Pela primeira vez, de novo

Texto por Rafael Amin

Esse é o segundo ano do FalaJP! e esse também é o primeiro ano do FalaJP! Parece contraditório, mas acredite, é apenas biológico. Bem, biológico, mas com uma pitadinha de filosofia. Pense em um corpo humano, com suas células se regenerando e morrendo, chega um ponto em que todas as células já são diferentes das originais, mas a pessoa ainda é a mesma. Ou pense em uma vassoura, composta de um cabo e de uma cabeça, se você trocar a cabeça, ainda é a mesma vassoura? E se depois você trocar o cabo? Não sei se a vassoura é a mesma, mas sua função continua igual. Aconteceu a mesma coisa com o FalaJP, algumas – a maioria – pessoas que escreveram no primeiro ano do jornal saíram, mas a função e o objetivo dele continuam iguais.

Acho que agora seria uma boa hora para explicar esse objetivo, mas eu não sei direito qual é ele. Fiquei o primeiro ano passado inteiro procurando. É essa mania estranha dos seres humanos de buscar um porquê das coisas. Um porquê das terças à tarde, uma finalidade para aquelas três horas gastas todas as semanas. Acho que, finalmente, entendi esse porquê com um texto que o Joca escreveu pro próprio jornal: Era uma tarde de terça-feira. Recomendo muito a leitura para quem ainda não chegou a ler. Mas o próprio título vem carregado de um peso enorme: “era”. Era afinal, não vai ser mais, essa “finalidade” acabou junto com 2019. O que vai ser agora eu ainda não sei, mas acho que isso pode ser uma coisa interessante.

Por mais que eu não saiba qual é o objetivo do jornal, sei qual é sua função. O segundo primeiro ano do FalaJP! é como uma vassoura, uma vassoura simples, sem nenhum adorno, mas com uma função bem clara. Essa é de dar voz às pessoas que escrevem para ele, e assim, com cada texto novo, de cada aluno, a vassoura vai ganhando seus enfeites.

Mas, afinal, o que é “dar voz”’? Ano passado, quando eu escrevi um texto parecido com esse para a segunda edição do jornal, eu entendia “dar voz” como processo de abrir espaço para o contato com o outro. Assim, o FalaJP! daria voz às pessoas que escrevem nele por funcionar como um espaço onde o texto encontra o seu leitor. Talvez isso seja verdade em blogs ou redes pessoais, mas agora eu penso que o jornal dá voz de uma maneira diferente, penso que esse processo envolve apenas uma pessoa: aquela que escreve o texto. Deixa eu explicar.

O escritor russo Vladimir Nabokov, em um ensaio sobre Liev Tolstoi, escreveu: todas as pessoas são o palco de duas forças: a ânsia de privacidade e o desejo de sair pelo mundo. É nesse sentido que o FalaJP! dá voz, quando a pessoa, ao escrever, consegue encontrar uma balança entre essas duas forças. Somos jovens em formação, ainda estamos nos descobrindo e descobrindo nossos gostos, sendo assim, nossa voz é dada quando conseguimos canalizar essas forças e escrever um texto que ao mesmo é pessoal e interessante para o outro. Então, talvez a expressão correta não seja “dar voz” e sim “achar voz”, achar estilo, achar forma e balança. A graça do FalaJP! não necessariamente está em saber que alguém gostou do seu texto, mas, simplesmente, olhar para ele e pensar: eu acho que escrevi um bom texto. (Infelizmente isso nem sempre acontece, mas aí já é outra história rs). 

Por isso, acredito que todo novo ano do FalaJP! vai ser também o primeiro ano do FalaJP!. Sempre que novos adolescentes em processo de formação decidirem, em pleno ensino médio, gastar um tempinho escrevendo, expondo-se,  achando sua própria voz, então, a vassoura do FalaJP! vai ser enfeitada de maneira diferente. Eu sinto falta daquelas tardes de terça do texto do Joaquim, das desculpas, das piadas internas, das brigas por canudos e capitães da areia. Mas também estou curioso para saber como vão ser as novas tardes de terça, como a vassoura vai ser adornada dessa vez; o que vai ser desse novo FalaJP!

Essa nova proposta é o cantinho do Fala JP! que você protagoniza. O CollabJP é um projeto que oportuniza aos alunos o envio de suas obras, entre elas: Cartaz, Pintura, Desenho, Fotografia, Vídeo e Música. Mande sua obra em bit.ly/collabfalajp.

Nesta última edição confira os últimos envios até a publicação 🙂

Carta ao bom velhinho

Enviado por Rafael Pinto

Ô mãe, 
fiz uma carta 
Lê ai e ve se não descarta
É tipo aquelas de natal 
Não sei se fui bom menino 
Mas sabe como é

Todos querem o presente no final
O problema é que ninguém muda o presente 
E esse aqui só desagrada parece de grego
Eu sei eu sei 
Cavalo dado não se olha os dente 
Mas depois de Tróia isso foi só desapego 

Ô mãe, ta vendo? 
To pedindo pra ele não vir de vermelho 
Ouvi dizer que não gostam muito dessa cor 
To com medo de matarem o velho
E acabarem com toda a alegria, todo o frescor
Toda a leveza, tudo que sobrou 
E deixar só coisa ruim tipo bolsa de cocô 
Tipo uns hambúrguer e óleo 

Ô mãe, 
Manda isso aí eu imploro 
Por favor
Porque ultimamente o perigo tá eminente
Eu to sentindo que o fim tá próximo 

Carta para as próximas gerações

Texto por Isabella Gemignani e Carolina Sousa

Como tudo nessa vida, o ano está chegando ao fim e está na hora de nós darmos nossos adeus à todos esses 365 dias, repletos de emoções e aventuras, que vivemos. E, para nós, a turma formanda do Jean Piaget, as despedidas são muito maiores dessa vez. Estamos dizendo adeus não só ao Jean Piaget e às nossas amizades, mas também à todos os projetos e conquistas das quais fizemos parte e que tornaram esse terceiro ano único e, acima de tudo, nosso. Em retrospectiva, é possível relembrar de todos esses momentos, construídos pela turma de 2019, com um carinho muito especial.

É mais do que justo nos autonomear como uma turma pioneira, desde a fundação do Clube do Voluntariado – juntamente com as centenas de brigadeiros já vendidos por nós – até a constituição da equipe do primeiro ano do Fala JP e a única turma privilegiada que teve que vender Charlie Brownies e Cookies em prol da Geometria. Nessas pequenas ações, que, falando assim, não parecem ser muito, colocamos uma dose de amor, juntamente com cada gota de suor e esforço em todas as atividades extracurriculares que participamos. 

Mentiríamos ao dizer que nada disso nos fará falta. Ao longo desse ano, nos tornamos uma família, nos apoiando uns nos outros em nossos tempos ruins e dividindo as alegrias dos  tempos bons (e, compartilhando, sempre, uma classe por mais horas do que jamais poderemos contar). Criamos, mesmo, nossos quase rituais. O do brigadeiro – o mais esperado pelas meninas da comunicação -, que começava na arrecadação de fundos e marketing pelo grupo do Bernardo, da Anna e da Mari, ao Matheus Lopes e Rafael Pinto, que compravam os ingredientes – e as diversas discussões que isso já gerou – até a etapa de produção (fazer e enrolar os brigadeiro) que contava comigo, Carol dos Brigadeiros, e um grupo de meninas, que sempre mudava mas que eram um anjos, que, por fim, resultava na etapa de vendas, com Thomas, Gabriela Craveiro, Caio, Anita, Carolina Maiteh, Juliana Monteiro, Maria Eduarda, Elisa, Ananda, Isabella, Flávia e os outros comovidos honorários hahah. 

Porém, além de minhas emoções implorarem por um texto melancólico e nostálgico, eu sei que esses só interessariam a nós que presenciamos isso e a nós que temos essas memórias guardadas em nossos corações. Tampouco quero tornar essa matéria um slide de fotos de nossos momentos, porque já chorei com dois desses e não gostaria de fazê-lo de novo antes das colação. Então, como parte da turma formanda, é nosso dever deixar nossas vivências como conselhos para aqueles que ainda virão. E relaxa, não estamos falando apenas do CARPE DIEM – apesar de que, eu curtiria muito bem o dia no lugar de vocês… 

Como nós, Carol e Isa, não conseguimos sequer imaginar aconselhamentos suficientes que sintetizem todos os nossos anos de experiência no Ensino Médio, fizemos deste texto o primeiro hiper-colaborativo do jornal, não só para provar que não estamos de brincadeira ao nos dizermos pioneiros, mas também para deixar, aos anos seguintes, por meio desses recados, o aviso de que estivemos no lugar que vocês agora ocupam antes. Brincadeira. Ou não. Enfim, aqui estão as lembranças, conselhos e o carinho dos formandos do Fala JP à vocês.

“O terceiro ano vai ser intenso e pedir muito de vocês. Por isso, fiquem perto das pessoas e das coisas que os façam bem.  E sim, não vai ser simples e a pressão em algum momento vai parecer demais, mas eu acredito que vocês conseguem lidar, pensem nisso também, tudo aos poucos. Confiem em vocês, em passos pequenos, em momentos calmos, mas significativos, que gradualmente, tudo se encaixa de alguma maneira. Esse ano não precisa definir a vida de vocês, acreditem que são muito novos com muito para conhecer ainda. Vocês não serão o número de aprovações, muito menos, suas notas da escola, vocês serão muito mais que qualquer número ou impossibilidade. Tem uma música da Legião Urbana que fala “A humanidade é desumana / Mas ainda temos chance / O sol nasce pra todos / Só não sabe quem não quer”. Encontrem o sol de vocês nesse ano, e esperem ele nascer quando a noite estiver longa demais, que tudo vai ficar bem. E participem do FalaJP! haha” – Ana Badialle

“Tanto pra dizer… Mas serei breve. Sentirei falta de ser JP. Por toda minha vida fui rodeada por amigos, professores e funcionários incríveis e só tenho a agradecer. O JP fez quem sou hoje, não só na formação acadêmica, mas também como pessoa. Do fundo de meu coração, deixo o mais genuíno obrigada.” – Gabi Craveiro

“O tempo passa. Às vezes ele parece passar mais devagar naquelas aulas de Química logo depois do almoço, mas ele passou muito mais rápido nesses três anos do que eu jamais pude imaginar. É clichê dizer isso, mas eu realmente não preciso me colocar no lugar das turmas do segundo e primeiro ano porque, para mim, eu era dessas turmas fazem tipo alguns meses. Então, meu conselho é que vocês aproveitem o tempo, especialmente o que vocês passam na escola – que não será pouco, especialmente no terceiro ano. Participem das atividades que vocês se interessam sem medo, faltem algumas aulas para dormir mais, fiquem amigos dos funcionários e professores da escola, sejam curiosos, não levem as coisas tão a sério, e tentem transformar a obrigação de ir pra escola em algo que possa se tornar, no futuro, memórias felizes e além dos estudos :)” – Isabella

“Tentem fazer do próximo ano o melhor ano das suas vidas, não porque você curtiu todos os momentos ou foi feliz em todos eles, mas porque você deu o seu melhor e cresceu como pessoa. O mais legal dessa experiência é reconhecer tudo isso no fim. Vai valer a pena, não desistam e tenham um ano incrível!”- Melissa

“Gente, eu sei que todo mundo fala a mesma coisa sempre mas vou falar de novo por que realmente é importante: Estudem e não deixem as coisas pra última hora – eu sei que vai dar vontade de desistir várias vezes porém é um ano só e todo o esforço vai valer a pena no final. Se ajudem!!!! Sempre tem alguém que você pode ajudar e no futuro você também pode precisar de uma ajuda pra alguma matéria. E por último: Aproveitem essas férias (principalmente o pessoal do 2o ano) porque ano que vem vai ser puxado! Mas eu acredito em vocês 🙂 Bom fim de ano pra todos” – Noah Mendes

E assim encerramos a nossa última edição do Fala JP – do ano para os que ficarão na escola, e talvez da vida para nós que vamos embora, como eu, Isabella, e a Carol. Aqui, nesse jornal, fomos quem queríamos ser de propósito. Colocamos para fora o que sentíamos dentro, e vimos que a poesia, a criatividade a autenticidade estavam em nós, tanto quanto grupo quanto indivíduos. Mesmo sendo pessoas completamente diferentes, aprendemos uns com os outros, viramos amigos e, juntos, criamos no mundo, às 5 horas de terças-feiras, um espaço feito de conversas paralelas, risadas, provocações, muitas fugidas de tema e, acima de tudo, feito de ideias. Em nossas edições contadas, criamos um infinito, deixando, de palavra em palavra, de texto em texto, um pedacinho de nós.

Obrigada por participarem desse nosso universo de doze edições. E, como turma pioneira, esperamos encontrar o seu universo e o das próximas gerações nas edições que vem. 

—  Ana Luiza Badialle, Anita, Bia Freitas, Bernardo, Carolina, Gabi Craveiro, Isabella, Larissa, Melissa e Noah.

A primeira vez a gente nunca esquece!

Texto por Aline Nicolau

“E é sério esse bilhete”. Lembro-me, como se fosse ontem, da primeira vez que vi os rostinhos desta turma que agora se despede do JP. Era 2017. Carinhas ainda infantis e assustadas com o Ensino Médio, mas cheias de energia de vida, de gás para enfrentar o novo ciclo. Eram atentos, questionadores, perspicazes e acima de tudo gentis. Foram delicados com quem estava chegando (euzinha, no caso), eram amigos e empáticos uns com os outros e isso é lindo de ver quando estamos diante de um grupo tão diverso. Mostravam-se adolescentes prontos para encarar a vida adulta.

Nosso segundo ano de convivência foi ainda mais agradável, já tínhamos certa intimidade, eu errava menos os nomes (não perdi o hábito, faço isso até hoje) e desevolvemos um bom trabalho acadêmico (creio!). Neste 2019, os encontros foram de corredor, mas sempre com o mesmo carinho. De vez em quando vinha um “Aline, tirei X na redação, to arrasando” e meu peito se enchia de orgulho. Às vésperas do Enem também teve: “Qual será o tema da redação, Aline? Qual é o seu palpite?” E foi gostoso vê-los querendo minha opinião, mesmo não sendo mais meus alunos. Senti-me honrada com a calorosa recepção na última reunião de pauta do Fala JP. Vocês são realmente muito especiais. Eu estava certa desde o primeiro encontro.

Somente pessoas incríveis abdicariam de parte do precioso tempo, dentro de um terceiro ano, para se dedicarem a um jornal virtual que serviria para ajudar todos os alunos da escola. O Fala JP mudou o assunto nos corredores e era uma delícia parar, ler o que cada um produziu naquela edição e constatar que vocês se tornaram escritores maduros, engajados e responsáveis.

Agora, no entanto, é hora de passar o bastão. E estejam certos de que farão isso de forma brilhante. Vocês já fizeram história e certamente plantaram a sementinha da arte de pensar, escrever e publicar, nas próximas turmas que assumirão o Fala JP. Podem ir tranquilos e em paz!

Desejo que a nova etapa seja gloriosa. Não será 100% o que desejam, e tudo bem! Xuxa passou um grande ensinamento atemporal pra minha geração. Dizia ela nas gincanas de um programa de auditório: “se cair, levanta e continua”. 

 Guardem essa dica da tia Aline!!! Os percalços, meus queridos, podem aparecer, mas desejo que vocês tenham serenidade para sair de qualquer situação desagradável.

Estejam sempre entre vocês, entre amigos e CUIDEM-SE!
Mantenham sempre esse Coração de Estudante pulsando no peito e lembrem-se do mestre Milton Nascimento “Há que se cuidar do broto pra que a vida nos dê flor e fruto”.

“Qualquer dia, queridos, a gente vai se encontrar!”
Um abraço carinhoso e fraternal em cada um de vocês, da profa. Aline.

Com amor, filosofia

Texto por Rafael Amin

Foto: Divulgação

O que é filosofia? Eu não soube responder quando a sobrinha do Joca me perguntou no meio da olimpíada de filosofia. Acho que conseguiria explicar correntes filosóficas, pensadores e conceitos, mas nunca pensei no que era filosofia em si. Depois disso eu parei para pensar sobre o assunto, levando em consideração toda a experiência da própria olimpíada, e acho que acabei ressignificando um pouco essa matéria.

Ao contrário de outras olimpíadas, a de filosofia não é uma prova e, sim, a apresentação de um trabalho artístico cujo o tema nesta edição foi felicidade. Isso quebra um pouco uma noção “intelectual” que muitas pessoas tem sobre a matéria e as primeiras aulas preparatórias refletiram isso. No começo só debatemos qual conceito de felicidade que abordaríamos no trabalho. Alguns alunos iam mais para um caminho Schopenhaueriano, já outros tinham tendências mais estoicas. Essas conversas não chegavam a ser pedantes, elas foram até um pouco caóticas para ser honesto, acabamos às vezes nos perdendo e fofocando sobre a vida.

Todo esse caos foi ganhando forma e depois de umas quatro aulas decidimos o que iríamos fazer: uma peça, um poema que acompanharia um vídeo e uma exposição interativa onde as pessoas escreveríam o que tira a felicidade delas. Mesmo assim as coisas continuaram um pouco bagunçadas, o roteiro não andava, tinha muitos atores e poucos personagens, mas no final tudo deu certo. E então, com tudo já pronto, fomos à São Paulo. 

Vencer é bom, não vou negar, mas a sensação de realização na olimpíada de filosofia é diferente. Não tem vencedores, mas simplesmente ver a apresentação que o grupo montou com tanto esforço foi algo indescritível. Quando tudo acabou senti uma vontade estranha de simplesmente aplaudir e abraçar todos os envolvidos. O resto do dia em São Paulo também foi fascinante, um choque cultural com as outras escolas, outros alunos e professores, e com a própria cidade de São Paulo. Tudo isso mostrou que filosofia não precisa ser pedante nem chata, ela é uma espécie de bagunça fantástica de ideias e pessoas.

Mas honestamente, mesmo pensando em tudo isso, ainda acho que não saberia responder o que é filosofia. Acho que nem quero, tenho medo de perder todo esse caos maravilhoso quando defini-la. Se eu pudesse responder a sobrinha do Joca agora acho que só daria uma risada, falaria que também não sabia direito o que era, só que tinha haver com amor e com sabedoria e que, um dia talvez ela seja, assim como eu fui e acho que os outros participantes da olimpíada também, amaldiçoada a amar essa matéria.  

Arte e ciência: (in) conciliáveis?

Texto por Isabella Gemignani

Foto: Autor desconhecido

Somos, nas palavras do físico Richard Feymand, um átomo no universo e um universo de átomos. Somos arranjos de moléculas que tentam entender complexos ainda maiores de moléculas. Somos poeira das estrelas. Porém, mesmo formados com as mesmas substâncias do cosmo, não sabemos o que há, de fato, lá fora, no universo gigante que habita sobre as nossas cabeças. À nossa pequenez, em frente a tudo aquilo que existe, e a nós, resta, apenas, o apelo ao instinto mais primitivo do ser humano: a necessidade de entender. Nesse contexto, entre perguntas existenciais e horrores cósmicos, a arte e a ciência se tornam formas, aparentemente opostas, do próprio cosmo se conhecer – isto é, meios de nós, seres humanos, como parte da natureza, explorarmos o mundo em nosso redor e, enquanto o fazemos, conhecer, também, a nós mesmos.

A tinta, a tela e o traço. Experimentos, pesquisas e cálculos. Isso é o que comumente associamos à arte e à ciência. Inicialmente, elas parecem ser verdades inconciliáveis: a ciência é exterior, enquanto a arte é introspectiva. No entanto, embora diferentes em método e técnica, suas motivações e metas são, essencialmente, as mesmas, já que tanto o artista quanto o cientista promovem reflexões e, ao passo que o fazem, indicam caminhos para as suas respostas, tentando, juntos, explicar a realidade que nos cerca. Dessa maneira, a arte pode ser ciência e a ciência pode ser arte, dado que as duas oferecem perguntas e respostas, feitas pela humanidade para um mesmo universo. 

Não há, afinal, exemplo maior de tal combinação do que nós mesmos. Quando somos crianças, somos tanto artistas quanto cientistas: gostamos de colorir as paredes, como forma de expressão artística, e queremos saber o por quê do céu ser azul. Somos curiosos, questionamos e exploramos o mundo por meio da arte e da ciência.

Além disso, existe, muitas vezes, uma dependência, considerada improvável ou impossível, entre ambas. O cientista, ao analisar a arte proporcionada pela natureza, ou mesmo formá-la por meio de reações químicas, se torna um artista. Mesmo os próprios fenômenos científicos investigados, nessa linha de pensamento, tornam-se arte, pois sua representação depende de cores, figuras e formas, cujo objetivo é criar uma imagem fiel das descobertas a fim de que elas sejam ensinadas aos outros – ou, apenas, tenham suas ilustrações inseridas em um livro de ciências qualquer. 

De mesma forma, essa junção pode ser observada em diversas ocorrências, de modos que jamais perceberíamos: a pintura “A Noite Estrelada”, de Van Gogh, por exemplo, indica, nas espirais do céu, a utilização de princípios de escoamento de fluídos, ao passo que a atmosfera de Júpiter, naturalmente, se assemelha com as pinceladas deste mesmo artista. Enquanto isso, a “arte agar” (cultura de microorganismos), por sua vez, forma pequenos quadros constituídos de bactérias, fungos e protistas, e a capa do álbum “The Dark Side of The Moon”, do Pink Floyd, representa, por meio de um desenho, o processo científico de separação das cores pela refração do prisma. 

Atmosfera de Júpiter, capturada pelo satélite Juno, da NASA.
(Foto: Gerald Eichstädt and Seán Doran)

Ao conversar com a professora de Química do Jean Piaget, Mara Zucheran, a aliança entre essas formas de conhecimento foi, ainda mais, evidenciada. Afinal, segundo ela, a própria natureza se apresenta como uma forma de arte, com suas estruturas químicas que buscam o equilíbrio, flores e pássaros com colorações chamativas (resultadas de processos de adaptação), abelhas com símbolos de infinito que auxiliam na contração do abdômen, e com suas aplicações antropológicas, como a análise do pH das substâncias (que depende da cor explicitada para sua identificação) e o uso das cores como forma de tratamento de doenças. As duas matérias, então, embora separadas ao longo do tempo por um interesse humano, que valorizou mais a ciência devido à sua aplicabilidade prática e lucros, são, juntas, essenciais para a formação de artistas, cientistas e indivíduos em geral, mais apaixonados e aptos, com visões de mundo diferenciadas e aprofundadas pelos conhecimentos fornecidos pela fusão entre arte e ciência. 

Por sua vez, Cíntia Estrella, professora de Arte do Ensino Médio, vê, também, na arte e na ciência, uma relação de dependência, já que o artista sempre busca inspiração nas coisas que gosta, sendo a natureza um desses elementos. Além disso, certas formas de arte utilizam da própria natureza, como a técnica de colocar uma gota de tinta na água para atingir efeitos como o tie dye e mármore. No entanto, essas duas áreas são, de fato, diferentes, segundo Cíntia, principalmente pelo fato de que a ciência acontece aleatória e espontaneamente, enquanto a arte depende da criação e intencionalidade do artista – porém, isso não significa que elas não possam ser conciliadas, de certo modo. 

Somos, enfim, inseparáveis da natureza e do cosmo, assim como o nosso artista e cientista interiores são inseparáveis um do outro. Se precisamos tanto da arte quanto da ciência para um melhor compreendimento do mundo, por que precisamos distingui-las? Por que precisamos, ao crescermos, negligenciar o nosso cientista-artista infantil e encaixar o conhecimento em divisões pré-estabelecidas e delimitadas de Humanidades, Biológicas e Exatas, como se fossem estudos totalmente independentes? Por que não podemos focar, ao invés, nos elementos que unem essas áreas e nas coisas incríveis que, juntas, elas podem nos trazer? Afinal, em algum lugar do universo, em meio às nossas indagações existenciais, algo está esperando para ser descoberto, tanto pela ciência quanto pela arte.

Foto: Michael Pederson
Vídeo que serviu de inspiração para o texto

10ª edição: Era uma tarde de terça-feira

Texto por Bruno Joaquim

Foto: Equipe Fala JP

Era uma tarde de terça-feira. Tantas tardes de terças se passaram sem que eu parasse para pensar no que pensei neste dia. Não tem nada mais óbvio do que tardes de terças. Eu havia dado uma aula de recuperação para o 1º ano. Aulas de recuperação costumam me deixar esgotado. Eu fico desesperado em tentar dar conta de um trimestre inteiro em tão pouco tempo. Falo, falo, falo, sem parar. A tarde de terça se encerrava, mas ainda havia um último compromisso antes de ir pra casa. Como todas as terças, havia reunião do jornal Fala JP!. Um projeto que me empolgou desde o início. Quando a Marcela me contou dos planos lá no começo do ano eu só conseguia pensar o quanto minha vida escolar poderia ter sido diferente se eu tivesse um jornal na minha escola. Lembrei de uma ideia de criar um jornal clandestino quando estava no 2º EM. Somente dois amigos mais pacientes concordaram com ela. Escrevemos uma única edição, textos sobre música, política e algum tipo de poesia. Nunca publicamos, pois não tínhamos dinheiro para o xerox. A ideia morreu na mesma velocidade que nasceu. Mas se eu tivesse um jornal na minha escola, o meu ensino médio não teria sido do jeito que foi.

O Fala JP! surgiu como um jornal, mas não é bem isso. É um coletivo de ideias cruzadas, palavras cruzadas, sentidos cruzados. O jornal é exatamente como são as suas reuniões, terças-feiras, 17 horas. Uma mistura de ideias, um despertar de perspectivas, lamentos, egos e sonhos. Naquela terça-feira, depois da aula de recuperação, me dei conta pela primeira vez de algumas coisas. Enquanto todos falavam meu olhar se prendeu em um canto da sala por alguns segundos. Minha cabeça saiu dali e se perdeu em pensamentos avulsos. Deixei de acompanhar quem falava, na verdade, muitos falavam ao mesmo tempo, como sempre. Assim são essas reuniões de pauta: um caos coletivamente construído em meio às rotinas de cada um de nós. Ouvi alguém falar meu nome. Talvez tenham notado minha distração. Talvez tenha perdido uma ideia importante. Retomei o contato visual com o grupo que, sentado em roda, estava num emaranhado de diálogos entrecruzados. Ninguém mais lembrava o tema inicial em discussão.

A Victoria chama a atenção do grupo para retomar a discussão da pauta. Novamente me perco por um segundo pensando na sua capacidade de liderar e acolher a todos. Ela nunca havia sido professora, mas todas as terças demonstra uma sensibilidade em lidar aquela anarquia e fazer com que todos quase sempre entreguem os textos dentro do prazo. Ana estava falando. Então retomo a concentração para a reunião, enquanto o Enrico passa um pacote de balas. Sempre me parece que esses alunos estão ali muito mais para compartilhar aquela hora juntos, do que pra discutir alguma pauta. Talvez eu também esteja. Percebo que já não estou mais prestando atenção no que a Ana está dizendo. Ela fala olhando pra mim, com olhos empolgados de quem teve uma ideia brilhante. Ela é um misto de euforia e melancolia, uma inteligência ácida e sensível, pra quem aquela reunião às vezes fica pequena. Nunca vi tanto domínio das palavras em alguém dessa idade. Imaginei que se ela fosse minha amiga há 16 anos atrás, eu a convidaria para escrever em meu jornal clandestino. Outra vez me perco pensando em alguma coisa. O Bernardo faz uma interrupção. A Duda interrompe a interrupção do Bernardo. A Melissa tristemente diz que está sem ideia de pauta, segundos antes de ter uma grande ideia. Acho que ela é a única que já manifestou interesse em estudar comunicação. Ela está ali desde o início do projeto. Acho que foi a primeira a se arriscar em um texto, em dar a cara a tapa para escrever o que bem queria. Acho que, com tanta coragem, ela será gigante na profissão que escolher. Eu continuo ali, pensando, sem falar nada e sem acompanhar a maior parte do debate.

Meu horário de ir embora já passou. Sempre passa. Penso rapidamente em tudo que tenho que fazer quando chegar em casa: corrigir umas azinhas, rever alguns slides, pagar alguma conta. Quem fala agora é o Gimenez. Enquanto o ouço penso na sensibilidade que ele traz para a discussão. Nunca vi tamanho cuidado com o outro, independente de quem seja. Ele cumprimenta um por um, beija, abraça, acolhe. O mundo precisa de caras assim. Tentarei tê-los sempre por perto. O Bernardo faz uma interrupção. A Duda interrompe a interrupção do Bernardo. Isabella pede a palavra para falar de uma pauta sobre música, eu acho. Não entendi muito bem, porque enquanto ela falava eu pensava que apesar de conhecê-la há cinco ou seis anos, nunca conversamos muito. Ela é inteligentíssima no jeito de falar. Nunca vi ninguém a contestando num debate em sala de aula. Uma fala altiva, ponderada e sempre precisa. Pensei rapidamente como seria bom ouvir mais a Isabella, mas percebi que ela já tinha terminado de falar, porque notou que o Amin estava com o braço erguido esperando sua vez há alguns segundos. Retomo a atenção. Ele fala rápido demais. Traz referências numa velocidade que não consigo acompanhar àquele horário, depois de um dia tão cheio. Rapidamente me perco pensando outra vez. Esse cara é brilhante de uma forma diferente. Ele pede o tempo todo desculpas por ser quem ele é, quando na verdade eu é que tenho vontade de pedir desculpas a ele pelo mundo ser como é. Ele falou algo extraordinário, mas falou tão rápido que eu me perdi. Então notei que havia já outra pessoa falando. Era uma terça-feira, já havia anoitecido, eu estava cansado, mas queria estar ali. 

O Zé começava a falar sobre sua ideia de pauta de atualidades. Gosto da forma como ele se coloca na reunião. Ele, um aluno de primeiro ano, não tem medo de se expressar, de perguntar, se posicionar, diante do grupo majoritariamente formado por alunos mais velhos. O Bernardo faz uma interrupção. A Duda interrompe a interrupção do Bernardo. Noah pede a palavra. Gosto do jeito como ele ainda se perde na língua portuguesa. Ele só quer dar boas notícias sobre sua própria vida. Novidades que o deixaram feliz e que ele gostaria de compartilhar. Não era uma pauta, uma polêmica, uma crítica. Nada disso. Ele só queria poder sorrir para o grupo, da mesmo forma como sorria pra si. Comemoramos as novidades, enquanto a Carol falava sobre seu texto. Ainda nos EUA ela já queria participar do jornal. Talvez seja a mais disposta a escrever um texto melhor a cada edição. Ela gosta do desafio. E eu gosto do jeito como ela escreve sobre meio ambiente, da forma como é combativa nas ideias e –  acredito eu – será também na vida. Enquanto pensava isso, o Frezza pede a palavra rapidamente. Precisa ir embora. O texto dele já está pronto. Ele é prático, cartesiano, o cara mais exatas ali na roda. Acho que não tem a mesma paciência para as reflexões que têm os outros. Rimos um pouco de seu excesso de eficiência. A reunião já se estendera por uma hora e meia e ainda tínhamos poucas pautas.

Meu celular vibra com uma mensagem da Fani. Anuncio que preciso ir embora. A Larissa se levanta se despedindo. Nem sei se ela falou alguma coisa nesta reunião. Também está no projeto desde o início, ouvindo as ideias e pensando em como divulgar o jornal em algum cartaz. Ela sempre surpreende com sua estética. Já está claro pra mim que ela é um talento. Antes que o Bernardo interrompesse, pensei que não havia pensado sobre ele. Sua proatividade é salvadora, seu talento é criativo, não haveria outro diretor de arte possível. A Duda, que sempre interrompe a interrupção do Bernardo, é a perspicaz, engraçada, sentimental. Quando não estão presentes a reunião fica mais vazia, ordenada demais para funcionar. As interrupções dessa dupla faz parte da dinâmica que move esse jornal. Assim como faz parte a necessidade de alguns novos chegarem, como o Enrico, aquele que distribuiu balinhas, dono de uma visão crítica que enche o professor de orgulho. Da mesma forma, faz parte da dinâmica que algumas pessoas nos deixem. Porque a vida atropela a todos com muitas responsabilidades, compromissos, lições de casa e vestibulares. Voltando pra casa lembrei de reuniões passadas: Gabriela Vitta, Gabriela Craveiro, Elisa, Bárbara, Maria Theresa, Rafaela, Beatriz Cantoni, Victória Lopes, Anita, Beatriz Freitas, Arthur, André. Penso no que vai ser do projeto ano que vem, quando uns e outros não estarão mais aqui. Certamente menos criativa, menos divertida, menos intensa. Rapidamente me despeço e enquanto dirijo até minha casa concluo o pensamento com os olhos distraídos no trânsito. 

O Fala JP! fez esse ano ser mais doce. As tardes de terças foram mais leves. Já são dez edições e toda semana parece que todos vão escrever pela primeira vez. Independente de quem vá ler, todos estão representados nos textos, nas conversas, nas reuniões na pizzaria, nas amizades que se constróem às terças. Estacionando o carro, penso uma última coisa: me sinto feliz em poder fazer parte disso, orgulhoso em ver meus alunos tornando-se pessoas tão incríveis. Que eu sempre os tenha por perto!  

10ª edição: Seria mais fácil escrever sobre o início

Texto por Ana Badialle

Eu não sei exatamente como o Fala JP começou entre as garotas da comunicação, não sei como foi dito o veredito “vamos convidar os alunos para escrever um jornal” e eu também não sei se isso é realmente relevante para a história. Mas eu lembro do tanto de gente que se inscreveu no projeto logo nas primeiras semanas, lembro de ficar receosa para ir na primeira reunião com várias pessoas, muitas que eu não conhecia muito bem, mas eu fui. A sala estava meio cheia e eu estava atrasada, como sempre. Quando cheguei o pessoal estava conversando como seria a formatação do jornal, o que haveria nele, os temas, entre outras coisas. Não falei muita coisa nessa primeira reunião, mas estabeleci que queria conversar sobre arte no jornal. Não foi muito difícil, creio ser uma das poucas coisas das quais eu realmente tenho várias pautas para conversar, escrever sobre elas seria apenas materializar no papel, não é mesmo?

Pois é, eu pensava isso, em como o Fala JP seria apenas mais um aspecto que poderia ser interessante na escola, seria mais uma coisa para fazer, óbvio, mas poderia ser bom. A minha empolgação foi leve porque pensava que seria algo bem menos pessoal e envolvente. Mas acontece que as pautas foram se concretizando, pessoas entrando, outras saindo, ideias surgindo e toda terça-feira, às cinco horas – para quem chega na hora – íamos criando algo novo, não apenas na escrita e produção, mas nos laços, nas conversas, na maneira como compartilhávamos uma ideia abstrata ou uma crise existencial. 

As reuniões do jornal tornaram-se muito além de apenas discutir pautas novas, virou um momento de discussão entre nós, entre nossas vivências e experiências similares e tão diferentes, entre alunos de variados anos, entre professores – Cris Choia e Bruno Joaquim – e entre as meninas da comunicação também – Victória, Paula e Marcela. Quando eu me deparei, o Fala JP estava muito mais presente na minha vida do que muita coisa. Eu não gosto de ser sentimental demais em um texto, mas o jornal, digo, as pessoas que dele fazem parte, não sei como, nem porquê, criaram algo íntimo e único ali na sala 22, nas terças. Cada um da sua maneira, seja de um jeito quieto e tímido ou um jeito arrojado e ousado construiu, acredito eu, uma intimidade e afeto pela troca, pela fala do outro e especialmente, pelo o que o outro tem a dizer.

É difícil colocar no papel o quão importante é essa dialética proporcionada por esse projeto, seja para a escola, para alunos que o compõe e assumo pela organização do jornal também. Pois, dar espaço para o outro falar sobre seus interesses, ideias da madrugada ou oriundas de uma aula não tão interessante, ideias que geraram uma crise existencial, e, consequentemente, um texto a ser publicado, tudo isso, esse exercício de “dar espaço para o outro falar” é algo muito mais profundo, existencial e empático – apropriando os diversos sentidos da palavra – do que posso explicar aqui neste texto, que também surgiu de uma crise existencial e que eventualmente será publicado na 10° edição do jornal. 

Esse é um fato que me assusta, ser a décima edição, porque pensar no tempo que passou e no fim do ensino médio não é algo simples. Mas o que eu queria tanto dizer desde o começo desse texto é que o Fala JP se tornou algo muito maior do que apenas publicações quinzenais, hoje ele é algo que, na minha experiência, torna-me capaz de fazer diferenças  e ações das quais eu não imaginava gostar tanto. Acima de tudo, o Fala JP é essencialmente troca, seja com o papel ou uma página do word, ou com pessoas que fazem esforço para te ouvir e ler um pouco daquilo que passa na sua cabeça e de alguns outros jovens dispostos a contarem o que têm lido, pensado, conversado. Eu só tenho coisas boas sobre esse projeto que é levado com seriedade – na medida do possível nas reuniões – e com carinho pelos professores e coordenadores dele. Então aqui estou sendo muito sentimental em relação ao texto, mas como sempre – algo que eu aprendi muito no jornal – mais uma vez, a escrita me surpreende mais do que eu possa imaginar ou contar para vocês. 

Londres muito além da ciência

Texto por Carolina Sousa

Grupo de alunos do Jean Piaget (Foto: Arquivo pessoal)

Todos os alunos do Jean Piaget já estão familiarizados com o PIC – Projeto de Iniciação Científica, que é obrigatório nos dois primeiros anos do Ensino Médio e é visto por muito gente como um fardo. Porém, o que poucos sabem é o quão longe você poderá ir baseado em um trabalho bem realizado e resultado de muito esforço.

As formas de reconhecimento são várias, desde a premiação da banca avaliadora do Colégio, até a participação em feiras científicas desvinculadas à escola, que é o caso da London International Youth Science Forum (LIYSF), onde centenas de estudantes de mais de 70 países se reúnem para apresentarem seus trabalhos, assistirem palestras e outras programações em Londres, na Inglaterra.

Em 2019, eu e mais cinco alunos do 3º ano do Ensino Médio fomos convidados para participar do Fórum em Londres, são eles: Elisa Amaral, Gabriela Craveiro, João Bassetto, Raissa Nogueira e Thomas Conway. Nós apresentamos nossos trabalhos, assistimos diversas palestras e realizamos visitas de campo e atividades em grupo inesquecíveis.

Foto: Arquivo pessoal

O evento acontece durante duas semanas com atividades em diversos locais, mas sobrando sempre um tempinho para explorar Londres, fazer novos amigos e conhecer culturas novas. O intercâmbio de experiências e conhecimentos entre jovens em nossa idade acontece desde conversas no dia a dia, a comentários em palestras e debates, nos quais seus pontos de vista são expostos. No show das “Tradições de Casa”, realizado no último dia, isso ficou ainda mais evidente, uma vez que as várias nações dividem-se para apresentar para os outros participantes danças, músicas e até doces típicos de seus países. 

Apresentação dos brasileiros na noite de culturas (Foto: Arquivo pessoal)

Além de tudo que aprendi nas palestras de especialistas e debates, algo que sempre vou levar pra vida são as amizades que fizemos lá. Tivemos a sorte de conhecer pessoas fantásticas e muito interessantes, especialmente o pessoal da Espanha, Chipre, uma menina de Londres mesmo e uma da Bélgica. Aprendi muito com todos, gírias em inglês britânico, treinei meu espanhol e até aprendi a falar um pouco de grego. Também vivemos coisas que nunca imaginamos que viveríamos, participamos de um caça palavras/caça ao tesouro pelas ruas de Londres, pintei meu cabelo de azul com duas amigas minhas (Tash e Ioanna), jogamos muiiito pebolim, dançamos “malha funk” na frente de todos os participantes e staff, andamos de metrô sem nos perder nos icônicos ônibus vermelhos e até usei selos de carta britânicos! A saudade dos amigos já está batendo e estamos até planejando o reencontro.

Brasileiros, espanhóis, argentinos e ingleses após a noite de culturas
(Foto: Arquivo pessoal)

“Com certeza uma das melhores experiências da minha vida! Além dos amigos, dos passeios e tudo mais, uma das coisas mais interessantes é o compartilhamento de tantas culturas e interesses diferentes. Cada conversa era uma coisa nova que eu aprendia de lugares que eu nunca imaginei saber.” – Thomas Conway.

Foto: Arquivo pessoal

“Tudo dessa viagem será inesquecível! Cada momento de estudos em grupo e de palestras, pude praticar o inglês e aprender novos tópicos das áreas que gosto. Teve até mesmo uma palestra sobre plásticos, o que tinha tudo a ver com meu trabalho. A experiência de conversar com pessoas de diversos países e aprender mais sobre a cultura delas foi surreal. Nunca pensei que faria amizade com alguém da Tailândia!! Também conheci muitos brasileiros que eram o alto astral da viagem, mostrando que o melhor do Brasil é o brasileiro hahaha.” – Raissa Nogueira.

Nosso Grupo no Hyde Park (Foto: Arquivo pessoal)

“Com certeza uma das melhores experiências da minha vida. Estar rodeada por pessoas de culturas totalmente diferentes e, mais do que isso, poder apresentar a minha a elas. É simplesmente incrível, sem preço.” – Gabriela Craveiro. 

Partida de baralho com estudantes do Brasil, Turquia, Itália, Taiwan e Estados Unidos
(Foto: Arquivo pessoal)

“As duas semanas que eu passei no LIYSF foram as melhores da minha vida. Tudo que eu vi e conheci lá era incrível, e ter feito isso ao lado de gente muito legal tornou tudo melhor ainda. Conversei com gente de todos os cantos do mundo e aprendi mais sobre a cultura deles. Foi demais! E o mais divertido é ver que, apesar de tantas diferenças culturais e de costumes, a gente se dá tão bem! Foi  realmente uma experiência incrível” – Elisa Amaral 

Foto: Arquivo pessoal

“A experiência do LIYSF foi em diversos aspectos inesquecível. A oportunidade de encontrar pessoas do mundo todo que, além de serem pessoas incríveis, compartilhavam, de forma geral, interesses em comum torna toda a experiência mais prazerosa. Além disso, a troca de culturas é uma das melhores partes do fórum no qual a gente teve contato com culturas de países que eu nunca imaginava como Chipre. Fizemos amizades muito fortes com espanhóis e entre outros. Foi simplesmente incrível. Sobre a apresentação do trabalho foi muito tranquilo e todo o ambiente é descontraído podendo conhecer trabalho de outras pessoas, o que é muito interessante até porque tem uns trabalhos muito complexos e as pessoas têm, basicamente, 17 anos o que é, de certa forma, inspirador. Pra resumir, a viagem para Londres foi uma experiência fantástica e eu realmente recomendo a todos que tiverem a possibilidade a irem para este fórum porque vão ser uma das duas melhores semanas da sua vida.” – João Bassetto 

Tudo isso deixa mais que evidente que o PIC pode ser enxergado como um empecilho, mas que, quando aplicada dedicação, os resultados podem compensar muito! E aí, já entregou o relatório de pesquisa?

XX Festival de Teatro Jean Piaget faz história

Texto por Bernardo Louzada

Logo oficial do XX Festival de Teatro Jean Piaget (Arte: Colégio Jean Piaget)

Nas noites de 11, 12 e 13 de junho ocorreu a 20ª edição do Festival de Teatro Jean Piaget que o colégio promove todos os anos. Por conta da festividade, este ano as cenas aconteceram no palco do Teatro Coliseu – uma relíquia da história santista, onde já passaram diversos bailarinos, cantores, atores e orquestras.

O Festival contou com a apresentação do professor de gramática e literatura do Colégio, Emerson Braga. Alunos e ex-alunos  fizeram homenagens destacando a importância do teatro dentro da escola para sua carreira profissional. “O Festival de Teatro contribuiu muito para a minha formação. Melhorou minha postura, dicção e ajudou a me expressar em público”, disse o ex-aluno Durval Rangel formado em Engenharia pela Universidade Federal de Lavras.

Na primeira noite, os 7º anos se apresentaram, contando algumas das histórias de William Shakespeare: Sonho de uma noite de verão, Hamlet e MacBeth. Na quarta-feira, os atores vieram do 6º ano, encenando A História do Príncipe Luís, O Rei que ficou cego, A princesa que se perdeu na floresta, A Dupla existência da verdade e O Vaqueiro que não sabia mentir. Já na última noite tivemos os 8ºs apresentando Antígona, Tristão e Isolda e Rainha Lear e os 9ºs com O Inspetor Geral, Romeu e Julieta e A Megera Domada.

O time de jurados contou com a presença dos ex-alunos Victória Ariante, Luma Eckert e Manu Abussafi, além de nomes do teatro santista como Bruno Fracchia, Renato Bellamin e Roney Maya.

As noites foram mágicas e propiciaram aos alunos a vivência de poder fazer arte. Além disso, a platéia formada por pais, alunos e convidados recepcionou os alunos calorosamente os apoiando na interpretação. O teatro é uma forma de estimular a fala em público, a desenvoltura de diálogo, a vergonha, entre outros, que de certa forma ajudam na formação de um bom profissional.