Ao farol da pandemia

Texto por Rafael Amin

Um farol é um objeto sólido, fixo em determinado espaço. Ele existe para guiar, mostrar o caminho quando a visão está embaçada. Um farol também existe entre parênteses, cercado de mar, cercado de vida, mas condenado à solidão. Virginia Woolf, em seu livro “Ao farol”, usa esse símbolo para escrever uma das mais bonitas elegias sobre a perda, a solidão e o tempo. Assim como um farol o livro pode nos ajudar a ver um pouco de luz em tempos de pandemia.

“Ao farol” foi escrito um pouco depois da primeira guerra e trata das perdas e mudanças que esse evento trouxe na vida de uma família. É um daqueles livros em que os personagens são reativos, no qual não há uma história cheia de reviravoltas e consequências, a beleza da obra está na sua forma, descrita pela a autora como duas salas unidas por um corredor.

(primeiro esboço de “Ao farol”)

A primeira sala, o começo do livro, retrata a vida antes da guerra, ou, no nosso caso, antes da pandemia. Ela narra um dia na vida de uma família, que, dependendo do clima, pretende ir ao farol. Cada membro tem seus desejos, sonhos e planos. Planos esses que parecem reais, como se o futuro já fosse concreto, porque é assim que a gente pensa as coisas, marcamos eventos com meses de antecedência imaginando que tudo continuará igual até lá. Mas aí surge uma pandemia, mas aí o tempo passa.

A segunda parte, o corredor, é um artifício literário, existe para narrar o inenarrável. O tempo passa, mas é impossível narrar o passar do tempo enquanto ele ocorre, porque o passar do tempo é, e se narra o que foi. Virginia, em uma posição de já ter saído da primeira guerra, usa, nessa parte do livro, a imagem de uma casa se deteriorando para descrever os horrores desse evento. Não temos esse privilégio de tempo, ainda não vemos a pandemia como algo que aconteceu, não, ela está acontecendo bem a nossa volta.

O passado nunca pareceu tão distante para minha geração, nem o futuro tão incerto. Na data da publicação deste texto nem faz três meses que iniciou o isolamento social, mas, mesmo assim, temos a impressão de que a vida antiga, a vida de escola, contatos, cafés e saídas, já parece relíquia da memória, e os planos de 2020 já tiveram que ser mudados. Mas nem o passado nem o futuro conseguem ser tão assustadores quanto o presente.

“Escrever um poema após Auschwitz é um ato bárbaro”, pego essa frase de Adorno, tiro-a de contexto, e  expando-a: acho que comer, sorrir, dormir, “buscar leveza”; viver, após Auschwitz, após Rwanda, após as ditaduras empresariais-militares, e agora durante a pandemia, é um ato bárbaro. No momento em que escrevo esse texto têm milhares de pessoas morrendo ao redor do mundo, famílias nem podendo ir para o enterro de seus parentes, e, no meio de tudo isso, eu estou aqui, com papel e caneta, escrevendo sobre Virginia Woolf. Isso é desumano, mas, talvez, também seja a coisa mais humana possível: continuar vivendo, continuar buscando  esperança em um agora tão desesperançoso. Uma forma de encontrar essa esperança pode ser por olhar para exemplos passados, e existe um caso interessante de arte em tempos de pandemia.

O pintor Edvard Munch, mais conhecido pelo seu quadro “O grito”, pegou gripe espanhola em 1917. A gripe matou mais gente que a primeira guerra, mas ela não está tão marcada em nosso consciente coletivo como a guerra está. Felizmente, Munch sobreviveu, e o que é mais interessante ainda é ele ter feito dois autorretratos nesse período. O primeiro quando ele ainda estava com a gripe, o segundo depois que ele se curou.

(autorretrato com gripe espanhola)
(autorretrato depois da gripe espanhola)

A primeira pintura é tão distante, ele se pinta sem olhos, sem rosto; sem alma. Imagino que nesse momento Munch já não tivesse muitas esperanças em relação ao futuro e a sua condição. Mas, depois que se recupera, ele já se pinta com olhos, com um rosto, tem até uma janela por onde entra luz e vida. Essa segunda pintura é a terceira parte do livro de Virginia, é onde ainda não estamos, onde os sofrimentos do agora já são o passado do futuro. E é nessa relação com o tempo que se encontra a beleza da obra de Woolf.

Na terceira parte do livro vemos os personagens indo até o farol, símbolo de um passado perdido pelo tempo, um passado de memórias lindas de uma mãe brincando com filho e de um pai com sua filha. Memórias essas que não são mais possíveis, a guerra levou o filho e a doença, a filha. Mas os personagens vivem, mesmo depois de um passar tão cruel do tempo eles continuam andando em direção ao farol, aprendendo a viver com o peso memória.

Às vezes, imagino que o sonho modernista, aquele de Proust, Joyce, Borges e, principalmente, da Virgínia, fosse de um tempo memorial, no qual apenas a lembrança de um momento passado era suficiente para atingir a plenitude. O pesadelo, entretanto, também; um tempo no qual só a lembrança de momentos de crise são suficientes para levar alguém à loucura, onde apenas a ideia de voltar a ter uma baixa foi o suficiente para fazer Virginia afundar no oceano. Felizmente (ou infelizmente), nosso tempo é apenas o agora, o que quer dizer que temos de lidar com todas as suas complicações e incertezas, mas também garante uma coisa: que o agora vai ser melhor. Não necessariamente o agora futuro, mas tudo que estamos presenciando , quando virar memória e história ,será, no mínimo, um pouco menos confuso.

Quanto ao agora futuro, posso apenas esperar que não optemos pela barbárie e pelo esquecimento, que não transformemos todas as vidas perdidas em apenas números, que consigamos seguir em frente no caminho que aponta o farol da nossa humanidade: aquela que sente empatia pela morte e sofrimento de pessoas, não pela “morte” de CNPJS.

Engenharia e exatas: por que meninos se interessam mais que meninas?

Texto por Melissa Alfinito

Foto: Shutterstock

Não sei se vocês já perceberam, mas existe mais interesse em cursos de exatas por parte de meninos do que de meninas. É muito mais comum a gente conhecer vários garotos que querem fazer engenharia do que conhecer meninas interessadas nessa área. Sim, óbvio que existem mulheres engenheiras, mas a comparação é quase ridícula, porque a porcentagem de homens cursando engenharia ou já exercendo essa profissão é nitidamente maior do que o número de mulheres. Um exemplo é os Estados Unidos em que só 11% dos engenheiros no país são mulheres. Porém, existe uma explicação muito específica para esse, digamos, fenômeno.

Uma moça chamada Debbie Sterling notou esses fatos quando já cursava engenharia e talvez a gota d’água pra sua motivação em entender essa disparidade de interesses foi quando, em um dos projetos do curso, a classe tinha que desenhar algo tridimensional e ela teve uma dificuldade absurda, enquanto seus colegas homens terminavam com rapidez e facilidade. A partir disso e depois de quase desistir de engenharia, ela decidiu estudar o motivo e chegou à conclusão de que isso acontece por que nós, mulheres, não temos contato com o raciocínio da montagem e da lógica quando crianças, diferente dos meninos que sempre tem um brinquedo de montar. Parece bobo, mas estimuladas a quererem ser princesas desde cedo e apenas apresentadas à bonecas com historinhas românticas fazem, em grande parte dos casos, muitas meninas seguirem essa linha de pensamento e desenvolverem habilidades mais artísticas e comunicativas do que lógicas. De certa forma, não é um problema, mas é curioso observar a diferença gritante entre os brinquedos que os meninos têm quando pequenos e aqueles que meninas têm, pois parte-se de um ideal de comportamento que meninas devem seguir por serem meninas e assim, do mesmo jeito, com os meninos. 

Não há nada de errado em apresentar, igualmente, carrinhos, por exemplo, tanto para um quanto para outro, o que é até muito mais vantajoso, porque ambos terão a possibilidade de desenvolver as habilidades consequentes. Assim como também é muito interessante pensar na possibilidade de diferença de padrões que teríamos se, desde cedo, meninos fossem apresentados à Barbies e histórias românticas. Os dois aspectos dos brinquedos tendem para uma padronização de comportamento, mas o fundamental seria não só desconstruir essa ideia restrita, mas também balancear ambos os lados, incentivando o lado artístico, emocional, racional e lógico dos meninos e das meninas

Mudança: a constante da vida

Texto por Isabella Gemignani

Foto: autor desconhecido

O mundo, nas palavras do filósofo Heráclito, é um eterno devir. Afinal, a constância da vida reside, essencialmente, no fato dela ser inconstante. Estamos, o tempo todo, sujeitos à mudanças, sendo movidos ou movimentados por elas, criando-as ou sofrendo seus efeitos, e sendo transformados, minuto por minuto, dia por dia e ano por ano, por causa delas. Porém, entre todas as modificações que nos cercam, uma coisa permanece inerte: o fato de estarmos, sempre, vivendo conosco – presos em nossas cabeças e, ainda assim, incrivelmente livres. 

Pensar que é impossível fugir de si mesmo parece ser, a princípio, desconfortável, e mesmo solitário, já que, entre todas as sete bilhões de pessoas no mundo, o seu “você” é o único que vai permanecer, resistindo à todas as oscilações, desafios e ao tempo, rumo à eternidade. Mas, nessa unidade permanente entre o corpo e a nossa companheira mente, temos a oportunidade de, sozinhos e condenados à liberdade, escolher as cores com as quais pintamos nossas tábulas rasas e de nos aperfeiçoar, decidindo quem queremos ser em um universo de opções (escolha que, também, muda ao longo do tempo, pois, anos atrás, a pessoa que você é hoje simplesmente não existia). Nisso, estamos constituindo, pouco a pouco, o nosso dasein  – um projeto, sempre em construção, da pessoa que seremos no futuro, que será atingida por meio do amor próprio, ao casulo que nós construímos, que, quando praticado efetivamente, abrirá caminhos para tornarmos quem projetamos e sermos feliz em nossas escolhas, que fizemos e que fizeram nós. 

Esse amor a si. Não apenas um exercício de consideração própria, ele é uma prova do livre-arbítrio que carregamos em nosso dasein: se amar em um mundo que oprime, institui padrões e exige mudanças é um ato de liberdade inigualável e até de rebeldia. Talvez seja por isso que esse amor seja constantemente perdido e achado, mudado muito mais vezes do que deveria, já que mantê-lo por perto às vezes parece carregar um pesar totalmente diferente do que sentimos quando sentimos o amor. Ele é um sentimento que requer coragem e é um meio de construir asas, que, vindas tanto da dor quanto da felicidade, nos carregarão planeta afora, à medida que crescemos rumo a nossos objetivos. 

Obviamente, nem sempre saberemos para onde nortear essas nossas asas, dado que nem nossos corações nem nossos cérebros têm mapas nos dizendo onde devemos ir. No entanto, mesmo se perder em um caminho pode ser uma maneira de encontrar a si, ao outro (já que, embora nascemos sozinhos, não necessariamente assim andamos ou permanecemos), e a uma série de coisas incríveis e completamente desconhecidas. Às vezes, um salto no escuro é necessário para despertar aquela luzinha adormecida dentro de nós, afinal, são entre rumos “certos” e “errados” que as mudanças são despertadas.

Um certo autor que admiro certa vez disse que um homem pode se resumir a um dia de sua vida. Independentemente se existe um destino seu já estabelecido ou um que está sendo traçado nesse exato momento, somos no dia de hoje, apesar de nosso dasein ou outros planejamentos, dúvidas e ansiedades. A vida é agora e esse é o seu verdadeiro significado. Todos esses fragmentos desses instantes, que no futuro irão se juntar a outros pedaços e compor uma história, são momentos a serem vividos e aproveitados, porque é assim que é se sentir vivo nesse segundo.

“Tudo flui e nada permanece”, disse Heráclito. De fato, viver é mudar, constante e incessantemente. Mas talvez isso seja uma coisa boa, afinal de contas, se não recebessemos um empurrãozinho, jamais sairíamos do mesmo lugar, jamais seríamos quem somos hoje e jamais teríamos a liberdade de conhecer o universo que nos aguarda. Temos que usar nossas asas, feitas pelo amor próprio, para voar, com aqueles que amamos ao nosso lado, para fora de nossa colméia, procurando conhecer o mundo, que é tão grande, tão incrível e que espera por nós e pelo nosso projeto, em um ato de mudança. 

O que a música faz com o seu cérebro?

Texto por Melissa Alfinito

Arte: Autor desconhecido

Você também tem uma música ou algumas músicas (eu sei, é difícil escolher uma só) que te fazem tão bem, te fazem sentir umas coisas tão doidas que quando você ouve, dá vontade de chorar? Ou também quando você está ouvindo aquela música perfeita e sabe a batida que vai vir, mas, quando vem é a melhor sensação de satisfação do mundo, principalmente, se isso acontece numa festinha? Então, se sim, eu tenho explicações científicas para isso e vim compartilhar YAAAY.

A música, no geral, está diretamente ligada às nossas percepções nervosas, ou seja, aquilo que o nosso cérebro recebe e “interpreta”. Essas sensações incríveis que a gente sente são provocadas por estímulos de prazer e recompensa. É… pode pensar besteira à vontade. A música libera substâncias no nosso corpo como a endorfina, hormônio que desperta o bem-estar, o conforto e a alegria, e a dopamina, responsável pela sensação de prazer, a mesma sentida durante o sexo e o uso de drogas. Pelo amor de Deus não use drogas, mas agora você tem uma referência científica para famosa frase “sexo, drogas e rock ‘n’ roll” que resume três coisas que liberam as mesmas substâncias no organismo. Além disso, aquela sensação de recompensa, também gerada pela dopamina, ocorre quando há a expectativa da música, quando você espera por ela e pela batida perfeita e, no momento que ela chega, rola essas sensações intensas no corpo.

Desviando um pouco do prazer, as músicas também podem trazer sensações de melancolia e tristeza. O mais doido disso é que você nem precisa ter sofrido o que a música aborda, por exemplo, uma decepção amorosa, mas o nosso corpo criam-se imagens e sentimentos relacionados ao que a música quer comunicar e TCHARAM, funciona perfeitamente, porque a gente fica triste. Alguns compositores estudam essa área cognitiva do cérebro para, justamente, entender os pontos chave que desencadeiam essas sensações, para que a música criada atinja o público de qualquer forma (tendo vivenciado a mesma experiência ou não), tornando a música um sucesso.

Uma outra curiosidade sobre o efeito da música no cérebro é como ela muda a nossa percepção de tempo. Já parou para pensar o por quê sempre toca uma musiquinha em salas de espera de consultórios, ou quando você liga para alguma companhia telefônica e fica uma música ridícula tocando por um tempão? Isso não foi feito pra te irritar, mesmo que pareça, mas para fazer com que você não preste atenção no tempo passando e sim na música tocando. Nosso cérebro tem uma capacidade ilimitada para receber informações e por prestarmos mais atenção na música, não sentimos a hora passar.

A junção da música perfeita com a admirável capacidade do nosso cérebro faz com que sejamos seres certamente privilegiados por podermos criar e ouvir músicas com tanta excelência. A música faz parte do nosso dia a dia às vezes de forma banal e mecânica, mas tente sempre tirar um tempinho para prestar atenção nela e perceber o quanto faz bem.

Efeito borboleta: o furacão de nossos passos

Texto por Isabella Gemignani

Foto: Autor desconhecido

Quando somos condenados a ser livres, a infinitude das possibilidades traz consigo a responsabilidade de construir – ato por ato, escolha por escolha – nossa existência e história. A autonomia que possuímos, que utilizamos para moldar o mundo em que somos lançados (sem manual de instruções ou ideais enlatados), inicialmente parece ser, simplesmente boa, dado que ela nos concede a liberdade de decidir quem somos e quem nos tornaremos. No entanto, surge, ao passo que nos aventuramos nos caminhos da vida e nos dilemas por ela apresentados, um questionamento, tão universal quanto o próprio ato de existir, já feito por cientistas, filósofos, artistas, e por praticamente todo o ser humano que já viveu em nosso planeta desde o começo de nossa existência: e se? Tão inofensiva, tão mínima e tão banal é tal pergunta, que ela pode mudar completamente a realidade na qual estamos inseridos e a qual estamos acostumados.

A Teoria do Caos indica, justamente, o furacão causado por nossa metamorfose em borboletas – isto é, o impacto gerado por uma pequena mudança nas condições iniciais, que pode gerar consequências enormes e absolutamente desconhecidas. Deste modo, o cenário imaginado por um mero “e se?” torna-se completamente imprevisível, mesmo que a mudança trazida em uma hipótese seja apenas um sim ao invés de um não. Obviamente, apenas imaginar sobre o que poderia ter sido feito de diferente não mudaria nada na realidade vigente. Contudo, sob o viés do efeito borboleta, essa mínima mudança realizada em nossas abstrações, caso aplicada, teria resultados inimagináveis e possivelmente caóticos: por exemplo, ao pensar sobre o que aconteceria caso você não tivesse tomado aquela decisão da qual você se arrepende pode, a princípio, parecer gerar apenas conjunturas vantajosas, afinal, as más decorrências trazidas por esta seriam anuladas – porém, à medida que certos remorsos seriam abolidos, surgiriam outros impasses, inéditos e inesperados. Assim, quaisquer mudanças pequenas em nossa linha do tempo poderiam mudar completamente o rumo de nossas vidas, causando tempestades ao invés dos utópicos arco-íris.

De certo modo, nossas escolhas, quaisquer que sejam elas, serão possivelmente determinantes de nosso futuro e geram marcos em nossa trajetória, dividindo-a, simplesmente, entre o antes e o depois de fazer dita ação. No entanto, mesmo essa divisão imaginária entre o passado e o futuro conta com volatilidades – a mudança gerada por agir, afinal, pode ou mudar tudo (vide a Teoria do Caos), ou, seguindo outras linhas de pensamento, pode não acontecer em alguma esfera de nosso universo. 

Surge, sob esse prisma, a teoria do multiverso, embasada nas teorias de Stephen Hawking e James Hartle. A hipótese de Hartle-Hawking defende que, a partir do Big Bang, nosso universo foi criado, conjuntamente com outras incontáveis versões dele – algumas semelhantes, outras completamente distintas, e todas, todavia, apresentando outros cenários possíveis da realidade vivida em nosso próprio espaço. Dessa maneira, existe, em algum lugar do tempo-espaço, situações nas quais os “e se?” são concretizados e a linha do tempo do resto de sua vida é completamente alterada (conforme o efeito borboleta), assim como existem contextos nos quais tudo permanece exatamente igual e a única mudança ocorrida é em relação à cor de seus sapatos. Infinitas, por fim, são as versões do seu eu, existentes em potência (isto é, no que você pode ver a ser, nesse universo, no futuro), e em outros universos paralelos. 

Perante o caos do mundo e a confusão ainda maior oferecida pelas nossas possibilidades, cabe à nós não nos perdermos no ciclo angustiante dos “e se?”. Afinal, quem era você um erro, um arrependimento ou mesmo um segundo atrás? A cada passo aprendemos e, quaisquer sejam as causalidades e furacões destes passos, construímos versões melhores e crescemos, de um modo que pertence, unicamente, à esse universo. O futuro é seu para criar e conquistar, o seu futuro eu está te observando, nesse exato momento, por meio de memórias. Faça, então, em cada hoje, algo por qual o seu eu do amanhã o agradecerá. 

Então, que tal bater as asas hoje? 

Persona: vista sua essência e tire a máscara da existência

Texto por Isabella Gemignani

Magritte, René. Decalcomania. 1966

O inferno, segundo Jean Paul Sartre, são os outros. Paradoxalmente, porém, também somos nós, visto que sempre somos o “outro” de alguém. Perante à adaptação social à esfera de opressões e exigências socialmente estabelecidas, surge, no inconsciente coletivo, um inferno introspectivo, do próprio ser para si, baseado na criação de diferentes personagens, desempenhados no âmbito particular, autônomos ao ego e mesmo à identidade: o arquétipo persona, conceituado por Carl Jung. 

Homônimo da palavra em latim (que significa, literalmente, uma máscara de um ator) o conceito junguiano é análogo aos recursos utilizados no passado, que enfatizavam os diferentes papéis na dramaturgia greco-romana. O persona psicológico, no entanto, é, também, atribuído à criação de uma personalidade desenvolvida para a interação do indivíduo com o mundo exterior, ou seja, a formação de máscaras sociais. Essas máscaras, criadas particularmente para contextos sociais específicos, se apresentam como versões “públicas” do sujeito. Sendo, acima de tudo, arquétipos que possibilitam uma adaptação às situações cotidianas de forma universal (isto é, utilizada, de modo inconsciente ou não, por você inclusive, caro leitor) ao passo em que as máscaras mudam conforme a vontade de níveis de exposição ao mundo. 

Decerto, você conhece alguma pessoa cuja personalidade simplesmente muda ao se relacionar com outros grupos sociais. Talvez você mesmo o faça. A fim de se encaixar em um determinado ambiente, nos construímos e reconstruímos segundo um molde, visto como necessário para conquistar a sempre almejada aceitação em diferentes esferas de relações. No entanto, embora conclua-se que essa persona seja um veículo para a falsidade, ela é apenas uma função psíquica, sendo mesmo essencial no convívio entre pessoas de forma equilibrada. Porém, isso não significa que tal arquétipo não possa ser danoso. Uma adoção recorrente do persona pode nos fazer esquecer de nossa verdadeira essência, contribuindo para que a flexibilidade de nossas máscaras sociais seja reduzida à uma forma unilateral, incoerente com quem o indivíduo é ou deseja ser, transformando, por fim, a pessoa em personagem.

O uso exacerbado de personagens, portanto, culmina na inexistência de um verdadeiro autoconhecimento – algo que, por sua vez, faz com que a autenticidade seja trocada pela própria fachada. Desse modo, observa-se um quê da Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman, nas confraternizações: passamos, à medida em que nos escondemos por trás de disfarces, a ver o mundo de forma unidimensional, construindo uma apatia essencial para a volatilidade contemporânea, que deixa as relações fáceis de lidar, de se envolver, e de, posteriormente, se desligar. Sob um prisma, de certo modo, egocêntrico, visamos manter as nossas próprias aparências, algo que faz com que os outros – antes, o nosso inferno – passem a carecer de profundidade. Prestamos menos atenção na realidade alheia ao nos imergimos em nossos próprios conflitos e como podemos fazer para escondê-los da vista dos outros. Tornamo-nos, tendencialmente, pessoas apenas aparentes, agarradas à aspectos externos, esquecendo-nos dos outros ao focarmos, unicamente, em nossa apresentação ao mundo e, como este, por sua vez, nos vê. 

A persona, afinal, é uma característica inalienável ao ser humano, contudo, não podemos nos reduzir, ou reduzir os outros, à ela. Cada ser é um universo e, em seus bastidores, as cortinas não se fecham, as máscaras não caem, as pessoas não aplaudem e o espetáculo não acaba. Afinal, na plenitude de nossos pensamentos, onde não existem encenações, somos, em essência, nós mesmos – final e eternamente. Assim, embora o uso das ditas máscaras sociais seja não apenas normal, mas também saudável, devemos, sempre, apelar para a nossa identidade, que subsiste quaisquer convenções sociais e situações. Afinal, segundo o próprio Carl Jung, “não existe uma receita para a vida que sirva para todos.” Logo, cabe à nós seguir nossa própria individualidade, comprometida de eventuais imperfeições… e aperfeiçoamentos. 

A vida após o Ensino Médio

Texto por Enrico Zanetti

Foto: Shutterstok

Os estudantes do Ensino Médio enfrentam uma rotina intensa no seu dia a dia para se preparar para a maratona de provas que determinará o futuro acadêmico e profissional de cada um. O sonho de ingressar na universidade é marcado por diferentes dificuldades que vão desde a escolha da profissão à questões financeiras e até questões geográficas. Cada um é atingido psicologicamente de forma adversa.

Muito desses problemas se agravam por conta do modelo brasileiro que exige que os estudantes de 16/17 anos devem, “obrigatoriamente”, escolher o seu futuro e ainda enfrentar todas as dificuldades e incertezas para encarar a concorrência de vagas. Além disso, existe a disponibilidade de novos lugares que, muitas vezes, são distantes dos lugares que fomos criados. Por último, um grande desafio e a mudança do cotidiano. Podemos somar todos esses ingredientes a cobrança da sociedade quanto ao imediato ingresso à Universidade, logo após a formatura do terceiro ano do ensino médio.

As Universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior, de Pesquisa, de Extensão e de domínio e cultivo do saber humano (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diretrizes e Bases da Educação Nacional). Elas são responsáveis pela produção, preservação e transmissão dos conhecimentos culturais, científicos e tecnológicos adquiridos pela humanidade em sua evolução cultural, constituindo a Civilização Ocidental atual.

As Universidades ocidentais surgiram na Idade Média na Europa, sendo a primeira a Universidade de Bolonha, na Itália, criada no século XI, em 1088. As Universidades medievais europeias lançaram as bases da Educação Superior moderna, definindo os conceitos de bacharelado, licenciatura, mestrado e doutorado que são utilizados até hoje.

No Brasil, até o início do século XX, as universidades brasileiras eram ocupadas por estudantes de colégios tradicionais como o Dom Pedro II, no Rio de Janeiro. Com o aumento da procura, que ultrapassou o número de vagas disponíveis, o então Ministro da Justiça e dos Negócios, Rivadávia da Cunha Corrêa, instituiu o vestibular no Brasil, em 1911.

Em 1970, foi criada a Comissão Nacional do Vestibular Unificado para regulamentar a seleção. Os vestibulares passaram a ter datas distintas e o conteúdo da prova foi restrito a matérias do ensino médio.

A Fuvest foi criada em 1976, unificando os vestibulares da Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Essa unificação durou pouco tempo, em 1983 a Unesp se desvinculou e, em 1985, a Unicamp fez o mesmo.

Nos últimos anos, principalmente a partir de 2004, houve um impulso na democratização do acesso ao Ensino Público, com as políticas afirmativas somadas com a criação de 18 Universidades Federais novas e implantação de 204 novos Campus de Universidades Públicas em cidades do interior, além de uma recuperação das Universidades Federais através do Programa Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais).

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é hoje a principal porta de entrada no Ensino Superior do Brasil, com acesso às instituições de educação públicas e privadas. O Exame substituiu o tradicional vestibular em muitas faculdades e universidades passando a fazer parte do principal calendário escolar.

A primeira prova do Enem foi aplicada no ano de 1998 e, atualmente, é a prova mais importante e esperada pelos estudantes brasileiros que ambicionam entrar no Ensino Superior.

Enzo Pierdomenico, que sonha com o curso de Medicina na USP, prestou o ENEM, FUVEST, UNICAMP e UNIFESP, que embora tenha ido muito bem, não conseguiu passar nesses vestibulares. Hoje faz curso preparatório estudando das 8:30 até às 22:30. Segundo ele, a rotina de vestibulares foi um processo cansativo, mas, acima de tudo, foi um processo de aprendizado.

Quanto a decepção de não ir direto para a Universidade, ele é incisivo ao dizer que a maior decepção seria abrir mão do seu sonho. “O tempo nesse sentido é só um detalhe. Estudar no cursinho é enfrentar, cotidianamente, o medo da falta de um progresso nos estudos e, ao mesmo tempo, ter que lidar com a insegurança de não conseguir passar no próximo”, contou. 

A principal diferença na rotina após a formatura foi a mudança na mentalidade, objetivos e preocupações 24 horas por dia. Durante o Ensino Médio, você tem provas rotineiras para se preocupar e você estuda para cada uma delas, agora, no cursinho, você não estuda mais para provas, mas para vestibulares que acontecem apenas uma vez por ano. Quanto a obrigação de estudar tudo de novo, ele diz que tem que encarar como uma grande revisão e olhar cada matéria com outras perspectivas, já que são novos professores.

É nesse sentido que muitos estudantes do Ensino Médio se planejam, ao invés de dividir uma carga entre se formar e ao mesmo tempo passar em um seleto processo de vestibular, buscam priorizar pela primeira, deixando a segunda para o próximo ano. Essa estratégia tem crescido uma vez que, apesar de ser uma cobrança não declarada e sim subentendida da sociedade, o jovem vem se firmando como o indutor do seu próprio destino, mérito de uma geração que cada vez mais tem acesso a informação e a sua própria realidade.

Porém existem os que querem passar direto após a formatura. Essa foi a realidade do estudante de Engenharia Mecânica da POLI-USP, Lucas Oliveira, que passou na FUVEST, UNICAMP, UNESP, além de várias universidades privadas. Para ele, a mudança de rotina, bem como morar em outra cidade, foi um processo de adaptação, porém compensatório, uma vez que a universidade preenche muitas expectativas, alunos são muito receptivos e o clima entre a galera é confortável. 

“Não tem sido fácil a interação com o centro acadêmico, a atlética, os grupos de extensão, isso porque tem muitos alunos na Poli e na engenharia elétrica. Mas sem dúvida os professores são muito qualificados e você sente que efetivamente melhora a cada dia no que faz e no que procura”, contou Lucas.

Sem dúvida ao entrar no Ensino Médio, no dia seguinte já vem um processo de preocupação com o processo de seleção, que não se resume apenas nos vestibulares, mas também pela maneira como você vai encarar os três anos da sua adolescência. São anos de muitas descobertas, com seu corpo, com valores, amizades, namoros e códigos sociais. Sendo que esse turbilhão de emoções concorre diretamente com decisões importantes de futuro.

De qualquer modo, sempre existirão Zanettis e Oliveiras e, independentemente, se um ainda concorre para o seu futuro enquanto outro já vive seu presente, ambos se determinaram pelos seus sonhos e enfrentaram a loucura do Ensino Médio com os olhos encharcados de sonhos. Eles sonharam com os seus amigos e foram em frente, sempre sobrando um tempo de reencontrar com o ontem e lembrar que “quem sonha com um  sonho só é sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto vira realidade” – Raul Seixas. Para todos, seja hoje ou amanhã, sonhe, mesmo que isso possa significar mais tempo para realizá-lo. A mudança é inevitável e fugir dela é fugir do amanhã. Quem anseia pelo futuro não pode ter medo do passado. Que venham os vestibulares!

Este texto não vai significar nada

Texto por Rafael Amin

Arte: Depositphotos

Você já parou para pensar no quanto a comunicação por meio de palavras é uma coisa coisa estranha? Talvez na era dos 280 caracteres, onde tudo é sintetizado e exagerado, a parte lírica e subjetiva da língua tenha se enfraquecido um pouco. Os diálogos não se permitem ser tão abertos e ambíguos, mas mesmo com todo o excesso descritivo, ainda é muito difícil, talvez impossível, expressar algo e ser entendido de maneira exata. 

Um aspecto muito interessante da língua é seu poder construtivo. O livro “Cidades Invisíveis”, de Italo Calvino, é um excelente exemplo disso. A obra narra um diálogo entre Marco Polo e o imperador Kublai Khan, nessa conversa Marco Polo fala sobre as cidades que ele visitou. Cada descrição é mais bizarra que a outra, cada cidade é feita de exceções e elas não respeitam quase nenhuma lei da física, ou seja, elas não existem, bem, não em um plano material, mas elas são construídas e passam a existir por meio das palavras. O autor e, em geral, todo o interlocutor de alguma conversa, é um construtor, mas o que ele cria é fluido e imaterial, cabe então, para o outro, quem recebe a informação, criar forma, sentido e desconstruir a mensagem. 

A teoria da crítica desconstrutiva é bem interessante. Iniciada pelo filósofo francês Jacques Derrida, ela fala que se observado de perto nenhuma estrutura linguística consegue expressar de maneira correta o sentido.  Pode parecer que existe algum sentido estrutural em alguma coisa, mas o desconstrutivismo fala que se observarmos demais alguma frase vamos aos poucos perceber suas falhas e, portanto, destruir esse sentido. Um exemplo metalinguístico interessante é o do dicionário, que literalmente explica palavras por meio de outras palavras, que por sua vez também tem sua definição no dicionário, ou seja, o sentido de uma palavra está ligado ao sentido da outra, que por sua vez tem seu sentido ligado em outra, e assim por diante até chegar na própria primeira palavra.  É como em uma grande teia que se sustenta por ela mesma, mas que se observado de perto pode muito bem desmoronar.

Então, se não existe sentido na língua como criamos frases com ela? Essa é uma parte bem interessante da comunicação, principalmente a que se esforça a não ser tão fechada, e a resposta se encontra na subjetividade. Palavras são meios para tentar descrever alguma experiência, elas vão ser sempre falhas, não conseguem descrever com exatidão o que alguém quer dizer, entretanto elas também são agentes da criação de experiências no outro e esse processo é contínuo. Por isso os livros parecem ter tantos significados, algumas pessoas, por exemplo, lêem “Cidades Invisíveis” como uma metáfora ao pós colonialismo, outros como uma brincadeira com a língua. Mas coisas bem mais simples também podem ser interpretadas de várias maneiras, um “oi, tudo bem?” para alguns pode ser uma simples formalidade, para outros pode significar um gesto de carinho. 

Entretanto nem tudo são flores. Assim como pensar na falta de sentido da vida pode deixar alguém muito assustado, pensar na falta de sentido da língua também. Afinal, queremos sintetizar algumas ideias, até mesmo partilhar com outros, mas isso é impossível, a comunicação plena é impossível. A própria crítica desconstrutiva se deparou com esse problema, afinal, ela critica o sentido das palavras usando palavras. Bem, a solução dos teóricos a esse dilema foi simplesmente aceitar, rir do próprio texto, desconstruir sua desconstrução e perceber suas falhas. Afinal a língua é o que temos para nos comunicar, ela é falha, ampla e sem sentido – assim como a vida – mas por isso é tão fascinante, então que brinquemos um pouco com ela. 

Você que (se) leu esse texto até o final, ele significou alguma coisa?

Maquiagem: A necessidade de cobrir aquilo que você é com aquilo que a sociedade quer que você seja

Texto por Melissa Alfinito

Foto: Shutterstock

Você já parou para analisar o quanto de você fica debaixo das camadas de base e corretivo que passa todo dia? Já parou na frente do espelho e olhou no fundo dos seus olhos, bem lá no fundo, e refletiu sobre o porquê você passa maquiagem? 

Pense de verdade.

Você pode achar, por um momento, que faz isso porque se sente mais bonita e, de fato, você se sente mais bonita. Mas se aprofundarmos a reflexão e olharmos por um lado mais social da coisa, percebemos que talvez esse sentimento tenha sido colocado dentro de você.

Desculpa, eu não quero acabar com a graça da maquiagem, mas eu quero fazer você pelo menos tentar pensar que aquilo que você é vale muito mais a pena do que a imagem distorcida que cria de si mesma.

Se analisarmos a questão da maquiagem nos dias atuais, podemos perceber toda a propaganda em cima do conceito de beleza, que, consequentemente, desencadeia mais uma reflexão: o que é, de fato, beleza? Para mim pode ser algo que eu posso reduzir a uma única pessoa, ou a uma obra de arte, ou a uma música. No entanto, para você ela pode ser algo completamente diferente e isso faz com que tenhamos comportamentos também diferentes. Portanto, é aí que mora o problema, porque se o conceito de beleza que você aplica no seu dia a dia for diferente do que outra pessoa aplica, haverá julgamento. E esse julgamento, seja direto ou subjetivo, constrange e, a partir disso, surgem as noções de que é, por exemplo, necessário sair com maquiagem para se sentir bem fora da zona de conforto. Porque estar fora da zona de conforto nos faz correr o risco de sermos julgados e isso assusta, não é?

Além disso, é impossível dizer que as propagandas não nos afetam, nem que seja de uma forma mínima, e esse impacto também gera o medo inconsciente de não seguir o padrão.

Veja bem, você já notou como as meninas reclamam quando aparece uma nova espinha no rosto? Ou quando há algum tipo de compromisso que as faz pensar que têm que estar mais bonitas e arrumadas que o normal? Já ouviram alguma menina avisar que vai se atrasar porque têm que se maquiar? Percebemos aí o comportamento inconsciente.

Obviamente, há a questão da vaidade, pensar na beleza pra si, não descarto esse pensamento. Mas, junto com isso existe, sim, a influência da mídia e a concepção de se sentir bem por estar dentro do conceito aceito pela sociedade. É pensar que eu tenho que estar bonita porque, na festa que eu vou, as meninas bonitas estarão lá também e se eu chegar “exposta apenas com a realidade”, me sentirei inferior. A maquiagem transmite a falsa sensação de igualdade diante do padrão imposto, inconscientemente, na sociedade ou nas mini sociedades nas quais vivemos. Não há problema algum em expressar arte através da maquiagem, por exemplo, ou usá-la porque isso te faz puramente bem, mas se dentro de você existe qualquer tipo de pensamento voltado a agradar outras pessoas e não unicamente a você, então vale repensar esse hábito.

É um processo longo para se conquistar a verdadeira admiração por quem somos. Nós não nos vemos 24 horas por dia, fazemos isso graças ao espelho, mas enxergamos constantemente o outro e a maldita comparação acaba sendo inevitável. Se amar é uma parada mais complexa. Não vim aqui copiar e colar textos de livros de autoajuda e motivação baseadas no #LoveYourself, entendo que é complicado atingir a plenitude em um mundo tão doido e diverso movido pelo consumismo. Mas, digo novamente, é um processo e nós não podemos nunca abrir mão de, no mínimo, tentar enxergar nossas qualidades e nossos defeitos e aceitá-los. A maquiagem faz trabalhos incríveis, mas, primeiro, tente enxergar o que e como você é, sem fugir da realidade nem tentar cobrí-la, literalmente. 

Está tudo bem ser assim, exatamente do jeitinho que você é.

Pensa positivo, CARA!

Texto por Rafaela Collaço

Foto: Divulgação Vida em Sintonia

Sabe aquela história de que você atrai o que pensa? Então, é real. Uns físicos da vida estudam a relação entre o universo e as ondas eletromagnéticas lançadas por nós, nas quais são emanadas por meio de cada pensamento que temos. Nesse contexto, eles estudam a lei da atração, que é justamente o poder de nós atrairmos o que desejamos! Muito louco, né? Não vou entrar muito em detalhes sobre isso, mas se você quiser saber mais, tem um documentário chamado “O Segredo”, encontrado facilmente na Netflix, que explica tudo de um jeito mais científico e maluco haha.

Enfim, a parada que está em jogo é, o que vocês já deveriam esperar de mim rsrs, pensamentos positivos!!! Não to esperando que você seja uma fada que saia jogando glitter de otimismo por aí. Estou querendo dizer que eles podem super ajudar você a atingir seus objetivos! Até porque, se tem uma coisa em que nós somos essencialmente bons em fazer, é nos subestimar. Tipo, nós temos uma bela capacidade de pensar que só porque tiramos uma nota baixa em uma matéria, nós nunca iremos recuperar e nunca passaremos no vestibular. Ou então de sonhar grande e pensar que só porque é uma realidade muito distante da nossa, nós jamais conseguiremos atingir tal sonho. SÓ QUE ISSO NÃO TEM NADA A VER! A lei da atração está aí para provar que se você realmente pensar positivamente, as coisas vão se desenrolar.

É óbvio que não basta só ficar sentado, olhando pro teto e pensando tipo “nossa quero muito ser famoso” e não fazer nada pra mudar seu estado atual. Isso é inércia, meu caro, não lei da atração haha. Muitos desses caras famosos, como o Einstein e o Martin Luther King, citam a lei da atração e veja só onde eles chegaram! Ela é a base para tudo! É tipo o fermento do bolo. Para fazer um bolo, você precisa de uns ingredientes além do fermento, mas sem o fermento ele não cresce! É disso o que eu estou falando! Se você foi mal em um simulado, não significa que cravaram no seu nome antes de você nascer e que você irá fracassar para sempre em todas as provas de alternativa. Só significa que você não foi bem dessa vez. E o que você tem pra fazer agora? Estudar e acreditar que consegue ir bem, porque ambos juntos atuam como aqueles ingredientes e o fermento do bolo! É só acreditar verdadeiramente nos seus sonhos e lutar por eles que, logo menos, eles se tornam realidade! Então, relaxa, cara!! Por hoje é só. tchau 🙂