Engenharia e exatas: por que meninos se interessam mais que meninas?

Texto por Melissa Alfinito

Foto: Shutterstock

Não sei se vocês já perceberam, mas existe mais interesse em cursos de exatas por parte de meninos do que de meninas. É muito mais comum a gente conhecer vários garotos que querem fazer engenharia do que conhecer meninas interessadas nessa área. Sim, óbvio que existem mulheres engenheiras, mas a comparação é quase ridícula, porque a porcentagem de homens cursando engenharia ou já exercendo essa profissão é nitidamente maior do que o número de mulheres. Um exemplo é os Estados Unidos em que só 11% dos engenheiros no país são mulheres. Porém, existe uma explicação muito específica para esse, digamos, fenômeno.

Uma moça chamada Debbie Sterling notou esses fatos quando já cursava engenharia e talvez a gota d’água pra sua motivação em entender essa disparidade de interesses foi quando, em um dos projetos do curso, a classe tinha que desenhar algo tridimensional e ela teve uma dificuldade absurda, enquanto seus colegas homens terminavam com rapidez e facilidade. A partir disso e depois de quase desistir de engenharia, ela decidiu estudar o motivo e chegou à conclusão de que isso acontece por que nós, mulheres, não temos contato com o raciocínio da montagem e da lógica quando crianças, diferente dos meninos que sempre tem um brinquedo de montar. Parece bobo, mas estimuladas a quererem ser princesas desde cedo e apenas apresentadas à bonecas com historinhas românticas fazem, em grande parte dos casos, muitas meninas seguirem essa linha de pensamento e desenvolverem habilidades mais artísticas e comunicativas do que lógicas. De certa forma, não é um problema, mas é curioso observar a diferença gritante entre os brinquedos que os meninos têm quando pequenos e aqueles que meninas têm, pois parte-se de um ideal de comportamento que meninas devem seguir por serem meninas e assim, do mesmo jeito, com os meninos. 

Não há nada de errado em apresentar, igualmente, carrinhos, por exemplo, tanto para um quanto para outro, o que é até muito mais vantajoso, porque ambos terão a possibilidade de desenvolver as habilidades consequentes. Assim como também é muito interessante pensar na possibilidade de diferença de padrões que teríamos se, desde cedo, meninos fossem apresentados à Barbies e histórias românticas. Os dois aspectos dos brinquedos tendem para uma padronização de comportamento, mas o fundamental seria não só desconstruir essa ideia restrita, mas também balancear ambos os lados, incentivando o lado artístico, emocional, racional e lógico dos meninos e das meninas

Com amor, filosofia

Texto por Rafael Amin

Foto: Divulgação

O que é filosofia? Eu não soube responder quando a sobrinha do Joca me perguntou no meio da olimpíada de filosofia. Acho que conseguiria explicar correntes filosóficas, pensadores e conceitos, mas nunca pensei no que era filosofia em si. Depois disso eu parei para pensar sobre o assunto, levando em consideração toda a experiência da própria olimpíada, e acho que acabei ressignificando um pouco essa matéria.

Ao contrário de outras olimpíadas, a de filosofia não é uma prova e, sim, a apresentação de um trabalho artístico cujo o tema nesta edição foi felicidade. Isso quebra um pouco uma noção “intelectual” que muitas pessoas tem sobre a matéria e as primeiras aulas preparatórias refletiram isso. No começo só debatemos qual conceito de felicidade que abordaríamos no trabalho. Alguns alunos iam mais para um caminho Schopenhaueriano, já outros tinham tendências mais estoicas. Essas conversas não chegavam a ser pedantes, elas foram até um pouco caóticas para ser honesto, acabamos às vezes nos perdendo e fofocando sobre a vida.

Todo esse caos foi ganhando forma e depois de umas quatro aulas decidimos o que iríamos fazer: uma peça, um poema que acompanharia um vídeo e uma exposição interativa onde as pessoas escreveríam o que tira a felicidade delas. Mesmo assim as coisas continuaram um pouco bagunçadas, o roteiro não andava, tinha muitos atores e poucos personagens, mas no final tudo deu certo. E então, com tudo já pronto, fomos à São Paulo. 

Vencer é bom, não vou negar, mas a sensação de realização na olimpíada de filosofia é diferente. Não tem vencedores, mas simplesmente ver a apresentação que o grupo montou com tanto esforço foi algo indescritível. Quando tudo acabou senti uma vontade estranha de simplesmente aplaudir e abraçar todos os envolvidos. O resto do dia em São Paulo também foi fascinante, um choque cultural com as outras escolas, outros alunos e professores, e com a própria cidade de São Paulo. Tudo isso mostrou que filosofia não precisa ser pedante nem chata, ela é uma espécie de bagunça fantástica de ideias e pessoas.

Mas honestamente, mesmo pensando em tudo isso, ainda acho que não saberia responder o que é filosofia. Acho que nem quero, tenho medo de perder todo esse caos maravilhoso quando defini-la. Se eu pudesse responder a sobrinha do Joca agora acho que só daria uma risada, falaria que também não sabia direito o que era, só que tinha haver com amor e com sabedoria e que, um dia talvez ela seja, assim como eu fui e acho que os outros participantes da olimpíada também, amaldiçoada a amar essa matéria.  

Mudança: a constante da vida

Texto por Isabella Gemignani

Foto: autor desconhecido

O mundo, nas palavras do filósofo Heráclito, é um eterno devir. Afinal, a constância da vida reside, essencialmente, no fato dela ser inconstante. Estamos, o tempo todo, sujeitos à mudanças, sendo movidos ou movimentados por elas, criando-as ou sofrendo seus efeitos, e sendo transformados, minuto por minuto, dia por dia e ano por ano, por causa delas. Porém, entre todas as modificações que nos cercam, uma coisa permanece inerte: o fato de estarmos, sempre, vivendo conosco – presos em nossas cabeças e, ainda assim, incrivelmente livres. 

Pensar que é impossível fugir de si mesmo parece ser, a princípio, desconfortável, e mesmo solitário, já que, entre todas as sete bilhões de pessoas no mundo, o seu “você” é o único que vai permanecer, resistindo à todas as oscilações, desafios e ao tempo, rumo à eternidade. Mas, nessa unidade permanente entre o corpo e a nossa companheira mente, temos a oportunidade de, sozinhos e condenados à liberdade, escolher as cores com as quais pintamos nossas tábulas rasas e de nos aperfeiçoar, decidindo quem queremos ser em um universo de opções (escolha que, também, muda ao longo do tempo, pois, anos atrás, a pessoa que você é hoje simplesmente não existia). Nisso, estamos constituindo, pouco a pouco, o nosso dasein  – um projeto, sempre em construção, da pessoa que seremos no futuro, que será atingida por meio do amor próprio, ao casulo que nós construímos, que, quando praticado efetivamente, abrirá caminhos para tornarmos quem projetamos e sermos feliz em nossas escolhas, que fizemos e que fizeram nós. 

Esse amor a si. Não apenas um exercício de consideração própria, ele é uma prova do livre-arbítrio que carregamos em nosso dasein: se amar em um mundo que oprime, institui padrões e exige mudanças é um ato de liberdade inigualável e até de rebeldia. Talvez seja por isso que esse amor seja constantemente perdido e achado, mudado muito mais vezes do que deveria, já que mantê-lo por perto às vezes parece carregar um pesar totalmente diferente do que sentimos quando sentimos o amor. Ele é um sentimento que requer coragem e é um meio de construir asas, que, vindas tanto da dor quanto da felicidade, nos carregarão planeta afora, à medida que crescemos rumo a nossos objetivos. 

Obviamente, nem sempre saberemos para onde nortear essas nossas asas, dado que nem nossos corações nem nossos cérebros têm mapas nos dizendo onde devemos ir. No entanto, mesmo se perder em um caminho pode ser uma maneira de encontrar a si, ao outro (já que, embora nascemos sozinhos, não necessariamente assim andamos ou permanecemos), e a uma série de coisas incríveis e completamente desconhecidas. Às vezes, um salto no escuro é necessário para despertar aquela luzinha adormecida dentro de nós, afinal, são entre rumos “certos” e “errados” que as mudanças são despertadas.

Um certo autor que admiro certa vez disse que um homem pode se resumir a um dia de sua vida. Independentemente se existe um destino seu já estabelecido ou um que está sendo traçado nesse exato momento, somos no dia de hoje, apesar de nosso dasein ou outros planejamentos, dúvidas e ansiedades. A vida é agora e esse é o seu verdadeiro significado. Todos esses fragmentos desses instantes, que no futuro irão se juntar a outros pedaços e compor uma história, são momentos a serem vividos e aproveitados, porque é assim que é se sentir vivo nesse segundo.

“Tudo flui e nada permanece”, disse Heráclito. De fato, viver é mudar, constante e incessantemente. Mas talvez isso seja uma coisa boa, afinal de contas, se não recebessemos um empurrãozinho, jamais sairíamos do mesmo lugar, jamais seríamos quem somos hoje e jamais teríamos a liberdade de conhecer o universo que nos aguarda. Temos que usar nossas asas, feitas pelo amor próprio, para voar, com aqueles que amamos ao nosso lado, para fora de nossa colméia, procurando conhecer o mundo, que é tão grande, tão incrível e que espera por nós e pelo nosso projeto, em um ato de mudança. 

Entenda o que é o mercado de opções e como ele afeta a economia de alguns países

Texto por João Ricardo Castro

Arte: autor desconhecido

Essa é a página de economia do Fala JP! Aqui pretendo falar sobre atualidades referentes à economia e como elas podem mudar por completo as atitudes de um país. Vamos abordar assuntos frequentes, dos quais poucas pessoas tem conhecimento e são muito importantes. Você também vai saber como investir sem perder dinheiro na renda fixa e na renda variável.

O mercado de opções se resume na negociação de opções de compras de ações e commodities. Ele é baseado no anúncio de opção de venda ou compra de uma quantidade fixa de um produto de preço fixo, com uma data de vencimento da opção. Essa opção possui um custo decidido pelo vendedor e tem diferenças entre o continente europeu e o americano.

Por exemplo: imagine que existem duas pessoas, A e B, ambas possuem conhecimento do mercado de ações e estão negociando ações da Petrobrás que hoje custam 10 reais. A pessoa A que tem uma ação, acha que a mesma vai cair para 9 reais amanhã, enquanto a pessoa B acha que está mesma ação estará custando 11 reais. Então sabendo dessa situação, a pessoa A colocar uma opção de compra para sua ação de 10 reais custando 0,50 centavos com prazo para o dia seguinte. A pessoa B achando que a ação estará mais cara amanhã compra a opção por 0,50 centavos para que possa adquirir a ação por 10 reais amanhã. Só que no dia seguinte a ação caiu e está custando 9 reais. É claro que a pessoa B não vai comprá-la mais caro por 10 reais e sim por 9, então a pessoa A fica com sua ação e ganha 0,50 centavos, que é equivalente a 5% do preço da ação de um dia para o outro.

Agora imagine isso na escala de bilhões de dólares, onde a expectativa não é de ficar 10% mais barato ou mais caro, e sim 30%. Fazendo as contas se a pessoa A fizesse a mesma coisa com 10 bilhões de dólares no mesmo cenário econômico onde ela acha que amanhã estará valendo 10% a menos e a pessoa B acha que estará valendo 10% a mais, ela vende a opção de todas as ações somadas com o valor de 500 milhões. No dia seguinte, caso esteja 10% mais barata a pessoa A ganha 500 milhões da noite pro dia.

Você já imaginou poder controlar o mercado para que uma ação fique mais cara ou mais barata conforme a sua vontade e poder usar isso para negociar opções ?

Em alguns países o presidente do mesmo tem influência o suficiente para controlar isso, o Donald Trump, por exemplo, já usou desse mercado várias vezes. Basta ele fazer um Tweet falando mal do governo da Rússia e pronto. O mercado fica apreensivo e commodities como ouro e prata se valorizam muito por serem um lastro global. Lastro global é algo que não perde valor, por exemplo, o seu dinheiro que está no banco só vale por ter uma quantia em ouro por trás. Se isso não existisse ocorreria uma crise como a de 29. Isso também acontece com o dólar por ser a moeda mais forte do mundo. Essa tensão causa um medo do que pode acontecer e o mercado “para” por um momento. As pessoas compram ouro e dólar por serem lastros e estes se valorizam. 

O Trump avisa amigos especialistas que irá fazer um Tweet, esses especialistas compram muitos dólares e preparam opções para uma data muito além do dia do Tweet, de forma que a opção fique disponível durante a alta do dólar. O dólar dobra o seu valor, enquanto isso as opções de compra custam 50% dele e as pessoas podem comprá-lo pelo seu valor original de 100% que, somado com o preço da opção da 150%, que é muito melhor que 200% que seria o dobro do preço do dólar. Quando o dólar voltar a seu preço normal os especialistas que colocaram a opção a venda terão agora 150% do anterior. Ou seja, se antes tinham 10 dólares agora tem 15, porém como é em escala governamental não são 10 dólares e sim 10 trilhões de dólares, que agora são 15 trilhões.

Um dos presidentes que mais utiliza dessa estratégia é o presidente da China, Xi Jinping, que juntamente com Trump e Putin formam um ciclo de negociações e praticamente geram dinheiro.

Foto: Reprodução

Resumidamente esse é o mercado de opções e é assim que ele é utilizado em larga escala por quatro ou cinco países que dominam a economia global através dele.

Você já olhou ao seu redor?

Texto por Carolina Sousa e Bernardo Louzada

Foto: autor desconhecido

Nessa editoria falamos muito sobre a poluição do mundo inteiro, mas um assunto que quase nunca tocamos é a poluição das nossas praias. Você já viu como elas ficam depois de grandes eventos? Mas deixa eu te contar uma surpresa, elas ficam assim no cotidiano… 

Fomos abençoados com uma magnífica praia tão pertinho de todos nós, porém não sabemos como aproveitá-la e retribuir com o mesmo carinho. Poderíamos te contar diversos fatos embasados como o dado de que despejamos 60 toneladas de lixo no mar por dia porém, não é preciso de muito para perceber, pessoalmente, nosso impacto nesses quilômetros de praia. 

Logo, ao invés de debater a importância de não poluir (algo nem um pouco novo nessa editoria), viemos propor um experimento. Mesmo vestibulando, não gostando de praia ou até praieiros conseguem pelo menos 10 minutinhos de um dia para fazer isso, então não venha com desculpas kkkkk. A ato de andar na praia, além de melhorar seu equilíbrio, emagrecer e melhorar o humor pela liberação de endorfinas, é o melhor exercício para a percepção do impacto direto que causamos no meio ambiente. Além de podermos perceber esse último com tanta veracidade, se você estiver pront@ para esse choque, leve uma sacola (de pano, hein…) em sua próxima caminhada e tente recolher o máximo de lixo possível nesses 10 minutinhos.

Para os banhistas de sol, outra alternativa é, mesmo deitad@, procure ao seu alcance plásticos em forma de bolinhas, tampinhas, palitos, etc e o resultado será tão tristemente surpreendente quanto o primeiro teste. 

Isso não está ligado a falta de lixeiras ou a ineficácia de órgãos de limpeza, nós somos aqueles responsáveis. Com a sacola cheia, procure engrandecer a sua consciência e na próxima vez que você visitar a praia como banhista, lembre-se de recolher seu lixo (isso também vale para falar para seu amigo) para, quando estiver indo embora, descartar na lixeira mais próxima, lembrando sempre de descartar plásticos limpos nos recicláveis!! 

A importância disso se deve ao fato de que, principalmente em épocas de grande oscilação das marés, além de poluir a areia, os lixos que nela se acumulam, são encaminhados direto ao mar, agredindo o ecossistema marinho e causando diversos problemas ambientais, alguns desses já citados em artigos de edições anteriores. 

Pode parecer de senso comum, porém, não seria preciso falar sobre isso se esse fosse de fato aplicado. Logo, este artigo vai como um adendo ao final de ano e a multidão que se acumula na praia, porque nossa diversão não deveria ser a custo da saúde do meio ambiente e aos pequenos seres inocentes que nele habitam 🙂 

Contamos com a sua ajuda para tornar Santos mais bonita!

Eu sou, eu sou, eu sou

Texto por Ana Badialle

Os últimos dias de Sylvia Plath (Foto: autoria desconhecida)

É difícil explicar algumas coisas muito sentimentais, como o que eu estou tentando fazer aqui e já falhando. Mas é que existem alguns livros que estabelecem algo com você, é quase um pacto que criamos com eles, suas palavras e seu autor. É um pacto muito sério, pelo menos, para mim. É como se eu desse o poder para o autor conhecer meus sentimentos e como se ele me emprestasse suas palavras para eu contar o que eu entendo de mim e do outro. Bom, eu tenho esse pacto com a Sylvia Plath.

Se você nunca ouviu falar dela, ela foi uma poeta e romancista estadunidense da década de 1950. Ela escrevia um gênero de poesia chamado “poesia confessional”, que revela aspectos íntimos do eu-lírico e trata de assuntos como morte e depressão, no caso de Sylvia, assuntos como a sexualidade feminina entre outras ideias parecidas. Sylvia Plath cometeu suicídio em fevereiro de 1963, pouco tempo depois de ter lançado seu primeiro romance, “A Redoma de Vidro”.

Por algum motivo, existe a ideia de que esse livro corresponde ao que seria a atual literatura infanto-juvenil, só que do século passado. Talvez essa ideia tenha se difundido porque o livro narra em primeira pessoa um momento da vida de Esther Greenwood. Uma jovem universitária estudiosa e esforçada que ganha uma bolsa para estagiar em uma revista de moda, em Nova Iorque, durante um mês, com direito à muitas festas, eventos glamurosos, junto de uma quantia boa de dinheiro para que ela possa se manter na cidade. 

A princípio, Esther parece estar realizando o sonho de muitas garotas de cidades pequenas. Ela é uma aluna de destaque, cheia de prêmios e novos contatos em uma cidade grande capaz de abrir inúmeras oportunidades para uma jovem como a protagonista. Mas, apesar dessa ideia errada do livro ser bem famosa, ele essencialmente trata sobre uma garota que se depara com seu vazio monumental no início de uma vida previamente bem sucedida, em uma metrópole,  sendo sugada por uma depressão severa no verão de 1953.

Quanto à ideia de pacto com os autores, eu tenho esse contato com a Sylvia Plath que se dá muito pelo seus poemas, mas, principalmente, por esse seu único romance que é “A Redoma de Vidro”. Logo nas primeiras páginas você pode sentir parte do desespero da protagonista por não estar vivendo esse momento, considerado uma ascensão de sua vida, da maneira como ela esperava que viveria, muito menos realizando as coisas que os outros esperam que realize em seu posto privilegiado. Esther se imagina constantemente ligada à ideia de morte e, gradualmente, ela passa a se perceber cada vez mais como alguém fadada a carregar um cadáver, como ela mesma se descreve. 

É difícil determinar o início de uma crise quando se tem algo similar ao que passa Esther, parece não ser algo em específico e sim, apenas sua existência sendo “cozida pelo seu próprio ar dentro de uma redoma de vidro”, como descreve Esther. Mas um dos motivos para a depressão da protagonista é a maneira como ela se enxerga na sociedade, como ela tenta entender o papel da mulher na década de 1950. Há bastante tempo, durante o período vitoriano na Inglaterra, Virginia Woolf havia descrito o conceito de “anjo do lar”, algo que explica muito bem a situação da mulher no contexto conservador. O anjo do lar seria a mulher recatada, que abre mão de tudo para proteger a ideia da constituição de uma família tradicional. 

Durante a escrita de Sylvia, em “A Redoma”, é fácil de observar a dura decisão de romper o ideal de pureza de mulher, entre matar ou não esse anjo que rondava a protagonista para que ela possa viver uma carreira plena. Mas é em um determinado momento que Esther se enxerga incapaz de tomar essa decisão, de seguir com seus possíveis futuros, ela imagina todas suas possibilidades se deteriorando aos seus pés, enquanto ela não consegue fazer nada por estar paralisada, restando à ela apenas observar seus inúmeros possíveis projetos que ela havia idealizado, se dissolverem rapidamente na sua frente. 

Com o passar da história, a loucura vai tomando conta da sanidade de Esther, ela se vê cada vez mais presa dentro dessa redoma de vidro e ninguém consegue entendê-la. A história vai perdendo seu controle, ela é internada, passa por tratamentos de choque por sua condição, entre vários outros acontecimentos que a fazem perceber que ela não sabe lidar com seu vazio, muito menos com sua ideia de carregar um cadáver por aí, nem com mais nada que envolva estar viva. 

Segundo os diários da autora, “A Redoma de Vidro” é quase uma história autobiográfica, assim como Esther Greenwood, Sylvia Plath trabalhou em uma revista de moda no verão de 1953 e a maior parte dos acontecimentos do livro passam longe de serem apenas ficção. Dez anos depois desse verão, após a publicação do livro, Sylvia cometeu suicídio em sua casa deixando uma vasta coleção de últimos poemas e cartas. Não é fácil o contato com essa história que grita melancolia por suas páginas, mas não é difícil sentir que esse livro, assim como os poemas dela, estão ali para mostrar a dor de uma existência suicida, o peso que é viver sentindo sua vida se despedaçar aos seus pés. Há um trecho da história que pode resumir bem esse texto, Sylvia, Esther e tantos outros que sentem doer da mesma forma, “Respirei fundo e escutei o velho e orgulhoso som do meu coração. Eu sou, eu sou, eu sou.”

Eu sou um rapaz latino-americano

Texto por Enrico Zanetti

Foto: RODRIGO GARRIDO/REUTERS

Como diz a música de Belchior, “Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco…” a américa latina vive uma efervescência nos últimos dias, que só foi visto nos anos de chumbo. A Argentina abandonou na última eleição o projeto liberal e elegeu Alberto Fernández como Presidente e sua Vice Cristina Kirchner, que volta depois de quatro anos. Os eleitos, são ligados ao peronismo, que segundo Alejandro Grimson, professor da Universidade Nacional de San Martín e autor do livro “O que é o peronismo?”, que trata do assunto desde os anos 1940 até a década de 2010, “é um movimento popular, democrático e nacional da Argentina que tem entre suas pautas temas como a soberania nacional, a independência econômica e a justiça social que nasceu em 1945. A partir da chegada de Perón à Presidência, quando ele venceu as eleições em 1946, foi impulsionada uma série de reformas sociais, em áreas como direitos trabalhistas e civis. Por exemplo, em 1947 pela primeira vez as mulheres argentinas conquistaram o direito a votar. A Argentina viveu uma época de crescimento econômico. Reeleito em 1951, Perón foi deposto por um golpe militar em 1955 e foi forçado a ficar no exílio por 18 anos.”

A herança deixada pelo atual governo é uma Argentina que está sob tutela do FMI, que aprovou em 2016 seu maior empréstimo à um país, 56 bilhões de dólares, integralizados em diversas parcelas. A inflação deve fechar o ano próxima de 50% e a taxa de desemprego é de 10,6%. A pobreza disparou, atingindo cerca de 15 milhões de pessoas, ou 35,3% da população. Muito diferente a de 12 de agosto de 2017, quando o presidente eleito, naquela época, Mauricio Macri junto com a coalizão, Cambiemos (Mudemos), iniciou seu governo com a promessa de “percorrer os 20 melhores anos da história do país.” Não foi o que aconteceu.

Não diferente, está acontecendo no Chile, que há dias vive um levante popular contra o governo, após o anúncio de aumento nas tarifas de metrô em Santiago. Esse foi o estopim para uma onda de protestos contra o que a oposição chama de queda na qualidade de vida provocada pelas políticas liberais do governo de Sebastián Piñera. As manifestações e os confrontos continuaram mesmo depois de o governo revogar o aumento, com o exército nas ruas pela primeira vez desde o fim da ditadura. O saldo até agora é de mais uma dezena de mortes e muitos feridos, restaurantes e supermercados estão fechados. O mesmo discurso levou a manifestações no Equador, no início do mês, após o fim de subsídios aos combustíveis como parte de um pacote de ajuste fiscal acertado com o Fundo Monetário Internacional.

No Equador e no Chile há algo claramente em comum, que são as políticas de ajuste e seus impactos, diz o cientista político Claudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas. Em ambos as pautas parecem pontuais, mas ela rapidamente se alastra expondo um descontentamento profundo e estrutural com as condições econômicas e sociais dos dois países. As manifestações recolocam em circulação a experiência da luta de classes.

No mesmo momento que as ruas de Santiago ardiam em chamas, o Brasil votava a reforma da previdência, com base na experiência chilena. O ano de 2019 da América do Sul ainda teve troca de presidente no Peru e recentemente a renúncia de Evo Morales, presidente eleito na Bolívia, pela quarta vez.

A atual efervescência latina muito se reproduziu na música de Belchior, que foi um cantor que despertou o “sentimento latino” nos brasileiros, principalmente na música “eu sou apenas um rapaz latino americano”. Segundo Josely Teixeira Castro, doutora pela Universidade de São Paulo (USP), estudiosa das músicas de Belchior desde 1999 “a obra dele, para mim, é uma fonte inesgotável de conteúdo filosófico e humanista, de temas para vida e para além da questão intelectual” cuja a nossa condição latina e americana é expressada de forma elegante –  “…mas não se preocupe, meu amigo, com os horrores que eu lhe digo, isto é somente uma canção, a vida realmente é diferente, quer dizer, ao vivo é muito pior…”

Essa nova proposta é o cantinho do Fala JP! que você protagoniza. O CollabJP é um projeto que oportuniza aos alunos o envio de suas obras, entre elas: Cartaz, Pintura, Desenho, Fotografia, Vídeo e Música. Mande sua obra em bit.ly/collabfalajp. Postaremos nas próximas edições as obras enviadas durante o período entre edições. Contamos com você !

Confira o que enviaram para nós até agora 🙂

Fogo nas folhas

Enviado por Rafael Pinto

Fogo 
queima figo 
acende fome 
Mata, se é que você me entende
E, se não entende, 
olhe de novo 
Até que minha mensagem ilumine sua mente, 
Até que ela vire fogo, 
turbilhão de fogo,
Queimando seu pavio que é curto 
Chegando ao fim e mostrando o chucro 
Que traz o choro e, consequentemente, 
O couro, que aqui é sinônimo de pele 
E ironicamente faz você sentir na alma 

A queimação e o calor de ter o futuro incerto
Na verdade, certo
Certamente isolado, destruído,
Não Oportunizado e tido como incorreto
Mas esse fogo pode vir mais cedo 

Uma bola de fogo preta com quatro rodas
Que chega causando medo 
E sai deixando a saudade e o luto que incomoda 
E no final, tudo que gera esse fogo são folhas
Meramente representativas das bolhas
Que vão com a brisa e a nóia 
Mostrando que nossos valores são só as joias. 

7 dicas para mandar bem no ENEM

Texto por Anita Scaff

Foto: Divulgação

1-) Seja pontual

Alguns memes podem até ser engraçados, mas você não vai querer ser um deles. Verifique o seu local de prova (já disponível no site do ENEM) com antecedência e se organize para chegar com tempo sobrando. O fechamento dos portões é às 13h e o início da prova às 13:30. 

Foto: Pedro Kirilos / Agência O Globo

2-) Fique atento com a alimentação

Lembre-se de não ingerir nada duvidoso nos dias que antecedem a prova, afinal, seu corpo precisa estar em pleno funcionamento para o exame. Além disso, no dia do ENEM, faça uma refeição leve, pois ficar pesado na hora da prova também pode atrapalhar. Porém, é importante comer algo que te sustente para as próximas horas, assim você não precisa depender do lanchinho. 

Foto: Divulgação

3-) Não se desespere!

Tudo o que podia ser estudado já foi, confie no seu potencial! Todo o estudo e esforço realizado durante esse ano vai compensar e não existe motivo para agora, na reta final, se desesperar. Vai dar certo!

Foto: Depositphotos

4-) Fique ligado nas atualidades

Tanto para responder questões quanto para repertório em redação, é sempre importante ter domínio do que está acontecendo no mundo. Com o projeto “Atualidades em debate” e nas questões cobradas em todos os simulados (para os primeiros e segundos anos) e bezinhas (para os terceiros anos), o Jean Piaget já prepara os alunos para isso. No entanto, é sempre bom ficar atento aos noticiários. Além disso, não se esqueça que, para fazer uma boa redação, o repertório deve ser individual e nunca retirado dos textos de apoio!

Foto: Depositphotos

5-) Não esqueça de levar tudo o que precisa

Documento de identidade é obrigatório para a realização da prova e não vale carteirinha de estudante. Além disso, a caneta preta de tubo transparente é a única aceita (sem lápis ou borracha) e é sempre importante levar uma reserva. Leve algo para comer, mas nada grande para não perder muito tempo de prova com isso, ou com cheiro forte e que faça barulho, para não atrapalhar os outros candidatos. 

Foto: Reprodução/internet

6-) Dica para os treineiros do primeiro ou segundo ano

Faça a prova com calma, mas leve-a a sério. É muito importante que o resultado dessa prova esteja de acordo com a sua real preparação no momento, de modo que sirva de perspectiva para o ano seguinte. Além disso, é um ótimo treinamento para saber como realmente funciona a prova, o que facilita a se orientar no ano seguinte. 

Foto: Banco de imagem

7-) Descanse!

No dia anterior ao ENEM é importante que você não pense nisso. Embora seja difícil, não há mais o que revisar em um dia, então ocupe a cabeça com as atividades leves que você mais gosta de fazer e deixe a cabeça respirar. Além do preparo conteudista, é muito importante estar relaxado e deixar a mente tranquila para a prova. Se te agradar, experimente fazer práticas de mindfulness ou meditação, para que os pensamentos ruins se dissipem e sua cabeça fique livre para o que está por vir. 

Arte: Autor desconhecido

Boa prova! 🙂

O que a música faz com o seu cérebro?

Texto por Melissa Alfinito

Arte: Autor desconhecido

Você também tem uma música ou algumas músicas (eu sei, é difícil escolher uma só) que te fazem tão bem, te fazem sentir umas coisas tão doidas que quando você ouve, dá vontade de chorar? Ou também quando você está ouvindo aquela música perfeita e sabe a batida que vai vir, mas, quando vem é a melhor sensação de satisfação do mundo, principalmente, se isso acontece numa festinha? Então, se sim, eu tenho explicações científicas para isso e vim compartilhar YAAAY.

A música, no geral, está diretamente ligada às nossas percepções nervosas, ou seja, aquilo que o nosso cérebro recebe e “interpreta”. Essas sensações incríveis que a gente sente são provocadas por estímulos de prazer e recompensa. É… pode pensar besteira à vontade. A música libera substâncias no nosso corpo como a endorfina, hormônio que desperta o bem-estar, o conforto e a alegria, e a dopamina, responsável pela sensação de prazer, a mesma sentida durante o sexo e o uso de drogas. Pelo amor de Deus não use drogas, mas agora você tem uma referência científica para famosa frase “sexo, drogas e rock ‘n’ roll” que resume três coisas que liberam as mesmas substâncias no organismo. Além disso, aquela sensação de recompensa, também gerada pela dopamina, ocorre quando há a expectativa da música, quando você espera por ela e pela batida perfeita e, no momento que ela chega, rola essas sensações intensas no corpo.

Desviando um pouco do prazer, as músicas também podem trazer sensações de melancolia e tristeza. O mais doido disso é que você nem precisa ter sofrido o que a música aborda, por exemplo, uma decepção amorosa, mas o nosso corpo criam-se imagens e sentimentos relacionados ao que a música quer comunicar e TCHARAM, funciona perfeitamente, porque a gente fica triste. Alguns compositores estudam essa área cognitiva do cérebro para, justamente, entender os pontos chave que desencadeiam essas sensações, para que a música criada atinja o público de qualquer forma (tendo vivenciado a mesma experiência ou não), tornando a música um sucesso.

Uma outra curiosidade sobre o efeito da música no cérebro é como ela muda a nossa percepção de tempo. Já parou para pensar o por quê sempre toca uma musiquinha em salas de espera de consultórios, ou quando você liga para alguma companhia telefônica e fica uma música ridícula tocando por um tempão? Isso não foi feito pra te irritar, mesmo que pareça, mas para fazer com que você não preste atenção no tempo passando e sim na música tocando. Nosso cérebro tem uma capacidade ilimitada para receber informações e por prestarmos mais atenção na música, não sentimos a hora passar.

A junção da música perfeita com a admirável capacidade do nosso cérebro faz com que sejamos seres certamente privilegiados por podermos criar e ouvir músicas com tanta excelência. A música faz parte do nosso dia a dia às vezes de forma banal e mecânica, mas tente sempre tirar um tempinho para prestar atenção nela e perceber o quanto faz bem.