Será que estamos sozinhos na imensidão do cosmo?

Texto por Pedro Frezza

Foto: Shutterstock

Em uma simples conversa casual entre amigos, o físico Enrico Fermi discursava sobre vida inteligente extraterrestre. Expondo aos seus amigos o seu entendimento sobre o tema, ele faz a seguinte pergunta: “então, onde eles estão?”. Claramente ele está se referindo aos alienígenas, uma pergunta que ninguém sabia responder, mas muitos estavam dispostos a descobrir a resposta. A partir desta história criou-se uma grande teoria que procurava explicar o porquê de nunca termos encontrado vida extraterrestre dando origem ao Paradoxo de Fermi. 

Primeiramente, para introduzi-lo às especulações científicas atuais, nós faremos algumas suposições com números. Atualmente, através de estudos astronômicos, estima-se que em nosso universo existam mais de 1 sextilhão de estrelas. Contudo, apenas alguns tipos destas possibilitam que haja o surgimento de vida, que são aquelas que se assemelham às características do Sol. Por isso, estima-se que existam ao menos 1 quintilhão de corpos que são  proporcionais ao Sol. Se assumirmos que pelo menos 1% das estrelas possuam um sistema solar que apresenta um planeta com condições similares às da Terra, ainda teremos 10 quadrilhões de corpos celestes. 

Todavia, não sabemos quantos desses astros levarão seus fenômenos geológicos/químicos a gerarem vida inteligente. Desta maneira, faremos outra suposição, vamos assumir que pelo menos 1% desses planetas tiveram a oportunidade de gerar vida terrestre suficientemente avançada, ainda teremos 100 trilhões de planetas que supostamente produziram vida alienígena. Evidentemente, ainda podemos afunilar mais ainda esse grupo, vamos supor que, de todos estes planetas, apenas 0,0000001% deles se situam na nossa galáxia e desenvolveram uma civilização a um nível próximo ao nosso, ainda teremos 100 mil corpos celestes que abrigariam vida inteligente, mas, mesmo assim,  até hoje nunca tivemos nenhum sinal deles. Por isso, muitos se perguntam: “onde eles estão?”.

Partindo desta linha de pensamento, intelectuais utilizam uma hipotética escala que indica o índice de desenvolvimento de uma espécie, conhecido como a Escala de Kardashev. Esta cria três subdivisões: sociedades tipo 1, que são aquelas que são capazes de armazenar e utilizar toda a energia proveniente de seu planeta; sociedades tipo 2, que são aquelas que conseguem armazenar e utilizar toda a energia de sua estrela; e as sociedades tipo 3, que são aquelas que tem a capacidade de armazenar e utilizar toda a energia de sua galáxia. 

Para sua surpresa nós, seres humanos, não somos nem tipo 1 ainda, o que significa que apresentamos um nível de desenvolvimento medíocre quando somos comparados com o que podemos encontrar no espaço. Obviamente, existem planetas que são bem mais antigos que a terra, por isso podem apresentar comunidades alienígenas que estão se desenvolvendo a muito mais tempo que nós. Se formos minimalistas e assumirmos que apenas 0,1% daqueles 100 mil sociedades chegaram ao tipo 2 ou 3, ainda teremos pelo menos 100 povos extraterrestres que vivem perto de nós e que, apesar de suas enormes conquistas tecnológicas, ainda não nos notaram (ou não nos deram sinais de suas existências), mesmo que nós estejamos enviando sinais constantemente. 

Neste momento, vamos te introduzir ao Paradoxo de Fermi, que não possui uma solução exata, mas demonstra algumas hipóteses do que possa estar acontecendo. Diante desta teoria, existem duas linhas de pensamento que se adequam à realidade: 

1- Não existem civilizações tipo 2 e 3 e, por isso, eles não recebem nossos sinais e também não conseguem enviá-los

2- Estas civilização tipo 2 e 3 existem, mas preferem não estabelecer contato

Devido à idade do universo é fato que diversas comunidades já tiveram tempo suficiente para se desenvolver aos tipos 2 e 3, porém, se hoje nenhuma delas existem, isso significa que em algum momento de sua história elas se depararam com um evento de extinção, que atingiria toda sociedade inteligente que alcançasse um certo nível de desenvolvimento, explicando assim, seu desaparecimento. Isto nos leva a supor que este repetitivo evento de destruição total das espécies funciona como um “grande filtro”, o qual leva à extinção de quase todas ou todas as espécies que chegassem a ele. A partir dessa lógica, podemos crer que, ou já passamos por esse filtro e estamos salvos, ou nossa hora está chegando. 

Contudo, pode ser que esse “grande filtro” seja uma grande farsa e, na verdade, já existem civilizações tipo 2 e 3, mas elas não querem fazer contato conosco, mas por quê? A primeira possibilidade envolve história do surgimento do homem, já que os Homo Sapiens existem há mais de 200 mil anos, mas passamos a registrar nossa história há apenas 5 mil anos, com isso, pode ser que nós já tenhamos recebido sinais extraterrestres, porém não tínhamos a capacidade de recebê-la e entendê-la na época. A segunda possibilidade envolve a teoria de que comunidades inteligentes alienígenas estejam se comunicando por meio de uma tecnologia que ainda não conhecemos e, por isso, não percebemos suas mensagens. 

Entretanto, também existe a possibilidade que nós sejamos apenas animais esperando para sermos abatidos por uma civilização superior para que esta se sirva de nossos recursos e conhecimentos. O que você acha? Pensa que somos apenas algum incrível acidente biológico dentro do universo e por enquanto estamos sozinhos? Ou você acha que estamos sendo vigiados por alguém na imensidão do cosmos? Boas reflexões.

Anúncios

Conheça a história do gato que mudou a física quântica

Texto por Pedro Frezza

Arte: Autor desconhecido

Não, você não entendeu errado.  Há 84 anos, o físico teórico Erwin Schrödinger, em 1935, publicou sua teoria sobre um misterioso gato que estava vivo e morto ao mesmo tempo. Neste momento você deve estar pensando que esta história não passa de papo furado, mas tenha calma. Vamos te mostrar quem é esse cara e a incrível magnitude e profundidade de seus pensamentos ao redor da física quântica. (Ps: Exercitaremos bastante a sua imaginação.)

Ganhador do Prêmio Nobel em 1933, Erwin Schrödinger dedicou sua vida a estudar os mistérios da mecânica quântica, chegando até a criar uma equação com seu próprio nome! Devido a grande complexidade de suas teorias, ele elaborou um experimento/paradoxo mental, conhecido como o Gato de Schrödinger, para explicar toda essa confusão física para nós leigos.

Bom, antes da história do gato vivo-morto, é preciso apresentar um conceito para facilitar seu entendimento sobre este paradoxo. Falaremos agora sobre a teoria da Superposição dos átomos, que é um tanto quanto confuso, mas fará seus minutos valerem a pena. Esta pode ser entendida como o estado da incerteza ou não-conhecimento sobre as condições de que um corpo está sujeito. 

Imagine um pirulito com uma embalagem surpresa e seus vendedores indicam que este pode ter sabor de framboesa ou tutti-fruty, desta maneira, você não sabe qual será o gosto do pirulito antes de colocá-lo na boca. Schrödinger entenderia que o pirulito não possuiria apenas duas classificações (framboesa ou tutti-fruty), mas também uma terceira, que seria representado pelo momento anterior ao ato de introduzi-lo na boca, onde nos encontramos em um estado de incerteza sobre qual será o gosto do pirulito.

Agora, transfira essa situação para um átomo que pode se apresentar de duas formas, contendo a energia B ou contendo a energia A, formando assim, um sistema de dois estados. Neste caso também podemos identificar uma terceira condição, que é chamada de Superposição, momento anterior à análise do átomo, onde não é possível ter certeza sobre qual é a sua energia. Desta maneira, é extinguido o estado de superposição ao quantificar e classificar o átomo em questão (instante após colocarmos o pirulito na boca onde descobriremos seu sabor saindo do estado de não conhecimento em relação ao seu gosto). 

Foto: Revista Galileu

Não é possível quantificar ou classificar um átomo em superposição, pois esta é a condição da incerteza, onde não conhecemos sua composição específica. Ao sanar a dúvida por analisá-lo (descobrindo sua energia), excluímos a incerteza (superposição) e este assumirá, automaticamente, o valor da energia A ou da energia B, anteriormente citados. Ou seja, o átomo decidirá seu valor no momento em que paramos para observá-lo. Isto nos leva à interessante conclusão de que não é possível medir o valor de um átomo em estado de Superposição. 

Contudo, também nos leva a crer outra coisa, imagine agora que este átomo é a nossa vida, a partir deste referencial pode-se inferir que todos fatores tangíveis e visíveis a nossa realidade são gerados momentaneamente, em outras palavras, apenas quando algo é notado sua existência se concretiza, mas, antes de ser observado, o objeto em questão poderia até mesmo não existir, pois não o conhecíamos até então. Totalmente contra intuitivo, não é mesmo?

Entendendo este conceito é possível introduzir o verdadeiro assunto desta matéria. Neste momento crie um cenário em sua cabeça. Idealize uma caixa com um gato dentro, estando este totalmente isolado do exterior. Agora insira dentro desta caixa uma substância radioativa e um medidor de radiação (Contador Geiger). Pronto, os materiais já foram colocados, agora vamos entender como o experimento funciona. 

Caso a substância radioativa ali dentro enfraqueça (decair em termos físicos), o medidor de radiação identifica esta alteração e ativa um mecanismo que matará o gato, mas caso isso não aconteça, o animalzinho continuará vivo. Contudo, lembra daquele composto mortal que você colocou dentro da caixa? Então, ela está em estado de superposição, em outras palavras, ela pode enfraquecer (decair) ou não, por consequência, o gato inteiro entra em um estado de vida ou morte, pois não se sabe se ele morrerá ou não. 

Portanto, o gato não está vivo nem morto, ele apenas se encontra em estado de superposição, já que a sobrevivência dele depende de outro corpo (substância radioativa). Em adição, pela lógica que propusemos no parágrafo anterior, se por acaso decidirmos olhar dentro da caixa para dar uma checada no gatinho, ele sairá de seu estado de superposição e você poderá observar se ele bateu as botas ou se permanece firme e forte. E aí, para você, o gato está vivo ou morto? Boa sorte ao quebrar a cabeça para tentar desvendar este paradoxo!

FOTO: ZANSKY, REBECA CATARINA E GUILHERME HENRIQUE
FOTO: ZANSKY, REBECA CATARINA E GUILHERME HENRIQUE
FOTO: ZANSKY, REBECA CATARINA E GUILHERME HENRIQUE
FOTO: ZANSKY, REBECA CATARINA E GUILHERME HENRIQUE

Por quê o reservatório de Los Angeles virou uma piscina de bolinhas?

Texto por Noah Mendes

Foto: EPA

O Reservatório de Los Angeles, na Califórnia, tem usado 96 milhões de ‘Shade Balls’ (ou bolas de sombra em tradução livre) como uma solução para o problema da água que está chegando cancerígena nas torneiras. A medida também está ajudando a combater a evaporação e excesso de cloro.

A água estava chegando contaminada durante o processo de filtração, pois o brometo (não-cancerígeno) vindo da água salgada reagia como o ozônio (não-cancerígeno) e produzia bromato (cancerígeno). Essa reação tinha como produto apenas três microgramas por litro de bromato, o que estava dentro das regulações permitidas de até 10 microgramas por litro. Porém, quando testaram essa mesma água no momento em que chegava às torneiras, foi encontrado dez vezes mais bromato. Com isso, foi possível perceber que entre a filtração e a torneira havia o reservatório aberto onde ocorria uma outra reação química. Quando a água chegava no reservatório aberto, o brometo e o cloro (usado para a purificação da água) em contato direto com os raios UV produziam ainda mais bromato do que quando se tinha o ozônio.

Gif: Reprodução/BBC

Com isso veio a ideia de usar as “Shade Balls”. Elas são bolas que se assemelham às de uma piscina de bolinhas, porém são pretas e  feitas de polietileno revestido com um material que bloqueia a passagem dos raios ultravioletas. Elas também são enchidas parcialmente com água para evitar que voem facilmente e parem nas estradas que passam perto do reservatório. 

As Shade Balls são pretas pois o pigmento preto é seguro para ficar em contato com água potável, dura mais de 10 anos e a melhor cor para bloquear os raios UV. Com isso, elas evitam a formação do bromato, a proliferação de algas (dispensando o uso abundante de Cloro) e a evaporação em excesso (como são enchidas predominantemente com ar elas conseguem manter a água menos quente).

Saiba como você pode ajudar o mundo com sua menstruação

Texto por Carolina Sousa

Foto: Getty Images/iStockphoto

De 28 em 28 dias, normalmente, muitas mulheres menstruam, uma resposta natural do corpo ao fato de ter um sistema reprodutor funcional e não estar esperando por um filho. Com isso, o uso de absorventes e tampões torna-se indispensável para a maioria, que varia entre um e três pacotes por mês (cerca de 12 unidades por pacote).

Desde a chegada dos absorventes ao Brasil em 1930, suas formas variam com diferentes opções de abas a períodos do dia e intensidade do fluxo. Porém, o que pouca gente sabe e reflete é sobre o impacto ambiental causado pelo uso do mesmo. Durante toda a vida, uma mulher pode chegar a usar mas de 10.000 produtos descartáveis relacionados a menstruação. O impacto ao meio ambiente começa desde a sua produção, utilizando matérias primas oriundas do petróleo e da madeira, até o seu descarte, por não ser um material reciclável ou biodegradável e demorar até 500 anos para se decompor.

Não apenas pensando em um viés ecológico, mas, economicamente falando, os gastos com produtos que uma pessoa tem que arcar somam aproximadamente 450 ciclos. Sendo assim, considerando cada absorvente com um custo de R$ 0,60, o total pode chegar a até R$ 6000,00! Um número como esses torna a posse dos tais inimaginável por indivíduos em situações de pobreza, principalmente em situação de rua.

Foto: BBC News

No entanto, com o tempo, novas formas para absorbância foram criadas, como calcinhas e coletores (copinhos) menstruais. A primeira opção apresenta-se como mais confortável para alguns. A roupa íntima constitui em uma de aparência normal, mas que conta com várias camadas, dentre elas uma impermeável para onde o sangue será, enfim, direcionado. Sem tempo de adaptação necessário, em seus primeiros dias de uso, é aconselhável prestar atenção no período máximo em que poderá usá-la, dependo da intensidade de seu ciclo.

Um exemplo, é o produto da marca “Pantys” que, além de ser vegano, reutilizável e, em alguns casos, biodegradável, também é feito em território brasileiro, uma boa oportunidade de apoiar o mercado nacional. O preço de uma peça varia entre R$ 75,00 e R$105,00, durando 50 lavagens (dois anos). Já a marca Korui, que também vende absorventes de pano/algodão (entre R$ 25,00 e 34,00) e tem uma pegada totalmente ecológica.

O coletor menstrual, por outro lado,  com um custo entre R$85,00 a R$150,00 e duração de 5 a 10 anos, pode apresentar certo desconforto no período de adaptação, que dura de 2 a 5 ciclos, apresentando também duas contraindicações. Pessoas que pariram em menos de 40 dias ou que nunca tiveram relações sexuais não devem usar o copinho. Com duas opções de tamanho, para quem já teve filhos ou não, também é muito bem recomendado no mercado e de fácil acesso!

Foto: Korui

E você, está prontx para dar o próximo passo e fazer sua parte pelo meio ambiente?