A vida após o Ensino Médio

Texto por Enrico Zanetti

Foto: Shutterstok

Os estudantes do Ensino Médio enfrentam uma rotina intensa no seu dia a dia para se preparar para a maratona de provas que determinará o futuro acadêmico e profissional de cada um. O sonho de ingressar na universidade é marcado por diferentes dificuldades que vão desde a escolha da profissão à questões financeiras e até questões geográficas. Cada um é atingido psicologicamente de forma adversa.

Muito desses problemas se agravam por conta do modelo brasileiro que exige que os estudantes de 16/17 anos devem, “obrigatoriamente”, escolher o seu futuro e ainda enfrentar todas as dificuldades e incertezas para encarar a concorrência de vagas. Além disso, existe a disponibilidade de novos lugares que, muitas vezes, são distantes dos lugares que fomos criados. Por último, um grande desafio e a mudança do cotidiano. Podemos somar todos esses ingredientes a cobrança da sociedade quanto ao imediato ingresso à Universidade, logo após a formatura do terceiro ano do ensino médio.

As Universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior, de Pesquisa, de Extensão e de domínio e cultivo do saber humano (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diretrizes e Bases da Educação Nacional). Elas são responsáveis pela produção, preservação e transmissão dos conhecimentos culturais, científicos e tecnológicos adquiridos pela humanidade em sua evolução cultural, constituindo a Civilização Ocidental atual.

As Universidades ocidentais surgiram na Idade Média na Europa, sendo a primeira a Universidade de Bolonha, na Itália, criada no século XI, em 1088. As Universidades medievais europeias lançaram as bases da Educação Superior moderna, definindo os conceitos de bacharelado, licenciatura, mestrado e doutorado que são utilizados até hoje.

No Brasil, até o início do século XX, as universidades brasileiras eram ocupadas por estudantes de colégios tradicionais como o Dom Pedro II, no Rio de Janeiro. Com o aumento da procura, que ultrapassou o número de vagas disponíveis, o então Ministro da Justiça e dos Negócios, Rivadávia da Cunha Corrêa, instituiu o vestibular no Brasil, em 1911.

Em 1970, foi criada a Comissão Nacional do Vestibular Unificado para regulamentar a seleção. Os vestibulares passaram a ter datas distintas e o conteúdo da prova foi restrito a matérias do ensino médio.

A Fuvest foi criada em 1976, unificando os vestibulares da Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Essa unificação durou pouco tempo, em 1983 a Unesp se desvinculou e, em 1985, a Unicamp fez o mesmo.

Nos últimos anos, principalmente a partir de 2004, houve um impulso na democratização do acesso ao Ensino Público, com as políticas afirmativas somadas com a criação de 18 Universidades Federais novas e implantação de 204 novos Campus de Universidades Públicas em cidades do interior, além de uma recuperação das Universidades Federais através do Programa Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais).

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é hoje a principal porta de entrada no Ensino Superior do Brasil, com acesso às instituições de educação públicas e privadas. O Exame substituiu o tradicional vestibular em muitas faculdades e universidades passando a fazer parte do principal calendário escolar.

A primeira prova do Enem foi aplicada no ano de 1998 e, atualmente, é a prova mais importante e esperada pelos estudantes brasileiros que ambicionam entrar no Ensino Superior.

Enzo Pierdomenico, que sonha com o curso de Medicina na USP, prestou o ENEM, FUVEST, UNICAMP e UNIFESP, que embora tenha ido muito bem, não conseguiu passar nesses vestibulares. Hoje faz curso preparatório estudando das 8:30 até às 22:30. Segundo ele, a rotina de vestibulares foi um processo cansativo, mas, acima de tudo, foi um processo de aprendizado.

Quanto a decepção de não ir direto para a Universidade, ele é incisivo ao dizer que a maior decepção seria abrir mão do seu sonho. “O tempo nesse sentido é só um detalhe. Estudar no cursinho é enfrentar, cotidianamente, o medo da falta de um progresso nos estudos e, ao mesmo tempo, ter que lidar com a insegurança de não conseguir passar no próximo”, contou. 

A principal diferença na rotina após a formatura foi a mudança na mentalidade, objetivos e preocupações 24 horas por dia. Durante o Ensino Médio, você tem provas rotineiras para se preocupar e você estuda para cada uma delas, agora, no cursinho, você não estuda mais para provas, mas para vestibulares que acontecem apenas uma vez por ano. Quanto a obrigação de estudar tudo de novo, ele diz que tem que encarar como uma grande revisão e olhar cada matéria com outras perspectivas, já que são novos professores.

É nesse sentido que muitos estudantes do Ensino Médio se planejam, ao invés de dividir uma carga entre se formar e ao mesmo tempo passar em um seleto processo de vestibular, buscam priorizar pela primeira, deixando a segunda para o próximo ano. Essa estratégia tem crescido uma vez que, apesar de ser uma cobrança não declarada e sim subentendida da sociedade, o jovem vem se firmando como o indutor do seu próprio destino, mérito de uma geração que cada vez mais tem acesso a informação e a sua própria realidade.

Porém existem os que querem passar direto após a formatura. Essa foi a realidade do estudante de Engenharia Mecânica da POLI-USP, Lucas Oliveira, que passou na FUVEST, UNICAMP, UNESP, além de várias universidades privadas. Para ele, a mudança de rotina, bem como morar em outra cidade, foi um processo de adaptação, porém compensatório, uma vez que a universidade preenche muitas expectativas, alunos são muito receptivos e o clima entre a galera é confortável. 

“Não tem sido fácil a interação com o centro acadêmico, a atlética, os grupos de extensão, isso porque tem muitos alunos na Poli e na engenharia elétrica. Mas sem dúvida os professores são muito qualificados e você sente que efetivamente melhora a cada dia no que faz e no que procura”, contou Lucas.

Sem dúvida ao entrar no Ensino Médio, no dia seguinte já vem um processo de preocupação com o processo de seleção, que não se resume apenas nos vestibulares, mas também pela maneira como você vai encarar os três anos da sua adolescência. São anos de muitas descobertas, com seu corpo, com valores, amizades, namoros e códigos sociais. Sendo que esse turbilhão de emoções concorre diretamente com decisões importantes de futuro.

De qualquer modo, sempre existirão Zanettis e Oliveiras e, independentemente, se um ainda concorre para o seu futuro enquanto outro já vive seu presente, ambos se determinaram pelos seus sonhos e enfrentaram a loucura do Ensino Médio com os olhos encharcados de sonhos. Eles sonharam com os seus amigos e foram em frente, sempre sobrando um tempo de reencontrar com o ontem e lembrar que “quem sonha com um  sonho só é sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto vira realidade” – Raul Seixas. Para todos, seja hoje ou amanhã, sonhe, mesmo que isso possa significar mais tempo para realizá-lo. A mudança é inevitável e fugir dela é fugir do amanhã. Quem anseia pelo futuro não pode ter medo do passado. Que venham os vestibulares!

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Este texto não vai significar nada

Texto por Rafael Amin

Arte: Depositphotos

Você já parou para pensar no quanto a comunicação por meio de palavras é uma coisa coisa estranha? Talvez na era dos 280 caracteres, onde tudo é sintetizado e exagerado, a parte lírica e subjetiva da língua tenha se enfraquecido um pouco. Os diálogos não se permitem ser tão abertos e ambíguos, mas mesmo com todo o excesso descritivo, ainda é muito difícil, talvez impossível, expressar algo e ser entendido de maneira exata. 

Um aspecto muito interessante da língua é seu poder construtivo. O livro “Cidades Invisíveis”, de Italo Calvino, é um excelente exemplo disso. A obra narra um diálogo entre Marco Polo e o imperador Kublai Khan, nessa conversa Marco Polo fala sobre as cidades que ele visitou. Cada descrição é mais bizarra que a outra, cada cidade é feita de exceções e elas não respeitam quase nenhuma lei da física, ou seja, elas não existem, bem, não em um plano material, mas elas são construídas e passam a existir por meio das palavras. O autor e, em geral, todo o interlocutor de alguma conversa, é um construtor, mas o que ele cria é fluido e imaterial, cabe então, para o outro, quem recebe a informação, criar forma, sentido e desconstruir a mensagem. 

A teoria da crítica desconstrutiva é bem interessante. Iniciada pelo filósofo francês Jacques Derrida, ela fala que se observado de perto nenhuma estrutura linguística consegue expressar de maneira correta o sentido.  Pode parecer que existe algum sentido estrutural em alguma coisa, mas o desconstrutivismo fala que se observarmos demais alguma frase vamos aos poucos perceber suas falhas e, portanto, destruir esse sentido. Um exemplo metalinguístico interessante é o do dicionário, que literalmente explica palavras por meio de outras palavras, que por sua vez também tem sua definição no dicionário, ou seja, o sentido de uma palavra está ligado ao sentido da outra, que por sua vez tem seu sentido ligado em outra, e assim por diante até chegar na própria primeira palavra.  É como em uma grande teia que se sustenta por ela mesma, mas que se observado de perto pode muito bem desmoronar.

Então, se não existe sentido na língua como criamos frases com ela? Essa é uma parte bem interessante da comunicação, principalmente a que se esforça a não ser tão fechada, e a resposta se encontra na subjetividade. Palavras são meios para tentar descrever alguma experiência, elas vão ser sempre falhas, não conseguem descrever com exatidão o que alguém quer dizer, entretanto elas também são agentes da criação de experiências no outro e esse processo é contínuo. Por isso os livros parecem ter tantos significados, algumas pessoas, por exemplo, lêem “Cidades Invisíveis” como uma metáfora ao pós colonialismo, outros como uma brincadeira com a língua. Mas coisas bem mais simples também podem ser interpretadas de várias maneiras, um “oi, tudo bem?” para alguns pode ser uma simples formalidade, para outros pode significar um gesto de carinho. 

Entretanto nem tudo são flores. Assim como pensar na falta de sentido da vida pode deixar alguém muito assustado, pensar na falta de sentido da língua também. Afinal, queremos sintetizar algumas ideias, até mesmo partilhar com outros, mas isso é impossível, a comunicação plena é impossível. A própria crítica desconstrutiva se deparou com esse problema, afinal, ela critica o sentido das palavras usando palavras. Bem, a solução dos teóricos a esse dilema foi simplesmente aceitar, rir do próprio texto, desconstruir sua desconstrução e perceber suas falhas. Afinal a língua é o que temos para nos comunicar, ela é falha, ampla e sem sentido – assim como a vida – mas por isso é tão fascinante, então que brinquemos um pouco com ela. 

Você que (se) leu esse texto até o final, ele significou alguma coisa?

Yesterday e o que eu seria sem os Beatles

Texto por Ana Badialle

Foto: Divulgação

Eu fui ao cinema assistir “Bacurau” no último sábado, mas aconteceu um imprevisto e acabei assistindo “Yesterday” meio frustrada. Não que não planejasse assistí-lo, mas eu estava psicologicamente preparada para “Bacurau”. Sabe, no entanto, até que tudo bem, pensei “cinema é cinema” e tudo que eu precisava era a sala escura, o som estridente e uma história que me envolvesse minimamente para fugir da realidade. Eu precisava assistir à pessoas, histórias, ao invés de viver a minha própria, eu precisava do mundo Technicolor e todas as suas virtudes e defeitos. 

Apesar de um pouco contrariada, eu sabia que ia me envolver com a história não importasse como ela fosse apresentada. Sabe, o filme envolve produção de música e “Beatles”, eu sou suspeita para falar disso porque eu amo o mundo artístico e acima de tudo, eu amo Beatles. Diferente de muitas pessoas, minha relação com os Beatles não veio da minha família. Ela veio de um filme que assisti há muito tempo, pois fui buscar sobre a trilha sonora e, curiosamente, a música que eu mais gostei no filme todo era a dos Beatles. Desde então, eu comecei a escutar outras e outras e não parei mais. Comprei CD´s, li uma biografia, cacei os filmes em DVD´s e até hoje assisto “Help” com um sorriso no rosto. Pois é, eu sou suspeita porque os Beatles me anestesiaram desde o começo com seus vocais, as guitarras e a fantasia de todos seus trabalhos. 

Por exatamente essa razão, eu percebi que seria impossível fazer uma crítica ao filme sem me empolgar emocionalmente. Por esse motivo estou aqui contando sobre minha experiência com Yesterday para alguns pacientes leitores desse jornal. Yesterday é um filme que no fim, obviamente, pode possuir vários defeitos de roteiro, arcos talvez estendidos demais ou uma história previsível, mas nada disso importou muito para mim. Isso porque eu notei o sentimentalismo da trama e a forma carinhosa – pode assim se dizer – que a história foi pensada. Esse sentimentalismo mascarado pela contradição da nostalgia com a ideia do novo despertou em mim uma leveza que estava ausente há um tempo. Talvez eu estivesse precisando de uma pitada de fantasia misturada com Beatles e açucarada por uma comédia romântica.

A história em si me lembrou muito uma crônica dessas que a gente lê com café em algum momento do nosso dia, como se você estivesse em uma espécie de brincadeira que te faz pensar: e aí, como seria se os Beatles tivessem desaparecido da memória de todos?. E eu gosto de hipóteses. Jack Malik, o protagonista, é um cantor que dificilmente consegue sucesso no que faz, ele ama música, mas parece não conseguir alcançar a fama. Ele também tem sua empresária que, na verdade, é uma grande amiga, que logo no começo, é claro, nutre sentimentos românticos por ele. Um dia, a ponto de desistir de sua carreira, Jack sofre um acidente no mesmo momento que ocorre um apagão no mundo inteiro, algo como o que seria o bug do milênio. Quando ele acorda, de repente os Beatles não fizeram mais parte da história mundial e, aparentemente, só ele tem noção de quem eles foram. 

É claro que eu não vou contar mais da história, praticamente tudo que falei até agora está no trailer. Num primeiro momento, além do choque, parece óbvio que se fosse você a responsabilidade de trazer para o mundo as músicas icônicas da banda estaria sobre seus ombros. E é claro que com isso pode vir o sucesso incandescente pelas músicas, mas eu logo comecei a pensar e me questionar se eu seria capaz disso. Eu cheguei a conclusão que eu entraria em pânico por talvez não lembrar as notas, as letras… e como são os olhos da Lucy mesmo? O que Desmond fazia antes de conhecer a Molly? Eleanor Rigby espera onde? Pois é, muita responsabilidade para pouca cabeça talvez. 

No entanto, muito além e mais profundo que saber ao certo as ordens das músicas, ou os acordes específicos, eu me perguntei como eu seria nesse mundo sem Beatles. E eu percebi que a resposta está na preocupação que eu coloquei na minha cabeça em conseguir lembrar da sensação de escutá-los, em ouvir a contagem regressiva de “Taxman”, os gritos de “She Loves You”, ou a letra de “A Day In The Life” na voz melancólica do John Lennon. Nisso percebi que conto parte de quem sou – bem narcisista como sempre – a partir do meu reflexo na música, nos filmes e nos poemas que eu gosto. Talvez Beatles faça tão parte de mim quanto meus olhos ou meus pensamentos, talvez nos criemos de acordo com nosso redor, com as músicas que desenham nossos pensamentos e esse processo louco de alteridade narcisista que vivemos. 

Mas tudo bem, as músicas que tanto gostamos e nos empolgamos ouvindo, ou o livro que possuímos tanto carinho, muito provavelmente a arte, em geral, estão aí para podermos nos entender melhor, para que haja um diálogo entre o que é outro, a criação e nós. “Yesterday” é uma história leve carregada de clichês de comédias românticas, mas mesmo assim desencadeou essa reflexão em mim, talvez seja o excesso de Beatles, talvez, o excesso de melancolia, ou talvez eu só precisasse de uma história para poder embarcar nessa confusão de reflexões. Mas, como cantaram os próprios músicos há mais de cinquenta anos, em “Ob la di, ob-la-da”, a vida vai e a vida vem, é, é doido como a vida vai e vem. 

Não cai a mão ajudar o mundo

Texto por Carolina Sousa e Melissa Alfinito

Arte: Arcadio

Nós sabemos que falar sobre preservação do meio ambiente, para algumas pessoas, se tornou um tema banal, mas é necessário lembrar da importância de refletirmos sobre nossas ações e como elas podem impactar no ambiente ao nosso redor. 

É sério, o mundo é gigante, grandão mesmo, mas nós, seres humanos, já fizemos um impacto (e um estrago) proporcionalmente enorme e a gente precisa fazer alguma coisa para, pelo menos, evitar danos maiores.

Não estou dizendo que você deve fazer uma mala agora e viajar até a instituição do Greenpeace para salvar o planeta do dia pra noite, mas, de verdade, precisamos parar para pensar nas nossas atitudes em relação à sustentabilidade. Mesmo que alguns erros sejam pequenos, a frequência com a qual eles são cometidos é preocupante e o modo como esse comportamento se torna automático é algo que todos nós devemos prestar atenção para colocar a mudança em prática.

Siga as dicas a seguir e note como, de pouco em pouco, você se sentirá mais responsável e como pequenas ações podem simplesmente inspirar quem está ao seu redor a também contribuir positivamente, o que amplia ainda mais a mudança sustentável.

Arte: Sidão

1. #segundasemcarne

Arte: Maíra Colares

Você sabia que uma dieta que conta com carne, especialmente vermelha, afeta diretamente o meio ambiente e não apenas os animais mortos? Em um hambúrguer feito à base de carne de vaca há o equivalente à quantidade de água gasta em seis meses de descargas ou três meses de banho. Pensando nisso, a sociedade tende a se converter ao veganismo ou vegetarianismo porém, isso não é sempre tão fácil ou adequado para algumas pessoas. Então, uma trend mundial chamada Segunda sem Carne (No Meat Monday) promove a ideia de aplicar o veganismo ou vegetarianismo pelo menos 1 vez na semana. Com essa simples atitude, por segunda você deixará de consumir 1100 galões de água, emitir 9 Kg de gás carbônico e poupará a vida de um animal. 

2.  Evite comprar roupas novas

Foto: Hypeness

Para a produção de uma camiseta de algodão utilizam-se 2700 litros de água, uma calça jeans, 1900 litros e um par de sapatos, 8000 litros. Agora, pense bem, vale mesmo a pena causar tanto estrago para ter um look novo para cada festa?! Além disso, existem outras maneiras de arranjar uma roupa extra e arrasar para onde for minimizando os danos ambientais, como por exemplo, emprestar roupas de amigas, primas e irmãs para dar uma incrementada no look ou comprar roupas de segunda mão (e não estou falando da imagem de bazar de igreja com roupas antigas). Ultimamente você encontra mais e mais lugares com estilos que agradam a todas e em ótimas condições. Você pode achar essas lojas online, no instagram ou até grupos de trocas e vendas no facebook (alguns específicos para determinado gênero). Outro ponto super positivo em comprar roupas dessa forma é que sempre são mais baratas que as peças diretamente das lojas, assim, você ajuda o seu bolso, o meio ambiente e deixa de ocupar o seu armário com peças que foram usadas apenas uma vez e já perderem a “utilidade” para você. Além disso, você também pode fazer parte desse ciclo e se desapegar de peças em bom estado que não te agradam/servem mais e perpetuar uma ação tão interessante, além de ganhar um dinheirinho extra 😉 

3. Evite acender a luz desnecessariamente

Deixa eu contar uma coisa muito louca pra vocês? No nosso sistema solar existe um negócio muito grande que ilumina a Terra em períodos e intensidades diferentes, que faz com que, em algumas horas do dia, a nossa casa ou outros lugares fiquem bastante claros, tornando a luz elétrica totalmente inútil. Esse negócio se chama Sol. Tá, mas sério, tem momentos do dia que não precisa mesmo acender a luz pra coisas do tipo ir no banheiro ou entrar no quarto para pegar alguma coisa. Gastar muita energia elétrica impacta não só na conta do fim do mês, mas também intensamente no meio ambiente, como é o caso das hidrelétricas que alagam vegetações, o que faz com que elas se decomponham e liberem metano, um gás tóxico do efeito estufa. Além delas, as termelétricas também destroem a harmonia saudável do meio ambiente, porque queimam combustíveis fósseis para a produção de energia e liberam o que todo mundo já conhece e odeia: dióxido de carbono (CO2). E a indústria de energia que o Brasil mais possui é justamente a termelétrica, engraçado né? Por isso, é bom a gente começar a pensar não só no que os outros têm que fazer para melhorar o planeta, mas também no que cada um, individualmente, pode fazer para evitar que ele fique pior. São ações impensadas que resultam em efeitos que, para nós, parecem insignificantes, pois não nos prejudicam diretamente, mas vale considerar que, futuramente, o impacto pode sim ser direto, portanto, é fundamental preservar agora.

4. Não compre celular novo sem necessidade

Foto: ambientelegal.com.br

Os eletrônicos são um dos tipos de produtos que mais demandam recursos para a produção, um exemplo é o celular que gasta 12760 litros de água, 18 metros quadrados de solo e produz 75000 litros de água ácida e tóxica. Números absurdos, não?!? Infelizmente, não estão nem perto de diminuir, principalmente por novos lançamentos de telefones e a filosofia consumista que está intrinsecamente instaurado na sociedade capitalista. Com a relação de bens e poder, o homem sempre procura ter do melhor e mais novo a fim de mostrar-se superior, porém isso custa muito caro, ecologicamente falando, para o mundo, ou seja, para você mesmo. Na primeira semana de setembro, os novos modelo de Iphone (11, 11 pro e 11 pro max) foram divulgadas à população e, com isso, todos foram a loucura e o desejo de possuí-los tomou conta de diversos indivíduos que possuem celulares complemente funcionais e em perfeito estado. Isso nos faz não só questionar a sociedade em si, mas como fomos vítimas de uma privação de informação (os danos) e influenciados pela mídia tentando nos vender cada vez mais telefones novos com ilusões de melhorias dispensáveis. 

5. Elimine o plástico da sua vida

Foto: Divulgação El Comercio

Segundo uma pesquisa feita pelo jornal científico “PLOS ONE”, cerca de 8,3 BILHÕES de toneladas de plástico já foram produzidas no mundo, sendo que 5 BILHÕES dessas toneladas já são lixos contaminando a natureza. O planeta Terra tem mais plástico do que pessoas e a cada hora que passa o ser humano produz, usa e descarta mais do que é realmente necessário! Mais uma vez, essas ações prejudiciais são aquelas que já entraram em uma rotina imperceptível e, se aprofundarmos uma reflexão sobre essa frequência, percebemos que dá, sim, pra mudar e que a quantidade de plástico presente no nosso dia-a-dia é absurdamente desnecessária. O importante é tentar e você pode começar abolindo o copinho plástico da sua vida, evitando comprar produtos que venham embalados em caixinhas plásticas, substituir as sacolinhas de supermercado por aquelas bolsas bem maiores que podem ser utilizadas em todas as compras, trocar sua escova de dentes por uma ecológica feita de madeira (é bem mais bonita e ainda ajuda o planeta), entre mil outras alternativas sustentáveis que você não pode deixar pra amanhã para pôr em ação. 

Então, por qual(is) passo(s) você vai começar?! Você só depende da sua própria pessoa para melhorar! “Seja a mudança que deseja ver no mundo” – Mahatma Gandhi 

Todo herói é um herói

Texto por Ana Badialle e Enrico Zanetti

Em
Foto: Divulgação

No dia 5 de setembro, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, determinou que a história dos quadrinhos “Vingadores: A Cruzada das Crianças”, da Marvel, fosse recolhida da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, realizada no Riocentro. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito disse que a HQ de super-heróis tem “conteúdo sexual para menores”. Tudo isso porque dois dos personagens da saga são namorados e aparecem se beijando em uma das ilustrações do livro.

A ação do Prefeito do Rio de Janeiro fez com que o Ministro dia Toffoli, presidente do STF, se pronunciasse a respeito. “O regime democrático pressupõe um ambiente de livre trânsito de ideias”, explicou. Isso assegurou que o Prefeito não pudesse mais apreender livros que ele julgasse impróprios na Bienal. Na mesma seara o Ministro do mesmo STF, Celso de Mello, já havia enviado um duro recado a Crivella, em nota à jornalista Mônica Bergamo da Folha de S. Paulo. “Sob o signo do retrocesso, cuja inspiração resulta das trevas que dominam o poder do Estado, um novo e sombrio tempo se anuncia, da intolerância, da repressão ao pensamento, da interdição ostensiva ao pluralismo de ideias e do repúdio ao princípio democrático.”

“Vingadores: A cruzada das crianças” é o 66º volume da Coleção Oficial de Graphic Novels da Marvel, lançado no Brasil em 2016 pela editora Salvat, em parceria com a Panini Comics, que republica gibis no chamado “formato de luxo”. A história da HQ citada pelo prefeito do Rio envolve dezenas de heróis da Marvel em novas histórias e contextos. Wiccano e Hulkling, dois personagens da “Jovens Vingadores”, são namorados. Publicada originalmente nos EUA entre 2010 e 2012, a HQ chegou ao Brasil só em 2016 pela Salvat e não é direcionada ao público infantil.

Muitos declararam repúdio à atitude do Prefeito, que explicitamente colabora com a homofobia. “A atitude indica uma perigosa ascensão do clima de censura no país – flagrantemente inconstitucional – e traz a marca de um indesejável sentimento de intolerância discriminatória”, declarou Luiz Schwarcz, CEO e fundador da editora Cia. das Letras. Nesse contexto, o youtuber Felipe Neto, anunciou a distribuição gratuita de 14 mil livros com temática LGBT durante a Bienal.  Entre os títulos foram selecionados livros como Confissões de “Um Garoto Tímido, Nerd e (Ligeiramente) Apaixonado”, de Thalita Rebouças, “Arrase!”, de RuPaul e “O Mau Exemplo de Cameron Post”, de Emily M. Danforth. Todos foram embalados em plástico preto e vinham com o aviso de que o livro era “impróprio para pessoas atrasadas, retrógradas e preconceituosas”.

Para o prefeito, as obras deveriam estar lacradas e identificadas quanto ao seu conteúdo, porém o ato da Prefeitura do Município do Rio de Janeiro discrimina frontalmente pessoas por sua orientação sexual e identidade de gênero, ao determinar o uso de embalagem lacrada somente para obras que tratem do tema do homotransexualismo.

Porém, a aventura do Prefeito de impedir a venda fez muito bem para a Bienal do Livro. A editora Intrínseca viu as vendas de obras LGBT subirem entre 100% e 600%, a depender do título, em relação ao ano anterior. Planeta e Record também registraram aumento de vendas na casa de 70% e o selo Globo Alt, da Editora Globo, teve alta de 20%. O saldo de exemplares vendidos ainda não está disponível, mas os organizadores estimam o total em 4 milhões de livros.

Além de vender mais, o debate despertou na sociedade, ou pelo menos em uma parte significativa, que conceitos arcaicos e retrógrados devem repousar em um lugar que jamais deveria ter existido e nunca mais acordar. 

A literatura LGBTQ+, além de simbolizar resistência diante de manifestações homofóbicas, que é algo grandioso e político, é valiosa para que o próprio público possa ter a possibilidade tão simples e tão  banal para uns de identificação e criação de uma imagem longe de estereótipos, algo tão comum e tão presente nas buscas culturais, especialmente, do público juvenil. Tendo em vista a falta de representatividade presente, e se presente, baseada em estereótipos voltados para o sensacionalismo como divertimento do conservadorismo. 

Esse episódio que pareceu tão similar aos períodos nebulosos já vividos no Brasil, explicita o absurdo do pensamento conservador de boa parte dos líderes políticos, que é além de extremamente retrógrado, egoísta. Não há nenhum mal em possibilitar a uma minoria o sentimento de identificação para a construção de uma cultura afastada da violência. O preço pela falta de informação, cultura e educação sobre a diversidade sexual e de gênero é alto. Livros são fontes e referências. Referências são ideias e ideias não morrem ou sofrem violência, mas a Comunidade LGBTQ+ sim. 

Podemos ir “de volta para o futuro ou para o passado”?

Texto por Pedro Frezza

Foto: Divulgação

Corrigir atitudes erradas depois que aconteceram ou saber o desfecho de algo antes mesmo de acontecer sempre foram grandes vontade intangíveis dos seres humanos. Desejos que sempre ficaram presos à ficção científica. Contudo, tudo imaginado por nós pode ser adaptado e introduzido na realidade a partir de especulações físicas. Desde o século XIX, diversos cientistas procuram meios e evidências que comprovem a existência da viagem no tempo, buscando tais provas dentro do espectro quântico dos estudos. Diante desta linha de pensamento, imaginarmos um presente em que possamos voltar ao passado e ir para o futuro não é algo tão louco assim e os físicos explicam o porquê. 

Toda essa história começou a séculos atrás em obras literárias, mas tomou uma maior força no século XX, principalmente por conta do cinema, ganhando grande representatividade em alguns filmes, como em “De Volta Para o Futuro”, “Planeta dos Macacos” e “O Exterminador do Futuro”. Apesar de aparentarem serem cientificamente bem embasadas, estas obras literárias e cinematográficas se distanciam da versão física da viagem no tempo. A partir da descoberta de Albert Einstein sobre ao funcionamento do Cosmos com a sua teoria da relatividade geral, os vestígios científicos do que poderiam se tornar as viagens no tempo passaram a ser notados. Brevemente, conceitos como a da dilatação do tempo, da distorção do espaço, gravidade e a existência de buracos negros, tornam possível o questionamento sobre um deslocamento espaço-temporal, mesmo que este vá contra muitas leis da física.

Foto: Divulgação

No momento, há uma teoria que fascina muitos físicos, que é o “Buraco de Minhoca”. Esta hipótese afirma que existem tubos invisíveis ao plano físico que interligam regiões do nosso universo inteiro, sendo uma “ponte” entre duas regiões, atuando como um atalho. Desta maneira, essas “pontes” atuariam para nos locomovermos de um lugar para outro, mas não resolveriam nossas necessidades de corrigir o passado ou conhecer o futuro. Mas agora é necessário um pouco de imaginação, esses misteriosos buracos de minhocas já quebram diversas leis naturais da física e geram grandes mutações no tecido do espaço-tempo. Então, por quê não utilizá-los para ir ao passado ou futuro já que estas “pontes” apresentam um comportamento parecido com o da viagem na tempo? Seria isso possível? 

Esta história de buraco de minhoca pode até aparecer bem simples e você pode até estar se perguntando o porquê de nunca termos utilizado. A resposta é simples, não sabemos como encontrá-los, achá-los, ou até mesmo abri-los, ou seja, isto tudo é apenas uma teoria que grandes mentes acreditam ser real, mas no nosso nível de desenvolvimento tecnológico atual não há forma de comprová-la. No entanto, tudo fica ainda mais complicado, pois mesmo que achássemos uma forma milagrosa de abrir um buraco de minhoca, isso seria provavelmente e absurdamente letal para qualquer forma de vida, pois este, em teoria, seria basicamente composto por energia escura, que não sabemos nada sobre, sendo completamente instável. 

Nas últimas décadas, algumas ideias inovadoras reduziram os obstáculos físicos que nos impedem de “viajar” por buracos de minhoca. Entre elas, podemos citar o uso da antimatéria (matéria com características quânticas opostas), que estabiliza estas “pontes espaciais”, tornando-as menos letais para os seres humanos. Mas o obstáculo dessa ideia é que a produção de antimatéria é extremamente restrita, difícil e ela dura pouco tempo antes de desaparecer. Ainda existe outro conceito que pode nos ajudar, alguns físicos estudam a possibilidade de interligar a singularidade (centro da cavidade) de dois buracos negros, utilizando as chamadas cordas cósmicas (demonstradas abaixo), que são “fios” de energia extremamente carregados eletricamente, para manter a ligação entre os buracos negros estável, porém, não sabemos como achar estas cordas cósmicas e nem como chegar nas singularidades. 

Cordas cósmicas (Foto: Divulgação)

Toda conclusão e conquista científica passou por uma longa e extensa jornada de experimentos, que após muito tempo e muitas pesquisas, tornou-se real e é aplicada na sociedade atual. Atualmente, já tornamos o teletransporte real (sim, isso é verdade, mas é assunto para uma outra matéria), sendo assim, voltar para o passado ou ir ao futuro não é tão impossível como imaginamos. Os estudos a respeito da viagem no tempo ainda são muito prematuros e, pode ser que algum dia possamos evitar todas vergonhas alheias que passamos ao avisarmos o nosso eu do passado. Mas respondendo o título do texto, não sabemos ainda, mas existem grandes indícios que seremos capazes, em um futuro não tão distante, de trazer esta parte da ficção científica para a realidade. 

Arte como inconsciente

Texto por Ana Badialle e Isabella Gemignani

Arte: Autor desconhecido

A arte é, acima de tudo, uma experiência sensível e subjetiva, intermediada pelo consumo, apreciação e questionamento cotidianos por indivíduos inseridos em um mundo em transformação. Tão frequente é tal fenômeno que nos tornamos alheios ao próprio processo de interiorização das criações artísticas, as quais são interpretadas e reinterpretadas pelo nosso subconsciente, desde o reconhecimento de formas e cores das obras até a sua significação. Mesmo uma atração superficial a um determinado trabalho é instigada de modo inconsciente, pelo nosso cérebro e sua cognição, em relação a o que está sendo observado. 

Por outro lado, em uma união entre a ciência e a subjetividade, a Psicanálise, definida como a “teoria da alma”, é um método clínico de investigação da psique humana desenvolvido por Sigmund Freud. Sua origem está vinculada à busca do tratamento de neuroses e distúrbios mentais por meio do entendimento da mente humana. Por isso, seu objeto de estudo está em torno da relação dos desejos inconscientes e o comportamento humano expresso pelas pessoas, já que, de acordo com Freud, grande parte dos processos psíquicos da mente humana estão em estado de inconsciência. 

A Tragédia e a expressão artística

A Psicanálise pode ser considerada fruto da medicina (estudos neurológicos) e da literatura. Dessa forma, ela encontra no campo da construção ficcional da Tragédia – como o gênero teatral, inventado pelos gregos – uma forma de instrumento de análise. Para Freud, o ponto principal da expressão artística é o fato de que ela oferece uma representação privilegiada do que é posto, em uma Psicanálise: a relação do desejo com a castração. Pode soar estranho no começo, mas a angústia da Castração foi uma das primeiras teorias desenvolvidas por Freud. Ele explica por meio de uma análise da sexualidade infantil, a censura da libido, isto é, do desejo sexual e como isso permeia nossos traumas, fetiches, comportamentos e uma série de aspectos do nosso inconsciente. 

Mas, voltando à comparação da tragédia e psicanálise, Freud afirma ocorrer o mesmo com as artes plásticas, como por exemplo, a pintura. Para o psicanalista, a tela em branco funciona para o inconsciente humano da mesma forma como uma cena onírica – que não pertence ao real representando as fantasias, alucinações e os sonhos. A tela, assim como um sonho, representa um objeto ou uma situação ausente que, censurados pelo nosso consciente, só aparecem por meio de seus representantes simbólicos.

Como em uma fantasia, a tela é pensada como algo visto de forma individual que revela parte de nossos impulsos. Por isso, ao tentar compreender uma pintura por meio de uma explicação, com palavras organizadas, o significado dela é rapidamente conduzido para um âmbito racional, ou seja, para o espaço da racionalidade, rasgando o véu das representações sob o qual essa significação se ocultava. 

A obra, enquanto construção muda e visível, situa-se no espaço de realização imaginária do desejo. E é nisto que reside a função da arte, conforme aparece no ensaio Escritores criativos e devaneio (1908), quando Freud distingue dois componentes do prazer estético: um prazer propriamente libidinal que provém do conteúdo da obra à medida que esta nos permite realizar nosso desejo e um prazer proporcionado pela forma ou posição da obra que se oferece à percepção não como um objeto real, mas como uma espécie de brinquedo, de objeto intermediário, a propósito do qual são permitidos pensamentos e condutas com os quais o espectador pode se deleitar sem auto-acusações, nem vergonha ou censura. 

Além do que, considerando que o interesse de Freud pela arte relaciona-se à leitura dos significados reprimidos e inconscientes, a expressão artística é entendida como uma algo sublimado de desejos proibidos. O artista, nessa medida, é concebido como um indivíduo talentoso o suficiente para transformar os impulsos primitivos e sexuais, em formas simbólicas e culturais. Como os sonhos, o trabalho artístico facilita o reconhecimento e a elaboração de sentimentos reprimidos, tanto para os artistas quanto  para os espectadores que, por sua vez, compartilham com os primeiros a mesma insatisfação com as renúncias exigidas pela realidade e, por intermédio da obra, a experiência estética. Assim, o vínculo entre a psique e a arte pode chegar a ser concebido de um modo tão direto ou imediato que a singularidade da obra é perdida de vista, ao mesmo tempo em que o inconsciente passa a ser simplesmente ilustrado pela obra.

A neuroestética 

Diante de uma produção artística, a primeira significação dada, feita pelo cérebro, ocorre em relação ao seu aspecto mais chamativo: as cores. Embora seus efeitos sejam universais, baseados na absorção e reflexão da luz pelos objetos, sua identificação e assimilação à significados é um processo individual. Isso ocorre por conta da capacidade inata da raça humana de organizar o que está sendo visto em formas e padrões – que, logo, faz com que os tons sejam reconhecidos pelo cérebro como fontes de sensações e emoções. Desse modo, a pigmentação em si é uma importante parte na nossa percepção visual e na interpretação da arte, visto que ela influencia nossa consciência sobre o mundo.

Tal fato é evidenciado, principalmente, pela psicologia das cores. Por conta da física da ótica e da reflexão dos objetos (na qual mais luz, ao ser refletida por cores brilhantes, resulta em um excessivo estímulo aos olhos), as cores passam a ter efeitos biológicos: o vermelho, por exemplo, aumenta a pressão sanguínea, a respiração, e as batidas do coração, propiciando em um aumento da intensidade e atividade; o amarelo estimula, energiza, e incita a concentração por ser a primeira cor que o olho humano vê; o azul, representa a calma e aumenta a criatividade. Assim, o próprio meio da arte, a tela, torna-se um veículo para atribuir sentidos além de estéticos. Isso faz, também, com que as tonalidades sejam incorporadas em esferas como a do marketing, onde a paleta de cores é escolhida a fim de causar determinado efeito no consumidor. O McDonalds, por exemplo, utiliza o vermelho e o amarelo visando criar apetite e um senso de urgência, ao passo que o Starbucks incorpora o verde e o marrom para promover um senso de relaxamento e harmonia, para que o cliente visite a loja para retirar o stress diário.

Quase meio século antes de a concepção de arte ser transformada com as vanguardas, em especial, como a tese de Duchamp – “são os espectadores que realizam as obras” –, Freud dá seus próprios passos na linha da estética da recepção. Com isso, a Psicanálise, que, talvez assim como seu inventor, entre dignamente no campo da crítica contemporânea, oferecendo às obras um modo de pensar que, como a arte, busca transcender a familiaridade das formas culturais já acostumadas aos nossos olhos.