Londres muito além da ciência

Texto por Carolina Sousa

Grupo de alunos do Jean Piaget (Foto: Arquivo pessoal)

Todos os alunos do Jean Piaget já estão familiarizados com o PIC – Projeto de Iniciação Científica, que é obrigatório nos dois primeiros anos do Ensino Médio e é visto por muito gente como um fardo. Porém, o que poucos sabem é o quão longe você poderá ir baseado em um trabalho bem realizado e resultado de muito esforço.

As formas de reconhecimento são várias, desde a premiação da banca avaliadora do Colégio, até a participação em feiras científicas desvinculadas à escola, que é o caso da London International Youth Science Forum (LIYSF), onde centenas de estudantes de mais de 70 países se reúnem para apresentarem seus trabalhos, assistirem palestras e outras programações em Londres, na Inglaterra.

Em 2019, eu e mais cinco alunos do 3º ano do Ensino Médio fomos convidados para participar do Fórum em Londres, são eles: Elisa Amaral, Gabriela Craveiro, João Bassetto, Raissa Nogueira e Thomas Conway. Nós apresentamos nossos trabalhos, assistimos diversas palestras e realizamos visitas de campo e atividades em grupo inesquecíveis.

Foto: Arquivo pessoal

O evento acontece durante duas semanas com atividades em diversos locais, mas sobrando sempre um tempinho para explorar Londres, fazer novos amigos e conhecer culturas novas. O intercâmbio de experiências e conhecimentos entre jovens em nossa idade acontece desde conversas no dia a dia, a comentários em palestras e debates, nos quais seus pontos de vista são expostos. No show das “Tradições de Casa”, realizado no último dia, isso ficou ainda mais evidente, uma vez que as várias nações dividem-se para apresentar para os outros participantes danças, músicas e até doces típicos de seus países. 

Apresentação dos brasileiros na noite de culturas (Foto: Arquivo pessoal)

Além de tudo que aprendi nas palestras de especialistas e debates, algo que sempre vou levar pra vida são as amizades que fizemos lá. Tivemos a sorte de conhecer pessoas fantásticas e muito interessantes, especialmente o pessoal da Espanha, Chipre, uma menina de Londres mesmo e uma da Bélgica. Aprendi muito com todos, gírias em inglês britânico, treinei meu espanhol e até aprendi a falar um pouco de grego. Também vivemos coisas que nunca imaginamos que viveríamos, participamos de um caça palavras/caça ao tesouro pelas ruas de Londres, pintei meu cabelo de azul com duas amigas minhas (Tash e Ioanna), jogamos muiiito pebolim, dançamos “malha funk” na frente de todos os participantes e staff, andamos de metrô sem nos perder nos icônicos ônibus vermelhos e até usei selos de carta britânicos! A saudade dos amigos já está batendo e estamos até planejando o reencontro.

Brasileiros, espanhóis, argentinos e ingleses após a noite de culturas
(Foto: Arquivo pessoal)

“Com certeza uma das melhores experiências da minha vida! Além dos amigos, dos passeios e tudo mais, uma das coisas mais interessantes é o compartilhamento de tantas culturas e interesses diferentes. Cada conversa era uma coisa nova que eu aprendia de lugares que eu nunca imaginei saber.” – Thomas Conway.

Foto: Arquivo pessoal

“Tudo dessa viagem será inesquecível! Cada momento de estudos em grupo e de palestras, pude praticar o inglês e aprender novos tópicos das áreas que gosto. Teve até mesmo uma palestra sobre plásticos, o que tinha tudo a ver com meu trabalho. A experiência de conversar com pessoas de diversos países e aprender mais sobre a cultura delas foi surreal. Nunca pensei que faria amizade com alguém da Tailândia!! Também conheci muitos brasileiros que eram o alto astral da viagem, mostrando que o melhor do Brasil é o brasileiro hahaha.” – Raissa Nogueira.

Nosso Grupo no Hyde Park (Foto: Arquivo pessoal)

“Com certeza uma das melhores experiências da minha vida. Estar rodeada por pessoas de culturas totalmente diferentes e, mais do que isso, poder apresentar a minha a elas. É simplesmente incrível, sem preço.” – Gabriela Craveiro. 

Partida de baralho com estudantes do Brasil, Turquia, Itália, Taiwan e Estados Unidos
(Foto: Arquivo pessoal)

“As duas semanas que eu passei no LIYSF foram as melhores da minha vida. Tudo que eu vi e conheci lá era incrível, e ter feito isso ao lado de gente muito legal tornou tudo melhor ainda. Conversei com gente de todos os cantos do mundo e aprendi mais sobre a cultura deles. Foi demais! E o mais divertido é ver que, apesar de tantas diferenças culturais e de costumes, a gente se dá tão bem! Foi  realmente uma experiência incrível” – Elisa Amaral 

Foto: Arquivo pessoal

“A experiência do LIYSF foi em diversos aspectos inesquecível. A oportunidade de encontrar pessoas do mundo todo que, além de serem pessoas incríveis, compartilhavam, de forma geral, interesses em comum torna toda a experiência mais prazerosa. Além disso, a troca de culturas é uma das melhores partes do fórum no qual a gente teve contato com culturas de países que eu nunca imaginava como Chipre. Fizemos amizades muito fortes com espanhóis e entre outros. Foi simplesmente incrível. Sobre a apresentação do trabalho foi muito tranquilo e todo o ambiente é descontraído podendo conhecer trabalho de outras pessoas, o que é muito interessante até porque tem uns trabalhos muito complexos e as pessoas têm, basicamente, 17 anos o que é, de certa forma, inspirador. Pra resumir, a viagem para Londres foi uma experiência fantástica e eu realmente recomendo a todos que tiverem a possibilidade a irem para este fórum porque vão ser uma das duas melhores semanas da sua vida.” – João Bassetto 

Tudo isso deixa mais que evidente que o PIC pode ser enxergado como um empecilho, mas que, quando aplicada dedicação, os resultados podem compensar muito! E aí, já entregou o relatório de pesquisa?

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XX Festival de Teatro Jean Piaget faz história

Texto por Bernardo Louzada

Logo oficial do XX Festival de Teatro Jean Piaget (Arte: Colégio Jean Piaget)

Nas noites de 11, 12 e 13 de junho ocorreu a 20ª edição do Festival de Teatro Jean Piaget que o colégio promove todos os anos. Por conta da festividade, este ano as cenas aconteceram no palco do Teatro Coliseu – uma relíquia da história santista, onde já passaram diversos bailarinos, cantores, atores e orquestras.

O Festival contou com a apresentação do professor de gramática e literatura do Colégio, Emerson Braga. Alunos e ex-alunos  fizeram homenagens destacando a importância do teatro dentro da escola para sua carreira profissional. “O Festival de Teatro contribuiu muito para a minha formação. Melhorou minha postura, dicção e ajudou a me expressar em público”, disse o ex-aluno Durval Rangel formado em Engenharia pela Universidade Federal de Lavras.

Na primeira noite, os 7º anos se apresentaram, contando algumas das histórias de William Shakespeare: Sonho de uma noite de verão, Hamlet e MacBeth. Na quarta-feira, os atores vieram do 6º ano, encenando A História do Príncipe Luís, O Rei que ficou cego, A princesa que se perdeu na floresta, A Dupla existência da verdade e O Vaqueiro que não sabia mentir. Já na última noite tivemos os 8ºs apresentando Antígona, Tristão e Isolda e Rainha Lear e os 9ºs com O Inspetor Geral, Romeu e Julieta e A Megera Domada.

O time de jurados contou com a presença dos ex-alunos Victória Ariante, Luma Eckert e Manu Abussafi, além de nomes do teatro santista como Bruno Fracchia, Renato Bellamin e Roney Maya.

As noites foram mágicas e propiciaram aos alunos a vivência de poder fazer arte. Além disso, a platéia formada por pais, alunos e convidados recepcionou os alunos calorosamente os apoiando na interpretação. O teatro é uma forma de estimular a fala em público, a desenvoltura de diálogo, a vergonha, entre outros, que de certa forma ajudam na formação de um bom profissional.

Um pedacinho de cada um

Texto por Melissa Alfinito

Post its no 3º A (Foto: Melissa Alfinito / Fala JP)

No começo do ano, alguns alunos do 3° ano A notaram que havia rabiscos ofensivos no mural da classe e queriam, o mais rápido possível, tirá-los dali. Uma das ideias foi fazer desenhos em post-its para colar em cima. Ao longo de algumas semanas, a vontade de encher o painel com mais criações foi aumentando e, assim, começou o divertido e acolhedor projeto de cobri-lo por completo.

Aos poucos, os alunos se motivaram a participar e foram adicionados diversos desenhos, um mais colorido que o outro e cada um com sua singularidade. Todos os tipos de arte são aceitos no mural (óbvio que dentro dos limites do ambiente escolar e do respeito) e é uma ótima oportunidade para os alunos se expressarem em pequenas ações que ficarão ali até o fim do último ano.

“Essa situação desconfortável dos desenhos ofensivos gerou uma ação positiva, porque muita gente se uniu pra fazer os post-its e foi legal vê-los expressando algo que gostam ou simplesmente representando amizades. Além de que, meus amigos da outra sala viram o mural e acharam muito interessante, o que acabou gerando conversas diferentes. Acho que esse é outro ponto positivo, a interação gerada por meio dos post-its”, disse Fernanda Proença do 3°A.

Cada um deixa sua marca e, assim, cria-se uma atmosfera mais colorida dentro de um ambiente, muitas vezes, tão estressante e constante. É um ponto da sala do qual todos fazem parte e, de pouco em pouco, o espaço será preenchido com um pedacinho de cada um.

“Eu achei uma iniciativa muito legal. Além de fazer o mural mais bonito, a sala se tornou mais unida. É um modo de cada um deixar sua marca na sala no nosso último ano e por isso eu decidi participar”, disse Giovanna Ferreira também do 3°A.

Fala JP! dá voz para alunos do Ensino Médio

Texto por Rafael Amin

Logotipo Fala JP (Arte: Equipe Fala JP)

Prepare-se para usar todo o seu conhecimento metalinguístico aprendido com o Emerson, porque hoje no FalaJP! falaremos do próprio FalaJP!

O Jean Piaget, com o objetivo de oferecer um espaço para protagonizar os alunos, lançou, no dia 9 de maio, a primeira edição do FalaJP! O jornal foi um sucesso, com cerca de 700 visualizações no primeiro dia. Pode-se dizer que seu objetivo foi atingido, mas afinal, o que é, e qual é a importância, de tornar os alunos protagonistas?

Segundo o professor Bruno Joaquim, estimular tal protagonismo seria dar uma voz ativa para os alunos, fazerem os mesmos pesquisarem e aprenderem mais sobre assuntos de seus próprios interesses. O FalaJP! seria o espaço de compartilhamento de tais pesquisas, o que dá à publicação dois aspectos sociais muito interessantes.

O primeiro é o de espalhar conhecimento. A diversidade de interesses no Jean Piaget é muito grande, cada aluno tem seu nicho de conhecimento favorito, alguns se interessam por literatura russa do séc XIX, outros gostam da arte do chá e tem quem saiba todos os detalhes das copas do mundo. Quando os alunos publicam textos no jornal, eles compartilham seus pensamentos e saberes com outros, informações que não estão na grade curricular obrigatória, mas que, um dia, podem fazer diferença na vida de alguém.

O segundo é uma das características que o escritor Liev Tolstoy (Guerra e Paz, A Morte de Ivan Ilitch) atribui à boa arte arte, o de criar empatia, o que, por sua vez, cria comunhão entre pessoas. Momentos de confraternização entre a comunidade escolar, como a apresentação da banda, o sarau, a festa junina e o FalaJP! contribuem para o fortalecimento da mesma. O jornal, especificamente, faz isso de duas maneiras diferentes, uma mais ampla, na relação texto e leitor, e uma mais íntima, no processo de criação dos textos.

Todo o texto é fruto das visões de mundo de cada um, então o processo de ler é um diálogo entre a opinião do leitor com a do autor. O texto “No matter who you are: speak for yourself“, de Melissa Alfinito, é um excelente exemplo disso. Muitas pessoas não gostam, e são até preconceituosas com k-pop, então, ao lerem o texto, elas entram em conflito com uma opinião divergente, o que não necessariamente as fará gostar do estilo musical, mas as ajudará a entender e respeitar quem gosta, e assim elas evoluem como indivíduos.

O processo de criação também foi marcado por diversos momentos de choque cultural. Desde o primeiro encontro, onde o Joca percebeu certo estranhamento entre os alunos e fez algumas perguntas para melhorar o clima, aos pequenos esforços de alunos do 2º e 3º ano para deixar os do 1º mais confortáveis, ou até mesmo uma pequena comemoração após a publicação da primeira edição. Essas ações, aparentemente pequenas, não são insignificantes, são elas que fortalecem a sensação de pertencer a uma comunidade escolar.  

Dar protagonismo aos alunos é dar a eles o poder para lutar. Lutar contra a bandeira do individualismo, que ignora os outros e corrobora com preconceitos históricos. É dar a eles a possibilidade de usar a linguagem para o bem, para unir pessoas e entendê-las. O FalaJP!, como mobilizador de tal protagonismo, é uma iniciativa fantástica da escola, que humaniza a instituição, espalha conhecimento e nos une como pessoas.

Alunos do primeiro ano visitam PETAR

No primeiro passeio organizado pela escola Jean Piaget para o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) alunos visitam complexo de cavernas, aprendem sobre a cultura local e ainda praticam boia-cross.

Alunos praticando boia-cross (Foto: divulgação Terra Nativa)

“Uma experiência única”, a mesma frase foi usada por três alunos, em ocasiões diferentes, para descrever o PETAR. No meio da selva de concreto em que vivemos, momentos de genuíno contato com a natureza vem se tornando, infelizmente, cada vez menos valorizados, mas, geralmente são eles que criam as mais belas memórias e as mais incríveis aventuras.

A viagem para PETAR se iniciou no dia 26 de abril. Após cinco horas de estrada, os alunos do primeiro ano do Jean Piaget, acompanhados pelo professor Bruno Joaquim e pelo segurança Carlos Peci, chegaram no parque, e, sem perder tempo, foram visitar a Caverna do Diabo e uma cachoeira. A noite, eles tiveram um intercâmbio cultural com um guia local, descendente do homem que descobriu o complexo de cavernas, onde eles aprenderam sobre a importância das cavernas para a região e como é a vida no PETAR.

No segundo dia os alunos se dividiram em dois grupos, um visitou a Caverna de Santana, conhecida por suas belas estalactites, e o outro, duas cavernas menores, a de Couto, conhecida por ser o local onde ocorrem os casamentos na região, e a de Morro Preto, especial por sua cachoeira. Os dois grupos também visitaram, em momentos distintos, a Caverna Água Suja, uma das mais distintas da região, caracterizada por ter mais de três quartos de sua área coberta por água.

Na manhã do terceiro, e último, dia, os alunos praticaram boia-cross, esporte típico da região, que consiste em descer uma correnteza segurando em uma boia, curiosamente, tal esporte teve a origem no próprio parque. No começo da tarde os alunos pegaram a estrada de volta para Santos, deixando o PETAR para trás, e levando para casa memórias de “uma experiência única”.