duas edições.

O evento, embora muitos ainda insistam em denominá-las como “paradas gay”, é referido, na verdade, como Parada do Orgulho, para que possam englobar o maior número de grupos possíveis dentro da comunidade LGBTQ+. Assim, todos podem se sentir representados, bem-vindos e festejados, independente de sua identidade de gênero ou orientação sexual.

Olhando um pouco pra história, a primeira Parada do Orgulho no mundo aconteceu na cidade de Nova York, um ano após a rebelião de Stonewall (que já falamos aqui no FalaJP em junho). Porém, a primeira parada não teve o tom de festa que as paradas ao redor do mundo têm hoje: a prisão e o espancamento de várias pessoas levaram cerca de dois mil manifestantes às ruas da cidade num ato que abriu as portas para que milhões de americanos começassem a fazer pressão pela plena igualdade de direitos civis no país. Com o passar dos anos, a adesão passou a aumentar cada vez mais e, com a conquista de mais e mais direitos, a parada ganhou mais um ar de celebração e festejo, ainda mantendo sua força política.

No Brasil, a primeira Parada do Orgulho aconteceu em 28 de junho de 1997, em São Paulo, reunindo cerca de 2 mil pessoas, com o tema “Somos muitos, estamos em várias profissões”. Atualmente, a parada de São Paulo reúne milhões de LGBTQs e aliados da comunidade no mês do orgulho, a cada ano.

Santos teve sua primeira edição da Parada LGBTQ+ em 2018, nos Arcos do Valongo. O evento consistiu numa roda de conversa e exposição de histórias de luta e batalhas pessoais dentro do processo de aceitação e adesão à comunidade, seguido por uma micareta até a Praça José Bonifácio. Houve o equilíbrio entre posicionamento político e divertimento, o que se repetiu em 2019.

 A segunda edição da Parada, contudo, teve maiores proporções e incluiu estimadamente 6 mil pessoas, o que impediu uma conversa tão intimista e profunda, como ocorreu no evento anterior. No entanto, como tal quantidade de pessoas era esperada, a organização do evento estava bem estruturada e contava com representantes do grupo “Mães Pela Diversidade” e distribuição de kits de preservativos e informativos sobre infecções sexualmente transmissíveis, além de testes gratuitos de HIV. 

Por fim, com uma drag queen liderando o trio elétrico, o evento promoveu uma onda de aceitação e incentivo ao amor, incluindo até pedido de casamento! Com data já marcada para o ano que vem, a Parada LGBT+ de Santos tende a se perpetuar na cidade e conquistar cada vez mais espaço e visibilidade. 

A parada vai muito além da festa e das comemorações de cada um. A emergência cada vez maior de Paradas do Orgulho ao redor do mundo, além das grandes metrópoles, é de grande importância e valor para a comunidade. Com edições como as de Santos, é possível iniciar conversas sobre tópicos que seriam mais delicados de se tocar anteriormente e iniciar uma mudança positiva para muitas vidas LGBTQs.

O embate entre discursos na Assembleia Geral da ONU

Texto por Enrico Zanetti

Foto:  REUTERS / Eduardo Munoz

Em Nova Iorque, aconteceu a 74ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Os 193 Estados-membros da organização participaram das sessões que foram presididas pelo diplomata nigeriano Tijjani Muhammad-Bande.

As questões abordadas nos encontros foram: ação climática, objetivos de desenvolvimento sustentável, financiamento para o desenvolvimento, cobertura universal de saúde e os pequenos Estados Insulares em desenvolvimento.

De acordo com a ONU, as prioridades dos dos temas expostos foram: a paz e segurança, erradicação da pobreza, fome zero, educação de qualidade, ação climática e inclusão. As reuniões também deram ênfase aos direitos humanos e à paridade de gênero.

Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) é um dos seis principais órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU) e o único em que todos os países membros têm representação igualitária, cuja função é fazer recomendações sob a forma de resoluções.

O Brasil é sempre o primeiro a discursar na Assembléia. A ordem é sempre o Brasil em primeiro e Estados Unidos em segundo. Os EUA falam em segundo lugar por serem o anfitrião da Assembleia e o Brasil, em primeiro, em reconhecimento ao papel desempenhado pelo brasileiro Oswaldo Aranha (1894-1960) nos primórdios da Organização das Nações Unidas.

Com estreia de Jair Bolsonaro, que discursou em pouco mais de meia hora, o presidente brasileiro afirmou que a preocupação da comunidade internacional sobre a Amazônia é motivada por “colonialismo”, atacando nominalmente França e Alemanha. “A Organização das Nações Unidas teve papel fundamental na superação do colonialismo e não pode aceitar que essa mentalidade regresse a estas salas e corredores, sob qualquer pretexto. Não podemos esquecer que o mundo necessita ser alimentado. A França e a Alemanha, por exemplo, usam mais de 50% de seus territórios para a agricultura, já o Brasil usa apenas 8% de terras para a produção de alimentos”, afirmou.

Ainda disse que o Brasil “ressurge depois de estar à beira do socialismo”. Ele fez duras críticas a Cuba, em especialmente ao programa Mais Médicos — que levou médicos cubanos para trabalhar no Brasil — e também à Venezuela. Por fim afirmou que “a ideologia” teria se instalado “no terreno da cultura, da educação e da mídia, dominando meios de comunicação, universidades e escolas”. Também teria invadido “lares” para, em suas palavras, “investir contra a célula mater de qualquer sociedade saudável, a família”. “Tentam ainda destruir a inocência de nossas crianças, pervertendo até mesmo sua identidade mais básica e elementar, a biológica, afirmou.

O discurso brasileiro foi mal recebido pela comunidade internacional, principalmente a européia, a exceção ficou com os Estados Unidos que, através de seu presidente Donald Trump, teceu alguns elogios a maneira incisiva do presidente brasileiro. Lembrando que os EUA é o maior emissor de gases estufa, tanto em termos per capita quanto em termos históricos, e Trump recentemente saiu do Acordo de Paris e segue bloqueando proteções ambientais – até mesmo aquelas feitas de forma voluntária por estados como a Califórnia.

Por outro lado, mais de 60 países anunciaram programas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, na Cúpula do Clima, o que poderia ser o ponto alto da assembléia. O anúncio veio junto com críticas da ativista Greta Thunberg, sueca de 16 anos, que discursou na abertura da Cúpula do Clima e dirigiu duras críticas às nações pelo legado ambiental que temos hoje. Ela condenou líderes pelo que chamou de uma “ambição inadequada”, que coloca em risco o futuro dos jovens. “Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias”, disse Thunberg, que responsabilizou os adultos por não fazerem o bastante para proteger o meio ambiente.

Ainda disse – “Isso está errado, eu não deveria estar aqui. Eu deveria estar na escola, do outro lado do oceano”, contestou Thunberg aos líderes de 60 nações. “Vocês ainda se aproximam de nós, jovens, para ter esperança. Como ousam?”, completou.

Para Thunberg, não haverá planos ou soluções para o que foi apresentado durante a Cúpula. Isso, porque, segundo ela, os números são muito desconfortáveis.

Como podemos observar, quando de um lado um presidente, em seu discurso minimiza os problemas ambientais por outro, uma jovem de 16 anos é enfática ao observar que os governantes “não são maduros o suficiente para dizer que estão falhando. Mas os jovens estão começando a entender sua traição. Os olhos das gerações futuras estão virados para vocês. E se vocês decidirem nos ignorar, eu te digo. Nós nunca vamos perdoá-los”, afirmou.

Como diz Gonzaguinha na música “o que é, o que é”:
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças

Conheça a história da ativista sueca que está mudando o mundo

Texto por Maria Theresa Velloso

Foto: AP Photo/David Keyton

O nome da ativista climática sueca, Greta Thunberg,  de apenas 16 anos, vem ficando cada dia mais conhecido. Na última sexta-feira, dia 20 de setembro, com mais de 4 milhões de adeptos à sua greve pelo clima, Greta e sua causa tornaram-se um dos assuntos mais globalmente aclamados, criticados e debatidos. Mas quem é Greta Thunberg? Qual o impacto dela no mundo?

Greta nasceu dia 3 de janeiro de 2003 na Suécia. Aos 8 anos de idade, em sua escola, onde sempre sentava-se quieta (diferentemente de hoje em dia), a garota foi introduzida ao assunto do aquecimento global.

Enquanto todos os seus colegas se preocuparam com o tema durante o filme passado em sala, e depois seguiram com suas vidas normalmente, Greta não conseguiu parar de pensar no que havia assistido. Ficou marcada para sempre pelo pânico e impotência que tomaram conta da criança quando descobriu que seu futuro e seus sonhos corriam o risco de jamais se tornarem realidade. Isso aconteceria simplesmente porque nada era feito em relação ao fim iminente da raça humana e do planeta Terra como o conhecemos.

Três anos depois, aos 11 anos de idade, o assunto persistia em perturbar a cabeça da menina diariamente, dando início a uma depressão que chegou ao ponto da jovem parar de ir à escola. Ela conta que não se sentia motivada, pois não acreditava que existiria um futuro para ela e sua geração.

Tudo fez sentido para pequena sueca ao ser diagnosticada com a Síndrome de Asperger (forma leve de autismo), principalmente sua preocupação além do normal com as mudanças climáticas, uma vez que os portadores têm uma maior tendência a ansiedade e a criar uma obsessão por um tema específico.

Thunberg abraçou seu diagnóstico e diz que a síndrome é seu “super poder”. Nós todos lemos incessantemente sobre guerras, injustiças sociais, animais em extinção, mas muitas vezes nada parece nos sensibilizar o suficiente para fazermos algo além de compartilhar a notícia no Instagram. Ter Asperger fez com que Greta não parasse de pensar na crise climática até prometer a si mesma que iria fazer absolutamente tudo que ela pudesse para salvar o planeta. 

Ao se abrir com os pais sobre sua depressão  e contar que temia pelo seu futuro, a filha conseguiu com que eles começassem uma dieta vegana e que a mãe (famosa cantora de ópera) parasse de viajar de avião frequentemente diminuindo a emissão de carbono da família.

Ver o impacto que teve ao conversar sobre as mudanças climáticas com os pais mudou a perspectiva pela qual a garota via o mundo. Ela sentiu pela primeira vez que poderia fazer a diferença e, então, viu uma luz no fim do túnel. Ela notou que o mundo que julgava estar condenado a um fim inevitável, poderia ter uma salvação: ela mesma.

Greta ganhou uma competição de redação sobre o clima, criado por um jornal sueco. Os vencedores da competição foram convocados para pensar em maneiras de conscientizar a população sobre o aquecimento global. Nessa reunião a ideia de fazer uma greve escolar (skolstrejk) foi vetada, mas não impediu Thunberg de colocá-la em prática, mesmo que sozinha. 

Foi o que ela fez no dia 20 de agosto de 2018 quando acordou as 8 da manhã e, ao invés de ir para a escola, dirigiu-se até o Parlamento Sueco segurando um cartaz com as três palavras que iniciaram um dos maiores movimentos atuais, formado por jovens que se recusam a perder seu futuro para mudanças climáticas. Essas três palavras eram “skolstrejk för klimatet”  que significa “greve escolar pelo clima”.

Foto: Janek SKARZYNSKI

No dia seguinte, ela foi até o Parlamento novamente, mas dessa vez acompanhada de várias outras pessoas que deram início a 21 dias de protesto, que duraram até as eleições suecas.

Sua vontade era que pudesse protestar até alcançar seu objetivo, mas sua mãe não estava disposta a deixar a filha abandonar a escola. Elas entraram em um acordo no qual Greta poderia faltar as aulas de sexta feira. Com isso, a estudante tornou-se a pequena faísca necessária para acender a luz do ativismo climático por todos os cantos do globo. Os protestos de sexta-feira para salvar o mundo se tornaram uma febre mais quente que o planeta e as hashtags #SchoolStrike4Climate e #FridaysForFuture (#GreveEscolarPeloClima e #SextasPeloFuturo) ficaram em evidência.

A ativista climática apenas pede que os países reduzam a emissão de gases de efeito estufa, que são os provenientes da queima combustíveis fósseis, como petróleo e carvão.

Em todos os seus discursos, Greta sempre fala implícita ou explicitamente o quanto é importante que os governos parem de restringirem suas boas ações ao meio ambiente no campo da teoria e comecem a realmente praticar a mudança no mundo. A presença do Asperger faz com que a garota identifique as mentiras com mais facilidade, ela mesma conta. Por isso ela continuará lutando até ver que os países estão verdadeiramente determinados a salvar o planeta.

Também já mostrou sua revolta diversas vezes contando que queria e deveria estar na escola, como uma criança normal. Mas, ao invés disso, precisou ir para as ruas e para o outro lado do oceano porque os governos não estavam cumprindo o seu papel em garantir-lhe o seu direito básico à vida.

Junto de 15 outros jovens ativistas, Thunberg processará cinco signatários do Tratado de Paris: Alemanha, Argentina, Brasil, França e Turquia, que através de emissões descontroladas de CO2 na atmosfera, estão infringindo os direitos das crianças à vida, paz e saúde, garantidos pela Convenção dos Direitos da Infância.

Alvo de crítica dos mal informados, o processo já foi considerado tendencioso ao deixar a China de fora, sendo este o maior emissor de carbono do mundo. O fato é que os dois maiores emissores de dióxido de carbono, China e EUA, infelizmente não podem ser processados, uma vez que o país americano não ratificou a Convenção e o país asiático não faz parte do Tratado de Paris.

Na Cúpula do Clima, 23 de setembro de 2019, em seu discurso conhecido como “How dare you?” (Como vocês se atrevem?) dado na sede da Organização das Nações Unidas, a ativista mostra que por dentro também é uma pequena menina assustada, ao perguntar com a voz trêmula como os governantes se atreviam a trocar o futuro da nova geração por “uma fantasia de eterno crescimento econômico” e deixar os jovens herdarem todos os desastres naturais que serão causados se o aquecimento global não for revertido imediatamente.

Ao longo do discurso deixou sua profunda decepção transparecer em sua voz, mesmo assim a garota fez questão de verbalizar o desapontamento, com a fala “os jovens estão começando a entender sua traição […] e se vocês escolherem falhar com a nossa geração, nunca iremos te perdoar

O maior empecilho é bem explicado pelo famoso cartaz em protestos pelo clima: “vocês vão morrer de velhice, eu vou morrer de mudanças climáticas”. Isso quer dizer que os governos continuarão fazendo negócios e políticas que os favorecem economicamente, mesmo que essas ações destruam o mundo, pois a consequências não serão para a geração deles, mas para a nossa.

Foto: Divulgação

Não pense que o governo é o único culpado nessa história. Ela pede para cada um de nós (inclusive você mesmo, leitor do Falajp) colaboremos para garantir nosso próprio futuro.

Portanto, enquanto ela vai para a ONU discursar, demandar mudanças, resultados, processar países, ser um exemplo para pessoas de todas as idades e julgar Donald Trump com seu olhar…

Foto: Reprodução

… Aqui tem uma breve lista do que você pode fazer para ajudar o planeta a se recuperar:

1- Proteger a natureza
2- Restaurar: A natureza pode ser regenerada, e você pode e deve ajudá-la.
3- Financiar: parar de financiar o que destrói a natureza, e investir o que preserva ela.
4- Votar em que defende a natureza
5- Falar sobre o tema
6- Participar de manifestações

Afinal, o próprio título do livro escrito por Greta já diz: Ninguém é  pequeno demais para fazer a diferença.

Crianças morrem vítimas de balas perdidas, até quando?

Texto por Enrico Zanetti

Foto: Divulgação TVT

No dia 20 de setembro, uma tragédia acometeu o Complexo do Alemão no Rio de Janeiro. A menina Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos, foi atingida nas costas por uma bala perdida e acabou não resistindo aos ferimentos, falecendo na madrugada do dia 21. Ágatha é vista agora como mais um número já que ela é a quinta criança a morrer por conta de violência, em 2019, na cidade do Rio de Janeiro. 

Após o fato, o Rio foi invadido por discursos de indignação e de insatisfação. Protestos contra a morte de Ágatha atingiram o solo carioca, convocados por vários movimentos sociais. Frases como “Parem de nos matar” preenchiam o céu cinza de um dia de luto no Brasil. Várias pessoas, em sinal de protesto, carregavam balões amarelos, uma referência a menina que foi fotografada com um mesmo balão. No Aterro do Flamengo, foram colocadas 57 cruzes e cada uma continha o nome de crianças que foram vítimas de balas perdidas.

A Organização não Governamental (ONG) Rio da Paz, que tem um trabalho de combate a violência por meio da defesa dos direitos humanos, apresenta uma estatística de mortes aterrorizadora no Rio de Janeiro:  2007, foram três; em 2008, duas; 2010, uma; 2011, duas; 2012, duas; 2013, três; 2014, duas; 2015, sete; 2016, 10; 2017, 10 e 2018, 10, e por enquanto em 2019, cinco. Ela que organizou a manifestação das 57 cruzes no Aterro do Flamengo.

Já a ONG Justiça Global, junto com o Movimento de Favelas do Rio, apresentaram à ONU uma denúncia contra o estado brasileiro e o governador do Rio de Janeiro, pela execução de Ágatha. Existem muitas críticas à Política de Segurança Pública carioca, parte delas surgem quando o Chefe do Estado, em suas falas, estabelece uma espécie de “Lei de Talião” como estímulo ao combate ao crime – olho por olho, dente por dente.   

O ano de 2019, além de Ágatha, outras quatro mortes foram geradas por bala perdida. Em fevereiro, Jenifer Cilene Gomez, uma garota de 11 anos, foi atingida por uma troca de tiros na Zona Norte do Rio de Janeiro e morreu antes de de ser socorrida. Kauan Peixoto, de 12 anos, morreu baleado em uma operação policial na comunidade da Chatuba enquanto tentava comprar um lanche. Foi o mesmo destino de Kauan Rozario de 11 anos. Todos com uma história em comum, uma bala perdida que achou uma vítima do Estado.

Ágatha não veio de Temiscira, onde é o lar das Amazonas, ela não tinha um bracelete a prova de fogo e nem o laço da verdade. Ela podia não ser a Mulher Maravilha, mas carregava consigo a inocência de uma criança e sonhava com uma vida melhor, mesmo sendo negra e pobre.

Ela podia não ser a Mulher Maravilha, mas agora ela é uma heroína e que nos tempos futuros escutemos esse nome como o nome de uma lei, de um acordo ou nos livros de história, e lembremos dela. Balas perdidas não trazem perdas apenas para familiares e amigos, mas para nação como um todo, onde perdemos jovens que poderiam construir um futuro melhor.

Foto: Arquivo pessoal

E como diz na música feita por MC’s, ADL, Choice & Negra Li Feat. Djonga & Menor do Chapa, “Favela vive 3”:

“Mais uma mãe revoltada, 
uma pergunta sem resposta. 
Como o policial não viu o uniforme da escola? 
Vinicius é atingido com a mochila nas costas
como vou gritar que a favela vive agora”

Uma referência a morte de Marcos Vinicius, 14 anos, outra vítima de bala perdida na cidade.

Todo herói é um herói

Texto por Ana Badialle e Enrico Zanetti

Em
Foto: Divulgação

No dia 5 de setembro, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, determinou que a história dos quadrinhos “Vingadores: A Cruzada das Crianças”, da Marvel, fosse recolhida da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, realizada no Riocentro. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito disse que a HQ de super-heróis tem “conteúdo sexual para menores”. Tudo isso porque dois dos personagens da saga são namorados e aparecem se beijando em uma das ilustrações do livro.

A ação do Prefeito do Rio de Janeiro fez com que o Ministro dia Toffoli, presidente do STF, se pronunciasse a respeito. “O regime democrático pressupõe um ambiente de livre trânsito de ideias”, explicou. Isso assegurou que o Prefeito não pudesse mais apreender livros que ele julgasse impróprios na Bienal. Na mesma seara o Ministro do mesmo STF, Celso de Mello, já havia enviado um duro recado a Crivella, em nota à jornalista Mônica Bergamo da Folha de S. Paulo. “Sob o signo do retrocesso, cuja inspiração resulta das trevas que dominam o poder do Estado, um novo e sombrio tempo se anuncia, da intolerância, da repressão ao pensamento, da interdição ostensiva ao pluralismo de ideias e do repúdio ao princípio democrático.”

“Vingadores: A cruzada das crianças” é o 66º volume da Coleção Oficial de Graphic Novels da Marvel, lançado no Brasil em 2016 pela editora Salvat, em parceria com a Panini Comics, que republica gibis no chamado “formato de luxo”. A história da HQ citada pelo prefeito do Rio envolve dezenas de heróis da Marvel em novas histórias e contextos. Wiccano e Hulkling, dois personagens da “Jovens Vingadores”, são namorados. Publicada originalmente nos EUA entre 2010 e 2012, a HQ chegou ao Brasil só em 2016 pela Salvat e não é direcionada ao público infantil.

Muitos declararam repúdio à atitude do Prefeito, que explicitamente colabora com a homofobia. “A atitude indica uma perigosa ascensão do clima de censura no país – flagrantemente inconstitucional – e traz a marca de um indesejável sentimento de intolerância discriminatória”, declarou Luiz Schwarcz, CEO e fundador da editora Cia. das Letras. Nesse contexto, o youtuber Felipe Neto, anunciou a distribuição gratuita de 14 mil livros com temática LGBT durante a Bienal.  Entre os títulos foram selecionados livros como Confissões de “Um Garoto Tímido, Nerd e (Ligeiramente) Apaixonado”, de Thalita Rebouças, “Arrase!”, de RuPaul e “O Mau Exemplo de Cameron Post”, de Emily M. Danforth. Todos foram embalados em plástico preto e vinham com o aviso de que o livro era “impróprio para pessoas atrasadas, retrógradas e preconceituosas”.

Para o prefeito, as obras deveriam estar lacradas e identificadas quanto ao seu conteúdo, porém o ato da Prefeitura do Município do Rio de Janeiro discrimina frontalmente pessoas por sua orientação sexual e identidade de gênero, ao determinar o uso de embalagem lacrada somente para obras que tratem do tema do homotransexualismo.

Porém, a aventura do Prefeito de impedir a venda fez muito bem para a Bienal do Livro. A editora Intrínseca viu as vendas de obras LGBT subirem entre 100% e 600%, a depender do título, em relação ao ano anterior. Planeta e Record também registraram aumento de vendas na casa de 70% e o selo Globo Alt, da Editora Globo, teve alta de 20%. O saldo de exemplares vendidos ainda não está disponível, mas os organizadores estimam o total em 4 milhões de livros.

Além de vender mais, o debate despertou na sociedade, ou pelo menos em uma parte significativa, que conceitos arcaicos e retrógrados devem repousar em um lugar que jamais deveria ter existido e nunca mais acordar. 

A literatura LGBTQ+, além de simbolizar resistência diante de manifestações homofóbicas, que é algo grandioso e político, é valiosa para que o próprio público possa ter a possibilidade tão simples e tão  banal para uns de identificação e criação de uma imagem longe de estereótipos, algo tão comum e tão presente nas buscas culturais, especialmente, do público juvenil. Tendo em vista a falta de representatividade presente, e se presente, baseada em estereótipos voltados para o sensacionalismo como divertimento do conservadorismo. 

Esse episódio que pareceu tão similar aos períodos nebulosos já vividos no Brasil, explicita o absurdo do pensamento conservador de boa parte dos líderes políticos, que é além de extremamente retrógrado, egoísta. Não há nenhum mal em possibilitar a uma minoria o sentimento de identificação para a construção de uma cultura afastada da violência. O preço pela falta de informação, cultura e educação sobre a diversidade sexual e de gênero é alto. Livros são fontes e referências. Referências são ideias e ideias não morrem ou sofrem violência, mas a Comunidade LGBTQ+ sim. 

Entenda os possíveis riscos dos cortes na Educação

Texto por Enrico Zanetti

Foto: Maria Eduarda Balbinot

Desde janeiro deste ano, estamos presenciando alguns desmontes de políticas públicas de inclusão. A educação é o setor mais atingido pelos cortes orçamentários do governo, que perdeu R$ 5,84 bilhões, que correspondem a 18,81% dos cortes em todas as outras áreas, conforme um estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC). O corte afeta, tragicamente, as políticas afirmativas, quando atingem financeiramente a política de bolsa-permanência no Ensino Superior e o apoio à infraestrutura no Ensino Básico.

A bolsa-permanência é um auxílio de R$ 300,00 para moradia e outros R$ 400,00 para outras despesas, além de créditos para almoçar no restaurante universitário. O programa, criado em 2003, beneficia a todos aqueles que ingressaram nas Universidades Federais que comprovem a baixa renda, além de indígenas, quilombolas e cotistas.

Já a verba de apoio à infraestrutura da Educação Básica é direcionada para avanço e adaptação das escolas públicas. Conforme divulgado pelo Censo Escolar 2018 do MEC, o cenário de infraestrutura no setor público brasileiro é devastador, apenas 42% das escolas de Ensino Fundamental tem quadra, 68% tem pátio e 11% laboratórios de ciências. Sem contar que 5% de todas as escolas públicas do país ainda não tem banheiro. A situação não é muito diferente nas escolas de Ensino Médio. Especialistas apontam que este corte só agravará os problemas aumentando o cenário de vulnerabilidade socioeconômica do estudante de baixa renda no Brasil.

Dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal apontam que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por exemplo, teve quase R$ 1 bilhão ou 21% de seu orçamento congelado para 2019. O FNDE financia livros didáticos, transporte escolar e auxílio à formação de professores na educação básica.

Nas redes sociais, o debate em torno do desabastecimento financeiro na educação se deu principalmente entre as acusações de que era um corte, enquanto os defensores se opunham alegando simples congelamentos.

Em que pese as torcidas, ao final das contas, independentemente de corte ou congelamento, na prática faltará dinheiro, comprometendo o atendimento nessa área. Essa falta de dinheiro pode acabar comprometendo a educação como um todo e apresenta a possibilidade de desenhar um futuro muito temeroso para a educação no país.

Diante dos cortes a sociedade se mobilizou, estudantes e professores no Brasil foram às ruas protestarem contra a política do Governo Federal. Em 15 de maio, o Presidente da República chamou os manifestantes de “idiotas úteis” e afirmou que a maioria deles eram militantes, desprezando os anseios e preocupações da juventude.

O setor da educação foi o mais afetado, conforme gráfico abaixo disponibilizado pelo G1.

O biólogo Antônio Carlos Marques, professor titular do Instituto de Biociências da USP tem se dedicado a esta preocupação – “O impacto na ciência nacional será gigantesco. A desconstrução do sistema de financiamento da pesquisa nacional, que tem as bolsas de estudo para os estudantes como algo básico, custará ao País a perda de sua autonomia científica e técnica no futuro. Não se trata apenas de criar novos conhecimentos científicos, mas também de capacitar pessoas para transferir e adaptar essas descobertas para o bem da sociedade. Esse desestímulo levará à perda de uma geração de potenciais cientistas, algo irrecuperável para uma nação que quer ser desenvolvida”,

Sobre o assunto o historiador e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Leandro Karnal diz que até as gerações futuras sentirão os efeitos, “Acho que salvar a economia é muito importante, mas nós temos que salvar com os passageiros e não apenas com o barco”. Ele lembra também o que disse Mario Sérgio Cortella de que a “educação está fora por um contingenciamento da Constituição”.

Explica ainda a diferença entre atividades meio e fim. “Educação e saúde são atividades fim do Estado, portanto, não devem ser comprometidas com as políticas de contenção de gastos. Se você comprometer atividade fim do Estado, você está comprometendo toda a próxima geração”, afirma o historiador.

Dessa forma fica uma reflexão sobre como o governo irá atuar futuramente sobre este assunto, se irá piorar ou melhorar, mas atualmente a reflexão que Paulo Freire lecionava acaba sendo uma boa análise, quando ao analisar as políticas públicas de viés totalitário disse que “seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”. Talvez seja esse o plano. 

A importância da proteção contra as ISTs e outras doenças sexuais

Texto por José Vitor Giusti

Arte: Richet

Proteção é uma palavra forte que é pouco utilizada entre os jovens de hoje em dia. Muitas doenças e infecções sexualmente transmissíveis são cada vez mais constantes entre os adolescentes. Uma das causas é pela falta de informações sobre como se proteger. 

O Ministério da Saúde passou a adotar a terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) em substituição à expressão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), pois destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que é uma agência especializada em saúde subordinada pela ONU, o índice de contágio dobrou entre jovens de 15 a 19 anos, passando de 2,8 casos por 100 mil habitantes para 5,8 na última década. Nosso objetivo é apresentar as doenças e infecções sexualmente transmissíveis mais recorrentes entre os adolescentes, como elas ocorrem, os sintomas e como podem ser prevenidas.

Herpes Genital

É causada pelo herpes simples e pode ocorrer nos dois sexos. Seus sintomas são dor, coceira na pele e alguns ferimentos nos primeiros momentos pela formação de úlceras e crostas. A Herpes Genital não tem cura, mas pode ser controlada através de medicamentos. Essa doença pode ser prevenida simplesmente com o uso de preservativos nas relações sexuais.  

Gonorreia

A gonorréia é uma das ISTs “menos graves”, porém uma das mais difíceis de detectar por ter poucos sintomas, algumas vezes até nenhum. Os sintomas são de dor ao urinar e secreção anormal do pênis ou da vagina. Os homens podem sentir dor testicular e as mulheres, dor pélvica. A Gonorreia tem cura e, com o uso de antibióticos, a doença pode ser amenizada em poucas semanas. A prevenção também é o uso de preservativos em relações sexuais. 

Sífilis

É considerada uma doença rara que se desenvolve em estágios. O primeiro sintoma é uma ferida indolor na genitália, no ânus ou na boca. O segundo estágio é caracterizado por irritação na pele. Depois, não haverá mais sintomas até o último estágio, que pode ocorrer só anos mais tarde, causando danos no cérebro, nervos, olhos ou coração. A Sífilis tem cura, é tratada com penicilina e os parceiros sexuais também devem fazer o tratamento. A doença pode ser prevenida com o uso de preservativos em relações sexuais e evitando contato com sangue infectado. 

Clamídia

É uma doença que geralmente afeta mulheres jovens, mas também é possível de ser adquirida por homens em alguns casos. Os sintomas são de dor genital e secreção pela vagina ou pênis. A clamídia tem cura e durante o tratamento é recomendado que o paciente afetado e seus parceiros façam uso de antibióticos.

HPV

O papilomavírus humano, também conhecido como HPV, é a IST mais comum. Algumas pessoas com a infecção acabam não desenvolvendo nenhum sintoma, mas continuam podendo infectar outros indivíduos pelo contato sexual. Os possíveis sintomas são verrugas nos órgãos genitais e na pele circundante. Não há cura para a HPV, mas as verrugas podem desaparecer por conta própria e o tratamento tem como objetivo eliminá-las. Ela pode ser prevenida através de uma vacina para impedir alguns tipos de HPV com maior possibilidade de causar verrugas genitais e câncer cervical.

AIDS

O vírus da AIDS, sendo um dos mais conhecidos e temidos pelos jovens, pode ser transmitido pelo contato com sêmen, sangue ou fluidos vaginais infectados. Os primeiros sintomas depois da infecção do vírus HIV são como os da gripe: febre, dor de garganta e fadiga. Perda de peso, febre ou sudorese noturna, fadiga e infecções também são recorrentes em quem possui a doença. A AIDS não tem cura, mas tem um tratamento de adesão estrita aos regimes antirretrovirais, também conhecido como coquetel, que pode retardar o progresso da doença e prevenir infecções secundárias e complicações. A AIDS pode ser prevenida com o uso de preservativos nas relações sexuais.

Um fator muito curioso entre todas as doenças citadas na matéria é o fato que a principal causa de transmissão das ISTs seja pela falta de uso de preservativos nas relações sexuais. Isso faz com que a vida sexual de tantos jovens seja afetada pela falta de prevenção, por falta de informação e por ainda ser considerado um tabu. Por isso, para que todos os jovens possam ter relações de maneira tranquila, os garotos devem procurar um urologista e as garotas um ginecologista para se informarem sobre sexos seguros e se prevenir para não sofrer com nenhuma IST futura.