Já pensou nunca mais ver uma livraria no Brasil?

Texto por Rafael Amin

Livraria Cultura em São Paulo (Foto: Divulgação)

O Brasil nunca teve cultura de ler, muito menos uma de apreço às livrarias e bibliotecas. Então, em uma lógica puramente capitalista, a atual crise tanto editorial quanto das livrarias faz sentido, afinal, a Amazon e outras super companhias estrangeiras conseguem dar descontos gigantes, ao contrário da Saraiva, Cultura e as outras grandes livrarias brasileiras. Assim, a história se repete e as megastores, que antes acabaram com as pequenas livrarias tradicionais, agora são mais uma vítima do domínio capitalista americano. Nos últimos dez anos, o número de livrarias e papelarias diminuiu mais de 28%, o que por sua vez agrava uma crise editorial, já que menos livros são vendidos e produzidos. Entretanto, as livrarias não deveriam ser vistas apenas como um lugar onde se compra um livro, mas, como disse Borges, como o divino labirinto dos efeitos e causas, da diversidade das criaturas, que formam este singular universo.

É entre as quatro paredes de uma livraria, cercado de livros, tantos que é impossível ler em uma vida, que a finitude humana se depara com a eternidade. Literatura brasileira se encontra com a russa, autores que morreram a mais de trezentos anos, mas deixaram sua marca, conseguem impactar uma pessoa, e assim a cultura humana evolui. É um pouco assustador até, mas de um jeito mágico, perceber o quanto você é um membro da raça humana. O quanto o indivíduo que, ao mesmo tempo que é só mais um no coletivo, tem agência enorme sobre a vida. Estar ao lados de nomes como Shakespeare, Goethe, Machado e Tolstoi, pessoas que de certa forma estão ligadas ao progresso da cultura, mas que ao mesmo tempo eram só pessoas, é um fardo e ao mesmo tempo um lembrete,  um lembrete que você pode mudar alguma coisa, muito provavelmente não impactará tanto o mundo como eles, mas pode ajudar a espalhar cultura.

Outra coisa que se perde com as livrarias eletrônicas é uma espécie de memória afetiva. Até grandes livrarias físicas, que tem um modelo que preza somente vender os produtos, incentivam de certa forma o contato entre pessoas, afinal o funcionário antes de ser um funcionário é um ser humano, que provavelmente gosta muito de literatura. É relativamente mais difícil puxar alguma conversa com uma pessoa na Amazon, a não ser claro que você esteja tão necessitado de contato humano que comece a mandar emails para os funcionários (eles são simpáticos, recomendo). Mas em uma livraria muitas vezes os próprios funcionários puxam assunto, seja por perguntar se você quer alguma ajuda, ver o livro que você está indo comprar e falar um pouco dele, ou até mesmo por comentar de alguma peça de roupa sua.

É muito bom sentar, pegar um livro para folhear, escutar a conversa alheia e tentar entrar nela. Cria outra forma de contato humano para uma atividade que é por natureza solitária. E uma livraria também tem sua história para contar, algumas com mais de 50 anos se tornaram até mesmo ponto turístico de algumas cidades. É até estranho caminhar por São Paulo e perceber que alguns lugares que pareciam marcas da cidade simplesmente fecharam. Mas a crise das grandes livrarias físicas pode ser algo bom, porque assim as pequenas, focadas principalmente em nichos, com funcionários especializados e talvez até um bom cafezinho para tomar enquanto folheia um livro, voltem, e, com isso, novas memórias sejam criadas. 

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Yesterday e o que eu seria sem os Beatles

Texto por Ana Badialle

Foto: Divulgação

Eu fui ao cinema assistir “Bacurau” no último sábado, mas aconteceu um imprevisto e acabei assistindo “Yesterday” meio frustrada. Não que não planejasse assistí-lo, mas eu estava psicologicamente preparada para “Bacurau”. Sabe, no entanto, até que tudo bem, pensei “cinema é cinema” e tudo que eu precisava era a sala escura, o som estridente e uma história que me envolvesse minimamente para fugir da realidade. Eu precisava assistir à pessoas, histórias, ao invés de viver a minha própria, eu precisava do mundo Technicolor e todas as suas virtudes e defeitos. 

Apesar de um pouco contrariada, eu sabia que ia me envolver com a história não importasse como ela fosse apresentada. Sabe, o filme envolve produção de música e “Beatles”, eu sou suspeita para falar disso porque eu amo o mundo artístico e acima de tudo, eu amo Beatles. Diferente de muitas pessoas, minha relação com os Beatles não veio da minha família. Ela veio de um filme que assisti há muito tempo, pois fui buscar sobre a trilha sonora e, curiosamente, a música que eu mais gostei no filme todo era a dos Beatles. Desde então, eu comecei a escutar outras e outras e não parei mais. Comprei CD´s, li uma biografia, cacei os filmes em DVD´s e até hoje assisto “Help” com um sorriso no rosto. Pois é, eu sou suspeita porque os Beatles me anestesiaram desde o começo com seus vocais, as guitarras e a fantasia de todos seus trabalhos. 

Por exatamente essa razão, eu percebi que seria impossível fazer uma crítica ao filme sem me empolgar emocionalmente. Por esse motivo estou aqui contando sobre minha experiência com Yesterday para alguns pacientes leitores desse jornal. Yesterday é um filme que no fim, obviamente, pode possuir vários defeitos de roteiro, arcos talvez estendidos demais ou uma história previsível, mas nada disso importou muito para mim. Isso porque eu notei o sentimentalismo da trama e a forma carinhosa – pode assim se dizer – que a história foi pensada. Esse sentimentalismo mascarado pela contradição da nostalgia com a ideia do novo despertou em mim uma leveza que estava ausente há um tempo. Talvez eu estivesse precisando de uma pitada de fantasia misturada com Beatles e açucarada por uma comédia romântica.

A história em si me lembrou muito uma crônica dessas que a gente lê com café em algum momento do nosso dia, como se você estivesse em uma espécie de brincadeira que te faz pensar: e aí, como seria se os Beatles tivessem desaparecido da memória de todos?. E eu gosto de hipóteses. Jack Malik, o protagonista, é um cantor que dificilmente consegue sucesso no que faz, ele ama música, mas parece não conseguir alcançar a fama. Ele também tem sua empresária que, na verdade, é uma grande amiga, que logo no começo, é claro, nutre sentimentos românticos por ele. Um dia, a ponto de desistir de sua carreira, Jack sofre um acidente no mesmo momento que ocorre um apagão no mundo inteiro, algo como o que seria o bug do milênio. Quando ele acorda, de repente os Beatles não fizeram mais parte da história mundial e, aparentemente, só ele tem noção de quem eles foram. 

É claro que eu não vou contar mais da história, praticamente tudo que falei até agora está no trailer. Num primeiro momento, além do choque, parece óbvio que se fosse você a responsabilidade de trazer para o mundo as músicas icônicas da banda estaria sobre seus ombros. E é claro que com isso pode vir o sucesso incandescente pelas músicas, mas eu logo comecei a pensar e me questionar se eu seria capaz disso. Eu cheguei a conclusão que eu entraria em pânico por talvez não lembrar as notas, as letras… e como são os olhos da Lucy mesmo? O que Desmond fazia antes de conhecer a Molly? Eleanor Rigby espera onde? Pois é, muita responsabilidade para pouca cabeça talvez. 

No entanto, muito além e mais profundo que saber ao certo as ordens das músicas, ou os acordes específicos, eu me perguntei como eu seria nesse mundo sem Beatles. E eu percebi que a resposta está na preocupação que eu coloquei na minha cabeça em conseguir lembrar da sensação de escutá-los, em ouvir a contagem regressiva de “Taxman”, os gritos de “She Loves You”, ou a letra de “A Day In The Life” na voz melancólica do John Lennon. Nisso percebi que conto parte de quem sou – bem narcisista como sempre – a partir do meu reflexo na música, nos filmes e nos poemas que eu gosto. Talvez Beatles faça tão parte de mim quanto meus olhos ou meus pensamentos, talvez nos criemos de acordo com nosso redor, com as músicas que desenham nossos pensamentos e esse processo louco de alteridade narcisista que vivemos. 

Mas tudo bem, as músicas que tanto gostamos e nos empolgamos ouvindo, ou o livro que possuímos tanto carinho, muito provavelmente a arte, em geral, estão aí para podermos nos entender melhor, para que haja um diálogo entre o que é outro, a criação e nós. “Yesterday” é uma história leve carregada de clichês de comédias românticas, mas mesmo assim desencadeou essa reflexão em mim, talvez seja o excesso de Beatles, talvez, o excesso de melancolia, ou talvez eu só precisasse de uma história para poder embarcar nessa confusão de reflexões. Mas, como cantaram os próprios músicos há mais de cinquenta anos, em “Ob la di, ob-la-da”, a vida vai e a vida vem, é, é doido como a vida vai e vem. 

A dialética entre as representações do jovem na cultura

Texto por Ana Badialle e Rafael Amin

Foto: Autor desconhecido

O jovem é um problema relativamente recente na literatura, no cinema e na política. No entanto, apesar da construção da ideia de juventude ter sido feita apenas na segunda metade do século XX, isso não isenta o fato de que a noção desse conceito carrega diversas simbologias que foram estabelecidas ao longo dessas décadas por meio de elementos da cultura. Representações que, essencialmente, foram estabelecidas por meio da dialética entre as representações do jovem na cultura e sua resposta política à essas representações que revela a maneira como o jovem realmente se enxerga na sociedade.

Na literatura, enquanto livros que retratam os anos de formação de um indivíduo datam desde a época de Goethe (início do século XIX), foi somente em “O Apanhador no Campo de Centeio” (J.D Salinger, 1951) que o arquétipo do adolescente ganhou a forma que conhecemos hoje. Rebelde, transviado e alienado, Holden Caulfield – protagonista da obra – conseguiu cativar um grande público na época de seu lançamento. Paralelo à isso, uma representação similar de um jovem rebelde e alienado tornou-se popular entre os jovens da época, o filme “Rebel without a Cause” (Juventude Transviada, 1955), apresenta à cultura de massa estadunidense o novo modelo de jovem, um que viria pela primeira questionar aquilo que havia sido imposto pelos pais, nascidos na geração anterior. 

Por isso, o filme retrata um jovem rebelde que precisa externar, ao contrário do Holden que internaliza seu conflito, impondo-se como alguém rebelde que questiona, de maneira impulsiva, a vida conformista. Tal representação de jovem não surge ao acaso, mas de um diálogo histórico e artístico, bem representado pelo bildungsroman.

Pai do que hoje é conhecido popularmente como coming of age (histórias que tratam sobre amadurecimento psicológico, como “Clube dos cinco” ou “Curtindo a vida adoidado”), o bildungsroman (palavra em alemão que remete a romance de formação) é um gênero que tenta abordar as relações entre jovem e o meio, quanto um modifica o outro e o caminho até a maturidade. 

O livro “Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister” (1796), de Goethe, retratava o mundo como algo mágico. O protagonista não possui voz própria e a madureza consiste em aceitá-lo, literalmente abdicando das pretensões artísticas de um jovem e abraçando a realidade tal como ela é.

Passado vários anos, especificamente em 1924, o escritor alemão Thomas Mann publica sua versão do bildungsroman, como resposta direta ao romance de Goethe. Em “A Montanha Mágica” o protagonista continua sem voz e o meio continuava sendo mais importante do que ele, entretanto, no pós-primeira guerra, o mundo não era algo que poderia simplesmente ser aceito. 

Dessa forma, os anos 1960, trouxeram uma quebra abrupta de convenções conformistas, ao passo que, abriu espaços para novas formas de música e vestuário, criando os primórdios da cultura teen, como conhecemos hoje. O surgimento do Rock and Roll, na metade da década de 1950 – com influência do Blues e do R&B – trouxe diversas influências para os adolescentes da época popularizando nomes como Elvis Presley, Carl Perkins e Chuck Berry. Com a mudança sofrida no comportamento e na maneira consumir música e entretenimento, o rock se transformou em uma válvula de escape, mas também forma de protesto para os jovens que estavam cansados da cultura consumista.

Logo no início da década de 1960, surgiram outros artistas como os Beatles e Rolling Stones, bandas que derivaram da música estabelecida pelo Rockabilly para construir seus próprios conceitos de rock. Com isso, essas bandas alteraram a forma de se produzir música, fazendo sucesso em shows, reinventando a maneira de ser jovem e livre para alterar a visão conservadora da geração anterior. Foi definido um som inconsequente e vibrante até por volta de 1966, quando os jovens e as bandas de rock passaram a acreditar em uma filosofia mais ligada à política como uma resposta aos conflitos da Guerra Fria, como a Guerra do Vietnã e as ditaduras que se instalaram na América Latina. Levando o jovem que antes estava preocupado com aspectos estéticos e musicais à utilizar a arte e a cultura da contestação como uma forma de protesto e engajamento político direto.

Nesse contexto de conflitos surgiu o conceito da contracultura, movimentado por uma das gerações mais conscientes e politicamente engajadas, o sentimento de revolta e impotência gerou jovens que atuavam politicamente por necessidade. Desse jeito, a contracultura proporcionou o Woodstock, um festival de música, baseado nos ideais de três dias de música e paz, o que refletiu de forma artística a negação aos ideais imperialistas estadunidenses presentes nas suas atuações e conflitos. É nesse momento que a arte e a política aparecem fortemente em um aspecto só para aquela geração, dando popularidade à novos estilos e formas de expressão, como o grafite e o fortalecimento da cultura urbana.

No Brasil, a década de 1960 e 1970, em meio ao contexto da ditadura militar (1964), fez a cultura juvenil voltar-se aos elementos nacionais, com atuação, principalmente, da camada dos estudantes.  Eles aderiram a contracultura, recusando-se a envolver aspectos estadunidenses, a fim de criar uma caraterização da arte produzida internamente. Nomes famosos como Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Os Mutantes incorporaram o movimento conhecido como Tropicália. 

Surge então, junto com a chamada geração Y, uma arte popular com forte teor político, só que desta vez a contracultura não se dava por meio de movimentos sociais ou protestos, mas sim por uma forte apatia, rejeição e sátira dos moldes vigentes. Nasce em 1989, por exemplo, os Simpsons, que satirizava de maneira cruel a família tradicional americana, tanto defendida pelas sitcoms dos anos 80. 

Essas obras são frutos de uma sociedade que viu seu grito não levar a muita coisa e, então, escolheram a completa rejeição da realidade. A alienação na época não foi resultado de uma indústria de massas que despolitizou a juventude, mas sim, de um excesso de consciência política, de um realismo visceral que resultou em relativa inércia. Sabendo da corrosão da realidade e que muito provavelmente ela não poderia ser transformada, o jovem viu como única saída escapar, nisso surgem movimentos como o punk, grunge e o clubber, além da popularização e globalização da cultura pop.

O punk talvez seja a representação máxima da rebeldia jovem nos anos 70. Irreverente até mesmo com o seu pilar, o rock clássico, o movimento e, posteriormente a tribo urbana, tinha como lema “faça você mesmo”. Sem pensar muito em estética musical, com um discurso anarquista que ia contra o moralismo da época, o punk foi um enorme grito em favor da individualidade jovem, da diversão e rebeldia, focando novamente no indivíduo e menos no coletivo, mas ainda satirizava o último.

Entretanto a acidez política presente em grande parte da música de 70-80 foi perdendo espaço para uma visão individual e hedonista. Os clubes e a música eletrônica na década de noventa deram origem a cultura de discotecas, com sua estética extravagante marcada por cores vivas e alucinógenas, que tirava o teor político das músicas em troca de torná-las mais dançantes. 

Nisso há uma representação do jovem fortemente estereotipada, de alguém que não se envolvia tanto com o choque de gerações ou embates políticos. Uma retomada muito forte de comédias românticas, como “As Patricinhas de Beverly Hills”, com uma representação caricata e alienada dos jovens na escola, sintetizando seu papel à conflitos banais dentro da estética noventista, tornando-se um filme que explora clichês já conhecidos para aprofundar o universo adolescente. Isso influencia diversos outros filmes do gênero que viriam seguinte como “Meninas Malvadas”, entre outras comédias românticas que retratam o escapismo do mundo adolescente. 

No entanto, o jovem, atualmente, tem deixado essa fase despolitizada de lado, e se importando cada vez mais com problemas sociais, ambientais e individuais. Com adultos literalmente destruindo quaisquer esperanças para o amanhã, propagando preconceitos, violência e destruindo a próprio ambiente ao seu redor, os jovens novamente precisam pegar para si a responsabilidade de transformar as relações presentes no mundo e a necessidade de escapar da realidade deturpada por excessivas preocupações. Os adolescentes trazem o conflito interno em oposição com o caos externo e criam, uma série de questões para si, além de repensar fortemente questões de identidade e representatividade. 

A arte se adaptou a essa nova conscientização e, gêneros que estavam estagnados, como a comédia romântica adolescentes, ganharam um novo fôlego e público ao incluir questões de gênero e classe. Como por exemplo, o filme/livro “Love, Simon” (Com Amor, Simon), lançado em 2018, que conta a história de um adolescente que questiona a relação que as pessoas em seu entorno possuem com sua sexualidade, trazendo um perfil voltado para o questionamento de padrões sexuais e de gênero ainda impostos ao jovem.

Com uma rebeldia necessária e sútil, a geração atual, chamada de Geração Z, retrata como nunca a auto descoberta e aceitação, desenhando um jovem voltado para questões internas, políticas e transformadoras. A juventude atual sofre com a alienação da década de 80, carrega para si ansiedades e tribulações, mas ao mesmo tempo tem uma atitude reformista engajada como a década de 60.

Área 51: segredos obscuros do governo dos EUA ou invenções da sociedade?

Texto por Melissa Alfinito

Foto: Divulgação

Eu aposto que você, em alguma rede social ou durante uma bate papo muito louco sobre extraterrestres, já ouviu falar sobre a misteriosa área 51! Mas, o que é esse lugar e o que tem lá dentro?

A área 51 se encontra no Deserto de Nevada, nos Estados Unidos, próxima à base Nellis, uma instalação oficial da Força Aérea americana. Ela foi criada em 1955, pela CIA, no auge da Guerra Fria e recebeu esse nome aleatoriamente porque o espaço total de testes era dividido em quadrantes. Um número aleatório mesmo para que não houvesse nenhum padrão, por questões de segurança e privacidade.

É considerada a base militar mais secreta dos Estados Unidos e até que faz bastante sentido, pois sua criação está relacionada às diversas competições entre os EUA e a antiga União Soviética na época, então escondê-la e mantê-la o mais longe possível da população era essencial. Por isso, a área 51 está em uma região desértica, perfeita para servir de pista de pouso e as redondezas inabitadas e inóspitas colaboram para manter tudo no sigilo, já que a cidade mais próxima, Rachel (com menos de 100 habitantes), fica a 40 quilômetros.

Não é possível sobrevoar o local, muito menos entrar lá e, apesar de não ter uma forte segurança como muros altos ou grades com muita proteção, há inúmeras câmeras e placas de segurança que relembram o risco de prisão por invasão de propriedade.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Para contextualizar mais um pouco, no início, a área 51 foi usada como um centro de testes de um avião chamado U-2, que foi desenvolvido com o objetivo de voar alto o suficiente para espionar com facilidade a região da União Soviética. Foi aí que muitas especulações começaram, porque pilotos de companhias comerciais relataram ver objetos voadores estranhos no céu e, como o projeto não tinha sido revelado e nunca havia sido criado um avião com tamanha capacidade de voo, suspeitava-se ser naves alienígenas.

Os anos se passaram e teorias da conspiração movimentam as redes sociais instigando a curiosidade de pessoas desesperadas para descobrir o que a área 51, tão restrita, esconde do mundo. A curiosidade é tanta que, esse ano, em julho, foi criado um evento no Facebook para invadir o local e mais de 1 milhão de usuários da rede marcaram presença. Mas, no início de agosto, repentinamente, o evento desapareceu da plataforma com a justificativa de que violava suas diretrizes, o que levantou suspeitas sobre possíveis agentes do governo por trás da remoção, fortificando as teorias dos internautas de que há, de fato, segredos “obscuros” guardados na área 51. Talvez ainda mais curiosos, quem concordou pela primeira vez com a invasão, junto com o criador do grupo, continuam planejando botá-la em prática.

Por falar em teoria, tem gente que brinca que famosos como Michael Jackson ou até Elvis Presley estão escondidos (e vivos!) no local. Porém, por mais que esse exemplo não passe de uma brincadeira para muitos, há pessoas que botam fé nas seguintes teorias:

  • a ida do homem à Lua pela primeira vez, na verdade, teria sido filmada dentro da área 51 que, por ter uma paisagem desértica, imitaria com precisão as características do satélite, além de ser uma saída muito mais rápida para vencer a URSS na corrida espacial.
  • acredita-se que, em 1947, um OVNI caiu em Roswell, uma cidade próxima à base secreta, e seus destroços foram levados para os laboratórios de lá para serem estudados pelos americanos que tinham interesse em copiar suas técnicas aeronáuticas. Além disso, muitos dizem que alienígenas foram encontrados no local da queda e também foram levados para estudos.

De qualquer forma, a CIA não nega e nem comprova nenhuma atividade feita dentro do local, aumentando a curiosidade do mundo todo que cada vez mais tenta achar respostas para esse mistério. Será que é apenas uma base militar com a função de simplesmente desenvolver armamento longe dos olhos das outras nações? Será que toda a curiosidade é instigada de propósito pelo governo dos Estados Unidos? Ou será que existem mesmo extraterrestres na área 51? 

E aí, no que você acredita?

Somos todos lobos das estepes

Texto por Rafael Amin

Foto: Juliane Orosco

É importante avisar que, se tenho algum objetivo com este texto ele não é te convencer a ler “o Lobo da estepe”, entretanto a melhor coisa que essa publicação pode fazer é te incentivar a ler a obra. De maneira alguma conseguirei abordar todos os temas do romance, nem comentar a genialidade de sua escrita, que chegou a ser comparada por Thomas Mann ( Nobel de literatura, autor de “Morte em Veneza”, “A Montanha Mágica”) à Ulysses de James Joyce (e se isso te deixou animado você deve ser uma pessoa fantástica, por favor veja falar comigo), mas gostaria de comentar um pouco sobre minha experiência pessoal com a obra.

Agora, começando propriamente o texto, proponho um pequeno exercício de memória. Consegue se lembrar da última vez em que dançou em público? E sozinho? A forma como você dançou nas duas ocasiões foi a mesma? Particularmente não sou muito de dançar, ou era isso que achava até um dia me encontrar, sozinho, dançando. Naquele momento me sentia livre e feliz, entretanto tal sentimento bom logo foi perdendo espaço para ansiedade, já que entendi que só dancei, portanto só estava livre, por estar sozinho.

Foi pouco tempo após o mencionado acima que li “o Lobo da estepe”, romance do vencedor do nobel de literatura Hermann Hesse, e me surpreendi na forma como ele abordou a relação entre indivíduo e outro. O protagonista, Harry Haller, é um homem que não consegue achar contentamento com sua própria vida, já que sua vontade (que o romance chama de lobo da estepe) seria constantemente reprimida por ele mesmo. Pode se dizer que a personagem representa, de forma exagerada, todos aqueles que querem fazer algo mas por fatores sociais e (principalmente) individuais não fazem.

A boa notícia é que a obra não é uma tragédia, pelo contrário, o próprio autor chegou a falar que “a história do lobo da estepe, por mais que retrate enfermidade e crise, não conduz à morte, mas, ao contrário, à redenção”. É interessante analisar como o protagonista consegue achar essa sua “redenção”, já que isso pode ajudar todos os outros que não se sentem livres com outros a terem uma existência um pouco mais confortável, e para fazermos isso temos que falar de Freud.

O livro de Hesse foi um dos primeiros romances a juntar as, na época recentes, teorias de Sigmund Freud sobre a formação da personagem humana com arte. Segundo o psicanalista a psique seria formada por três aspectos: o Id, formado pelas pulsões e desejos inconscientes, que funciona segundo o princípio do prazer, no livro representado pelo lobo; o ego, formado após o id, conhecido também como princípio da realidade, responsável por retardar as pulsões até o momento em que seja viável atendê-las com o máximo de prazer e mínimo de desprazer; E o superego, aspecto moral do indivíduo, ideal e juiz do ego, responsável por punir toda a pulsão contrária às suas regras, no romance representado pelo homem. A aflição de Haller vem dele não ter esses três aspectos bem definidos. Seu ego é basicamente inexistente e seu superego na maioria das vezes sai vencedor sobre seu id. Pode se pensar então que, para o personagem atingir sua felicidade, o lobo deveria simplesmente domar o homem, que Harry deveria atender todas as suas pulsões, mas essa linha de pensamento ignora um dos aspectos mais importantes da vida em sociedade: o outro.

No clímax da obra, Haller entra em um lugar chamado de teatro mágico (que inspirou um grupo de teatro brasileiro incrível), onde a entrada custa a razão (superego). Uma das interpretações mais aceitas sobre o local diz que ele seria um mecanismo de defesa da mente do protagonista, um lugar que ele mesmo criou para escapar da realidade (no estilo do clube da luta ou do mundo mágico da Alice) e que todas as personagens que lá aparecem seriam a imagem que ele tem de seus conhecidos, ou seja, nele Haller estaria sozinho. Nessa realidade, livre de outros, temos a catarse emocional do livro, o lobo finalmente domina o homem e todos os desejos reprimidos são soltos, mas mesmo assim o protagonista não consegue achar sua felicidade.

Para entendermos o porquê disso é interessante analisar uma metáfora que o filósofo Arthur Schopenhauer, com seu característico pessimismo, propôs em “Parerga and Paralipomena”, e que posteriormente o próprio Freud tomou uso, conhecida como dilema do porco espinho. Nela Schopenhauer compara a relação entre o indivíduo e o outro como porcos espinhos, ou ouriços, no frio, os animais precisam ficar juntos para compartilhar calor, mas ao fazerem isso eles se espetam. O teatro mágico funciona com os ouriços longe um dos outros, realmente não há os espinhos que machucam, mas mesmo assim eles sofrem com outro fator.

Gostaria que fosse possível achar contentamento sozinho, mas o homem, como “animal político”, simplesmente tem a necessidade de compartilhar ideias e sensações com outros. Lembro que, quando terminei o livro, senti uma enorme urgência de falar dele com alguém, até pedi para a Fernanda, responsável pela biblioteca, rastrear quem já o havia retirado e, para minha tristeza, só apareceu meu nome na lista. Felizmente o Elefee, professor de história, já o tinha lido, então consegui conversar com ele. Lembro de ter saído muito contente e animado depois daquela conversa, o que contrasta com a, também real, felicidade que senti quando estava dançando sozinho. Mas então, o contentamento vem de outros ou de nós mesmos?

As cercas de cinquenta páginas que se passam no teatro mágico são marcadas por um forte estranhamento tanto de Haller quando do leitor. Parece que o livro tem um viés negativo sobre o local, em um momento até o compara a suicídio, mas mesmo assim ele acaba com Harry ansioso para voltar para lá. Esse contraste é a forma que Hesse achou para pedir para os leitores não ficarem no preto ou no branco, para não verem as coisas somente em extremos, para tentarem achar o contentamento no equilíbrio. E a pergunta lógica a se fazer depois disso é: como?

Queria muito te responder, de verdade, já que isso significaria que tenho a resposta, mas essa é uma daquelas questões onde simplesmente não há solução definitiva e absoluta. Freud dizia que conseguir esse equilíbrio, fortalecer o ego, era o objetivo de toda a psicanálise. Schopenhauer conclui sua metáfora dizendo que de tanta tentativa e erro os ouriços conseguem achar a distância ideal, ou seja, o equilíbrio se consegue com vivência. Já Hesse finaliza seu livro dizendo que a chave é o riso.

Rir nesse caso é algo interno, é não se preocupar tanto com as (possíveis) consequências nem com nossa imagem e simplesmente viver. Esse problema de pensar demais, de não saber rir, é conhecido na literatura como excesso de consciência. É muito fácil o observar em basicamente todo personagem de Dostoievski, principalmente no homem do subsolo, e no Holden Caulfield (melhor personagem de toda a literatura, reflexo do meu ego), protagonista de O Apanhador no Campo de Centeio, romance de J.D Salinger. Esses dois personagens geralmente geram raiva nos leitores, raiva essa que se origina da empatia. É impossível não sentir o mínimo de vontade de conversar com eles, de falar que eles estão se preocupando demais e que ninguém os julga tanto.

Entretanto tal problema não existe apenas enquanto ficção. Por experiência própria sei o quanto pensar demais pode nos limitar. Já deixei de tirar dúvidas com professores pós aula só de medo deles me acharem muito chato, ou não tentei criar amizade com os alunos do 3° por saber que ano que vem eles não estarão mais aqui. O próprio processo de escrita deste texto está me deixando ansioso, não quero que você leitor que não me conhece me considere uma pessoa pretensiosa e pedante. Sei que isso é se preocupar demais, que deveria não me importar tanto com o final das coisas e simplesmente viver, afinal já dizia Camus que “a própria luta em direção aos cimos é suficiente para preencher o coração humano”. Mas na prática as coisas são mais difíceis, não dá para simplesmente não pensar, relevar as coisas, por isso a importância de aprender, o quanto antes, a rir. Talvez só assim, só mudando nossas perspectivas e não levando tudo tão a sério, que consigamos um dia achar o equilíbrio entre lobo e homem.

Curte Netflix? Aproveite a plataforma para ampliar seus conhecimentos

Texto por Noah Mendes

Capa Oficial do show Patriot Act disponível no Netflix (Foto: Divulgação)

Se você está procurando um jeito de se divertir e, ao mesmo tempo, adquirir conhecimentos que podem te ajudar durante o ensino médio e vestibular, você veio para o lugar certo! A série original do Netflix, “Patriot Act”, apresentada pelo indiano Hasan Minaj, aborda diversos tópicos atuais como a corrupção brasileira, petróleo, questões do Oriente Médio e até mesmo a marca Supreme. A série, que já está em sua terceira temporada, além de falar sobre esses assuntos, apresentando seus fatos, descontrai com piadas relacionadas ao tema.

(Gif retirado do Episódio Petróleo disponível no Netflix)

Diversos dos assuntos abordados podem te ajudar a entender mais sobre geografia, como episódios que falam sobre as guerras no Oriente Médio ou petróleo (o que fará diferença nas aulas de Fontes e Matrizes). Acima de tudo, o conjunto será útil na hora de escrever redações e apresentar bons argumentos. Temos o recente episódio sobre o Brasil que fala sobre a corrupção e a Amazônia (contém até entrevista com uma indígena que está lutando para que eles tenham mais direitos).

Capa do Episódio Brazil, Corrupção e Amazônia disponível no Netflix (Foto: Divulgação)

Outro exemplo, é o episódio do Volume 1 que explica a moderação de conteúdo e liberdade de expressão. Ele explica o caso do Facebook, onde estava sendo julgado se a rede social deveria censurar seus usuários ou se isso seria contra o direito de liberdade de expressão, e o porque será difícil com que tenhamos leis justas da internet. Além de tudo isso, você ainda consegue melhorar seu vocabulário em inglês. A Silvia agradece.

Músicas internacionais que foram traduzidas para o português

Texto por Beatriz Cantoni, Gabriela Vitta e Bernardo Louzada

Foto: Divulgação

Todo mundo conhece a fama do brasileiro de sempre adaptar coisas que já existem para outras BEEEEEM mais criativas. Então, a gente juntou aqui umas músicas muito famosas ( e até cômicas) e outras menos conhecidas para você se chocar também com a engenhosidade brasileira.

JUNTOS – Paula Fernandes e Luan Santana  
(Shallow – Lady Gaga e Bradley Cooper)

Okay, todo mundo sabe o ~pequenino estrago~ que a Paula Fernandes e o Luan Santana fizeram com a música do filme “Nasce uma estrela”, da Lady Gaga. Ela ganhou um Oscar, gente, quem em santa consciência decide mexer numa música perfeitas dessas?!

Porém, a própria Lady Gaga aprovou as modificações feitas em Shallow e deixou que a Paula gravasse a versão em português. A cantora brasileira declarou no seu Instagram “Quando ouvi Shallow pela primeira vez, ela já mexeu comigo de imediato. Quis aprender a tocar e a cantar. Será uma grande responsabilidade trazer Shallow para a nossa língua, para a nossa história. Nada será igual à obra original, que é simplesmente da maior de todas, Lady Gaga!”

O mais interessante da declaração foi “nada será igual à obra original” e ela está coberta de razão: não tem NADA a ver com a música original, só a melodia mesmo. Ela ainda afirmou também que Gaga aprovou toda a letra, sem mudar uma vírgula. “Isso não tem preço, estou até emocionada. É um desses momentos que guardarei para sempre com muito carinho”, contou. Alguém, por favor, avisa a Lady Gaga que “juntos e shallow now“ significa “juntos e raso agora” e que isso faz um total de zero sentido?

EU SOU STEFHANY – Stefhany Absoluta
(A thousand miles – Vanessa Carlton)

Acredito que a maioria da pessoas já viu o clipe SENSACIONAL de “Eu sou Stefhany”, pela compositora contemporânea Stefhany Absoluta e, quem não viu ainda, apenas nunca viveu de verdade. O único defeito dessa obra é que ela acaba, porque a música é muito engraçada. Tipo, MUITO MESMO. Ela é uma adaptação da icônica música A thousand miles, de Vanessa Carlton, que ficou famosa pela interpretação do ator Terry Crews no filme “As Branquelas”.

Confere aí um trechinho dela:
“Agora vou te mostrar
Que não sou mulher
Não sou mulher
De esperar.
Eu sou linda
Absoluta
Eu sou Stefhany”

Vamos combinar que, além de ser uma música muito bem estruturada, ainda remete a importância do amor próprio e autoestima, sem se submeter às exigências alheias né ( rs).  Perfeita.

FAMOSA – Cláudia Leitte
(Billionaire – Travie McCoy feat. Bruno Mars)

Primeiramente, acho que é um consenso brasileiro que, não importa se você é fã ou não da Cláudia Leitte, essa mulher tem talento nato pra pagar mico. Já é conhecido que ela é uma pessoa que gosta de estar na mídia e se mostrar presente na cultura brasileira. Sendo assim, não podia faltar essa sensação na nossa listinha. Em 2010, Claudia Leitte lançou a tradução da música Billionaire, do Bruno Mars. A maior parte da música é composta por um rap do Travie Mccoy, então a parte que a Claudinha canta é só o refrão. Mas mesmo não tendo a maior parte da música, já foi o suficiente pra marcar o coração de muita gente (rs). A tradução não é exatamente fiel a canção original, mas ela mantém o mesmo sentido e melodia.

O BAILE TODO – Bonde do Tigrão
(Who let the dogs out – Baha Men)

É MUITO provável que essa seja uma das poucas músicas que váaaaaarios brasileiros nem devem conhecer a original e que amam de paixão a traduzida. O Bonde do Tigrão  foi um grupo brasileiro de new funk que marcou uma geração inteira com várias composições famosas, como a “Cerol na Mão” e “Um Tapinha Não Dói”. O mais legal do grupo é que, não importa a sua idade, você conhece pelo menos umas duas músicas deles.

Quanto a fidelidade da tradução da música original, não é uma tradução muito fiel, mas nenhuma das duas músicas tem uma composição muito profunda. Ambas apresentam uma letra mais superficial, o que nos leva a perceber que o foco da música não é o que ela diz e, sim, a sua melodia e como ela te faz sentir e agir ao ouvi-la.

SE NÃO VALORIZAR – Aviões do Forró
(Umbrella – Rihanna)

Aviões do Forró foi uma banda brasileira de forró eletrônico e ficou muito conhecida como um dos maiores fenômenos do gênero na atualidade. Hoje em dia eles não estão mais juntos, até porque Solange Almeida, ex-vocalista do grupo, declarou no Faustão que sua saída foi muito conturbado e ela tem um processo aberto contra a banda. “O Aviões do Forró ia acabar e, de uma hora para a outra, eles simplesmente me tiraram e continuaram a banda sem mim. Eu simplesmente me calei, fiquei ali caladinha, aguentei tudo dizendo que tinha saído porque queria e tal… mas enfim, passou… Graças a Deus estou aqui, estou viva, estou bem e estou feliz”, desabafou.

Enfim, continuaaaando, todo mundo sabe que vários artistas do forró tendem a dar aquela leve traduzida nas músicas internacionais e trazer músicas incríveis, como Se Não Valorizar, que foi traduzida de Umbrella, da PERFEITA e SEM DEFEITOS Rihanna. A música traduzida fala sobre amor como a original, mas a linha de raciocínio é TOTALMENTE diferente. Tipo, se “Se Não Valorizar” estivesse outro ritmo, não ia dar pra saber que a música foi traduzida. Mas como tem a melodia de Umbrella, a música é bem gostosinha de ouvir.

SE EU FOSSE UM GAROTO – Simone e Simaria
(If I were a boy – Beyoncé)

Só de ler o título da música eu já começo a rir, parece muito aquelas traduções da globo, tipo “Pequenas Mentirosas” ou “Lições de um Crime”. As coleguinhas mais amadas do Brasil também já fizeram uma tradução e, é óbvio que a dupla sertaneja mais incrível tinha que escolher a música da mais linda maravilhosa perfeita mulher da indústria da música: If I Were a Boy, da Beyoncé. Essa tradução é tão antiga que foi lançada não pela Simone e Simaria e, sim, pelo Forró do Muído, um grupo de forró eletrônico composto pelas irmãs antigamente. A tradução é umas das mais fiéis da lista, ela segue bem o significado e sentido  que a original quis passar ao público. Vamos combinar que a Simone e a Simaria são ótimas cantoras, então não tem como a música ser “ruim”, até porque ela tem o combo boa melodia+letra com um significado.

OPEN BAR // AMANTE – Pabllo Vittar
(Lean On – Major Lazer e Dj Snake // Burn – Ellie Goulding)

Pabllo Vittar está entre os maiores nomes da indústria da música brasileira e uma das mais conhecidas Drag Queens do mundo. Foi em 2015 que a cantora atingiu o Brasil com o seu Ep MUITO bem sucedido, “Open Bar”, versão brasileira de Lean On. A música foi um grande sucesso no carnaval de 2015 e marcou o início da carreira da Pabllo. A adaptação, como várias outras músicas dessa lista, segue o padrão melodia igual e letra diferente. A canção traduzida não tem muito a ver com original, assim como outro sucesso da cantora, “Amante”. Essa foi uma adaptação de “Burn“, da Ellie Goulding, lançada dentro do álbum “Open Bar”, em 2015, e como a anterior, apresenta uma letra que não condiz com a original. Mas mesmo assim, isso não impediu ninguém de se jogar no carnaval com os hits da cantora.

DANÇA KUDURO // FESTA NO APÊ // DESPEDIDA DE SOLTEIRO – Latino
(Danza Kuduro – Don Omar // Dragostea din tei – O-Zone // Gangnam Style – Psy)

Latino…o que dizer desse cantor com ALTÍSSIMA fama de plagiar músicas? Não é muito difícil encontrar pessoas comentando em sites ou redes sociais que o cantor Latino é um verdadeiro plagiador do mundo da música. Porém, não é confirmado que ele realmente copiou várias de suas canções “originais”. Acho importante deixar claro a diferença entre o Latino e os outros cantores dessa lista: diferentemente dele, os outros cantores tem na biografia da música traduzida a menção da original, para deixar “claro” que não é uma canção original. Já o Latino deixa no ar que as traduções dele não são traduções e, sim, canções originais. Comparando então as músicas dele com as supostas originais, da pra ver que é OBVIAMENTE uma tradução, mas como ele mesmo não admite e não dá os créditos aos autores originais, é plágio né galera?!

Enfim, Latino é mais um cantor que marcou a festa de muita gente, principalmente dos nossos pais, então a maioria das suas músicas viraram hit e se escuta elas por aí até hoje.

DIZ PRA MIM – Gusttavo Lima
(Just give me a reason – P!nk)

Ah, para mim essa tradução é muito fofinha kkkkkk. O Gusttavo Lima é cantor desde novinho, com 9 anos de idade ele já estava num trio musical com seus irmãos. Então, em 2010, ele se inseriu de vez no mundo na música como um dos “hitmakers” do sertanejo brasileiro, lançando músicas como “Balada”. Assim, em 2014, ele lança “Diz Pra Mim”, música traduzida da original “Just Give Me a Reason“, da linda maravilhosa, que estará no Rock in Rio 2019, P!nk. A música traduzida é bem fiel à original, levando em conta que é bem difícil traduzir literalmente a composição inicial por conta do jogo de palavras, rimas e melodia. A música traduzida fez bastante sucesso com mais de 105 milhões de acessos no Youtube e até hoje ocupa lugar nas músicas mais conhecidas do cantor.