O que podemos aprender com Chiquititas

Texto por Guilherme Penninck

7 anos atrás, a emissora SBT propôs-se a fazer uma refilmagem da série argentina Chiquititas. Nessa quarentena, eu me propus a assistir a esse programa e dele tirei alguns ensinamentos para a vida.

Bem no começo, são apresentados três garotos de rua: Mosca, Binho e Rafa. No desenrolar da história, eles passam a viver no orfanato que, inicialmente, era só para garotas resultando em uma certa rivalidade entre meninas e meninos, algo comum dada a idade das personagens, entre 8 e 14 anos. Entretanto, esse embate demonstra ao público como o machismo é estrutural em nossa sociedade, pois mesmo os garotos não tendo pais, e vivendo nas ruas desde que se entendem por gente, todos proferem bordões machistas, como que lavar a louça é coisa de menininha, entre outros. Ou seja, eles aprenderam tais ensinamentos com a sociedade, ninguém disse para eles diretamente o que era coisa de menino e o que era de menina, essa visão misógina foi passada pela sociedade em si, eles apenas imitaram comportamentos comuns que viam no seu cotidiano

A série possui um bom desenvolvimento de personagem, até porque são 545 episódios. É bem satisfatório olhar um personagem no final do programa e comparar com sua primeira aparição. Ao longo da estadia dos meninos no orfanato, cada vez mais, os garotos aprendem a lidar com seus sentimentos e a superar sua masculinidade frágil.

A figura materna, desempenhada por Carol, uma das funcionárias do orfanato, também é fundamental para o crescimento individual de cada um, pois ela está sempre disposta a ensinar e até mesmo repreender, se necessário, atitudes que não se encaixam mais no contexto social que vivemos. Durante toda a série, mostrou-se alguém competente e independente, sempre dando seu jeito sozinha, até mesmo quando injustiçada, ela foi demitida por ser mulher, por exemplo, mas não se deixou abalar e deu a volta por cima, um verdadeiro exemplo de empoderamento feminino.

Outro fator muito importante na caminhada dos meninos para abandonar seus velhos hábitos e, consequentemente, a masculinidade tóxica, é o cozinheiro do orfanato, Chico, este que tem um papel fundamental como figura paterna, um homem na terceira idade o qual, em sua longa caminhada, entendeu seus erros e pôde convertê-los, sendo, constantemente, retratado como uma pessoa sábia que claramente já passou por uma desconstrução tentando, de todas as formas possíveis, passar tal sabedoria para os garotos.

Chiquititas, apesar de ser uma série voltada para crianças, traz consigo importantes ensinamentos e lições de vida, passando uma mensagem positiva sobre a desconstrução do machismo e do que é ser homem. A série mostra que nós, homens, temos muito a aprender com as mulheres.

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